terça-feira, 17 de outubro de 2017

O que é isto – pseudofilosofia?




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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Todo filósofo reflete um problema – problemas na filosofia não é o mesmo da matemática, pois, problema na filosofia é algo que pode ter vários caminhos ou respostas – eu acho que o meu problema é o que é ou que não é filosofia. A questão pode ser resumida em: qual o critério que temos, para avaliar o que é ou não, uma reflexão filosófica? Qual a barreira entre o caos do senso comum e lógica filosófica? Porque a lógica não é um amontoado de regras dentro de uma determinada linha argumentativa ou, reflexiva, mas são caminhos importantes para se entender um pensamento. Então, se temos uma lógica a seguir, seja em texto, seja em dizer algo, temos que ter certas regras daquilo que nós sabemos e somos especialista e aquilo que não somos peritos, que em geral, podemos chamar de autocritica.

Minha crítica, são para os que defendem que a filosofia tem “que” ter bases cientificas, pois, eu acho que há um grande problema nisso, pois, isso atrapalha o debate. Como falar de ética comportamental, se ainda a ciência empírica, não descobriu como o cérebro funciona? Um certo, ressentimento nietzschiano aparece quando a ciência não é muito falada – afinal, quem se interessa de uma descoberta de fosseis? – e a filosofia, media todos os debates possíveis. E ainda pior, a ciência não cortou seu “cordão umbilical” da filosofia. Mas, filósofos cientistas, insistem em inventarem termos e jargões que não ajudam nada ao debate. O que seria a pseudofilosofia? Vindo de um filósofo é muito estranho, pois, na filosofia não dizemos se algo é pseudo ou não, mas o nos perguntamos “o que é isto? ”.

Até outro dia o filósofo cientista argentino, Mario Bunge, era desconhecido na minha lista de filósofos. Fiquei conhecendo ele graças ao blog cientifico, Universo Racionalista, com a sua adoração não só pelo filósofo argentino, mas também, por Carl Sagan (1934-1996). Nada de errado, afinal, Sagan teve obras memorável e é claro, nem todas as coisas que disse eu concordo. Mas voltamos a Mario Bunge. Bunge parece que tem uma certa implicância com o existencialismo heideggiano (filósofo Martin Heidegger 1889 a 1976), que na sua visão, é uma visão de pseudofilosofia (aqui). Sartre usou também algumas posições existencialistas de Heidegger, ele também é um pseudofilósofo? Será mesmo que a filosofia é mesmo somente voltada ao discurso lógico? Será que um filósofo pode dizer que algo é ou não “pseudo”?

O fato de Heidegger ser do partido nazista não faz dele um filósofo menor, há vários filósofos que foram de regimes totalitários – até mesmo eram a favor deles como Hobbes ou Maquiavel – que não tiram o mérito de suas obras. Se o “Übermensch” nietzschiano foi usado pelo governo fascista (Mussolini) e o governo nazista (Hitler), isso não tira o mérito das obras de Nietzsche, pois, aliás, o “filósofo do martelo” nunca gostou tanto da Alemanha assim, ele adorava as cidades italianas. O ESTADO simplesmente, usa as filosofias e seus filósofos, sempre quando querem convencer as massas a suas “insanas” resoluções o que é melhor ou não para a nação correspondente. Por isso, não vou chamar o “Übermensch” de pseudofilosofia, por causa do nazismo ou por causa do fascismo italiano, ter usado. E além do que, como disse antes, a filosofia não pode e não tem que ditar verdades absolutas, ela pergunta a origem das verdades e se aquilo é mesmo a verdade. Mas a realidade é estranha, porque achamos que sempre ela não existe, porém, ela está na nossa frente. Politicamente, culpar os europeus por causa das inúmeras ditaduras sul-americanas só pelo conceito de um filósofo – dando poder absoluto ao Heidegger – é uma ignorância política tremenda. Porque somos herdeiros da cultura latina-grega, então, não sabemos ter governos democráticos sem ter interesses diversos.

Vamos ao pseudo. Esse prefixo é usado na nossa língua para indicar se aquele teor é falso ou que o conteúdo não é considerado real ou verdadeiro. Frequentemente, o prefixo é também usado como uma gíria, sempre colocando uma classificação duvidosa, mentirosa ou falsa. Ai que começa o problema, qual o critério a medir o que é ou não filosofia? Bem resumidamente, pois, eu quero expor brevemente o papel da filosofia dentro do pensamento ocidental. O termo deriva de duas palavras gregas arcaicas, uma é “philia” que seria um amor de amigos ou amizade, outro termo é “sophia” que pode ser sabedoria, mas também pode ser saber. Acontece que a “amizade com a sabedoria” – gosto mais assim – não pode ser assumida como pseudo por causa do seu próprio conceito. O racionalismo – já que Bunge se intitula racionalista – coloca algo duvidoso, porém, sem parcialidade conceitual.  Nesse caso, há parcialidade e a filosofia não lida com o falso ou verdadeiro e sim, com que é a causa dessa verdade.

A pergunta é: por que devo saber se aquilo é falso ou não? Posso ver um ponto filosófico tanto na ilíada, como posso ver vários pontos filosóficos no filme Rambo. Posso ver a causa do pensamento de Gandhi, no mesmo modo, posso analisar a causa do pensamento de Hitler, de Mussolini ou de Stalin. Isso não faz da minha análise crítica, uma pseudofilosofia, só porque, não apoio o nazismo, o fascismo ou o socialismo. No mesmo modo, só porque não provaram que o subconsciente ou o inconsciente, faz a psicanalise de Freud – acreditem, ajudou tanto eu como muitos deficientes que conheço – como uma pseudociência, que acaba sendo uma contradição (vou escrever um texto sobre, um dia). A questão é que a filosofia não tem pontos falsos e nem pontos verdadeiros, porque ela vai perguntar o que é um “ponto”. Isso desde Sócrates, que queria descobrir se existia homem mais sábio do que ele, e começou a investigar e ver outras coisas que por ventura, acaba sendo vários pontos em comum. Não há nada de muito longínquo entre o “a-tomo” de Demócrito de Abdera e o átomo do mundo moderno. Senão, vamos chamar o filósofo grego de pseudofilósofo.

O que é a verdade? Ora, tudo aquilo que é verdadeiro tem a ver com tudo aquilo que é real, porque o sinônimo de verdade é a realidade. Assim, podemos perguntar: o que é uma filosofia (amizade com a sabedoria), verdadeira ou falsa? Tudo que é verdadeiro ou falso tem a ver com o que achamos normal ou não, ou seja, aquilo que é normal ou não depende dos valores aprendidos. A grosso modo, nem sempre uma “realidade” aprendida é uma “realidade” de fato, porque há muitas coisas no meio dessa “realidade” aprendida que mexe com o poder. Posso dar um exemplo simples, que esse texto que estou escrevendo, na verdade, não existe. as letras que estão aparecendo no computador, são na verdade, algoritmos escritos por algum programador e é lido por um processador. Esse processador transforma esse código em letras e elas podem ser vistas, mas não chamamos de pseudotexto só porque não entendemos o conceito de alguns algoritmos. É o que parece que acontece na afirmação de ser ou não, pseudofilosofia, porque parece que alguns conceitos não são compreendidos. Só que o existencialismo, para entendemos, temos que fugir da lógica um pouco, pois, tem a ver com o ser.


O ser é um ser quando compreendemos que existem outros entes no mundo, é o que quer dizer o “Dasein”. O ser-aí não é o próprio filósofo, mas o ente se compreendendo como um ser vivente dentro da realidade, ou seja, se eu sou Amauri é que compreendo que a minha natureza e tudo que eu sou, sou por causa do outro. Heidegger está se referindo ao homem e seu lugar no mundo, que chamou de ser-ai-no-mundo. Como isso é uma pseudofilosofia? Como o ser-aí é o próprio Heidegger? Não faz nenhum sentido achar que o conceito de Dasein é um conceito que demonstra ao próprio filósofo, chega a ser risível. 


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A moral e o “pelado” do MAM



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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Vamos colocar algumas questões no lugar antes de argumentar a moral luso-católica-cristã que temos aqui no Brasil – e não adiante dizer que é evangélico que a moral é igualzinha. Para começar, não é que não tenho nenhuma moral, a moral é o que faz o ser humano ser uma criatura diferente dos outros animais. Quando digo moral, estou dizendo num modo kantiano – apesar que tenho algumas críticas a esse sistema – no qual eu me permito me colocar no lado daqueles que são abusados, daqueles que são discriminados, daqueles que eu acho que não gostaria que alguém fizesse comigo o que fizeram para eles. Afinal, todo cristão deveria seguir o preceito puro de Jesus Cristo, que é da mesma forma que eu julgar, eu serei julgado. Se eu não quero que façam comigo, eu não farei com o outro. A questão vai muito longe e requer páginas imensas e capítulos enormes de livros.

Só que eu sempre duvido da moralidade do senso comum, pois, algumas vezes, ou muitas vezes, essa moralidade é incoerente. Claro que da mesma forma que eu acho que uma pessoa com deficiência “pelada” (seja homem ou mulher), chamaria a atenção de possíveis assediadores ou estupradores, por existirem várias deficiências piores, e não chamaria a atenção para práticas sexuais (como se eu tivesse que dar alguma satisfação dela a alguém); deveriam ser respeitadas as classificações etárias na exposição e o aviso que ali teria exposto um homem nu dentro de um contexto que a criança não vai entender. No mesmo modo acho meio complicado levar crianças num passeio no shopping ou num supermercado, porque ela não entende o discernimento do comprar, do querer e etc. Mas, porque no meu pensamento tem sempre um “mas”, há muita hipocrisia dentro da questão e eu vou explicar bem didaticamente (coisa que nem o Ghiraldelli conseguiu explicar).

A arte é uma expressão como a fala, a mimica (mimikós), a escrita e todo ato de expressar aquilo que se sente. A artes cênicas e as artes de dança, contem encenações que se quer passar dentro de um contexto e dentro da base de contexto, tem todo um script dentro daquilo. O que eu vejo? Que não houve um ato de pedofilia e sim, um ato de irresponsabilidade da mãe que gerou polêmica, expôs o artista a uma situação que pode estar correndo risco de vida, o museu que permitiu a criança de entrar. Por outro lado, existe sempre aqueles que querem falar e não sabem o que estão dizendo, porque além de contextualizar dentro da sua visão moral, ainda querem impor várias regras que eu não quero seguir e nem muita gente. Por outro lado, existem várias questões que merecem uma atenção melhor.

Primeiro, pedofilia não é um ato de ficar nu em uma sala com uma criança. O ato é o agir e não agir, é a consciência fazer o que a vontade de ir até a coisa ou a pessoa, fará você ir. Nem todo assediador de uma mulher ou homem com deficiência é um “devote” (devoto da deficiência da pessoa) e nem um estuprador de uma criança, é pedófilo. Pela simples razão, que o desejo tem a ver com a “vontade” sem um controle, ou um discernimento sobre aquele ato. Portanto, muitas vezes, o desejo é aquilo que te falta ou aquilo que você aprendeu a gostar. Um pedófilo é um criminoso, sem dúvida nenhuma, porém, temos que ter cuidado o que é pedofilia mesmo e o que não é pedofilia. O que é um ato de “sem-vergonhice” e aquilo que é uma “doença” mental, que no caso da pedofilia, faz jus as doenças mentais que se classificam como “maníacos”. Porém, um certo cuidado deve ter em não acusar as pessoas de coisas que não fizeram e pagar por isso.


Juridicamente, o que procede a pedofilia é o abuso (o ato e em si), que é um ato de violência. No modo médico, independe de ter ou não, o abuso, pois há vários fatores psicológicos e corporais no meio (isso pode ser como diagnostico de tudo, porque a medicina trabalha com evidencias cientificas). Mas não há nenhuma especificação de algum traço da questão erótica dessa obra e nem mesmo no vídeo em questão. O que acontece é que há, muito explicitamente, uma ação moralista que quer minar a educação conforme sua própria moral. Só isso! 

Psiquiatra diz não conter erotismo na exposição do MAM (aqui)

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Rock in Rio: onde foi que esconderam o rock?



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“A música é o meio mais poderoso do que qualquer outro porque o ritmo e a harmonia têm sua sede na alma. Ela enriquece esta última, confere-lhe a graça e ilumina aquele que recebe uma verdadeira educação. ”
Platão


Por Amauri Nolasco Sanches Junior

O termo musica veio do grego “musikê” que se traduz como “a arte das musas”, pois para os gregos a música tinha a ver com tirar melodias dos instrumentos musicais. Os instrumentos artesanais eram importantes para extrair sons desses instrumentos como as belas artes do povo e as suas inúmeras culturais. Essas musas eram as nove filhas de Mnemósine ("Memória") e de Zeus – que era muito mulherengo – e o templo dessas musas era o Museion e o termo museu, veio de “musas”. Aliás, o termo museu em várias conotações linguísticas, até mesmo a indo-europeia, era um local de cultivo de preservação das artes e ciência.

Mas essa analise etimológica não é à toa, nem quer dizer que um ritmo tem mais ligação divina do que o outro, quem gosta fique à vontade em gostar, mas se o nome é “rock” tem que ficar no rock. Existem inúmeros festivais de axé, tem vários festivais que agregam o público gay e existem e existiram roqueiros gays. Mas roqueiros são para festivais de rock e não festival de outras coisas, que claro, tem o “dedo” da Rede Globo. Mas será esse tipo de coisa retira mesmo o preconceito? Será que você colocar pessoas que são discriminadas não serão mais? Mas não é isso que está em discussão, mas o verdadeiro contexto que é o festival que está inserido o nome ou a proposta do festival. Se está “rock” em um “rock do Rio” – que é a tradução – tem que ser rock e um festival de rock e não tem nada a ver com outros estilos ou preconceito. O problema dentro da “coisa” toda é cada “macaco no seu galho”.

Dentro da filosofia devemos analisar a liberdade e a vontade mais de perto, porque quando você está com vontade é quando você se desprende daquilo que a maioria pensa ou consome. Não sejamos hipócrita, a grande maioria das pessoas não sabem o que é música e nem o porquê gosta daquele estilo, isso é falácia e nada tem a ver com gosto ou tem a ver com liberdade. Isso tem a ver com a indústria cultural (que sim Adorno acerta em algumas análises e não sou comunista), que paga rádios e paga outras mídias para tocarem incansavelmente. Tem a verdade com a convivência social que e muito mais fácil quando você gosta o que a maioria gosta, tem a ver com a rede social (e muitas vezes, não tem nada a ver com a rede social virtual) onde você está inserido. Quem tem uma convicção fraca e um conceito cultural fraco, vai aderir ao que a grande maioria produz. Isso tem a ver com a MPB (que as mídias promovem), isso tem a ver com “modinhas”, isso tem a ver com a região onde se encontra e muito mais. Por isso eu coloquei a origem do termo música, pois, isso tem a ver com a espiritualidade do ser humano enquanto seres conscientes da sua realidade.

Mas há uma diferença “gigantesca” você ouvir um Legião Urbana entendendo as letras das músicas, do que você cantar sem entender e repetir a letra sem saber o que aquilo quer dizer. Tanto que, por exemplo, todo mundo canta e gosta da música “Pais e filhos”, mas poucos sabem que é uma música contando um contexto de suicídio do protagonista (isso foi dito pelo Renato Russo na famosa entrevista para a MTV em meados dos anos 90 e já naquela época, ele reclamava disso), é uma música que fala de consciência daquilo que fizemos a vida toda. Outro que eu duvido alguém cantar entendendo a letra é o Raul Seixas – aliás, estou devendo um texto sobre o “seixismo” que rola por aí – porque as pessoas repetem muitas músicas, ora porque pensam estarem cantando sobre uma ideologia, ou está cantando sobre algo que acreditam. A música “Maluco Beleza” é a prova cabal disso, porque pensam que Raul está dizendo uma coisa e não está, é num outro contexto. Como está na própria música: “Enquanto você/Se esforça pra ser/Um sujeito normal/E fazer tudo igual” seria uma contradição das outras músicas que essas mesmas pessoas gostam. Essas mesmas pessoas se esforçam para serem pessoas “normais” e fazerem tudo “igual” e não é bem assim. E tem muito disso no Brasil, porque com inúmeras desculpas de serem colonizados por inúmeras culturas ou terem vivido em inúmeras reencarnações em outras nações, ou porque é um povo sem convicção, e é um problema educacional brasileiro.

Duvido que se tivéssemos uma certa educação, as pessoas iriam escutar Marilia Mendonça como a música “Infiel” que mostra um “barraco” de um homem sendo expulso de dentro de casa por causa de uma traição e dizem, que a cantora se inspirou no próprio pai. Não só na música você vê isso, estando eu diante da estátua do Rei Leônidas de Esparta – sim, aquele dos trezentos – numa exposição num shopping, tantas coisas o pai deveria ensinar para o filho, não, ele simplesmente disse: “olha o pintinho dele”. Não temos educação para a arte e vimos isso na exposição do Santander (no qual sou contra todo tipo de censura), onde se proibiu quem gosta de ver, não se analisou o contexto das obras e ainda mais, querem colocar o país numa ditadura só porque não concordam com aquilo que os outros gostam e apoiam. No mesmo modo que não gosto de certas músicas e ritmos, também acho que devemos respeitar o gosto da maioria. Mas existem “gostos” e existem “estar acostumado” com aquilo, estar com vontade de ouvir e estar “acostumado” em ouvir. Mas a questão é outra, é separar as coisas e os momentos, pois, uma exposição sobre Picasso, pois exemplo, não deve ter obras de outro pintor.


Existem “interesses” diversos por detrás daquilo que deveria ser um festival de rock, porque você aumentar os nichos não quer dizer que você vai despertar o interesse da maioria.  Senão vai ter conjunto de forró e nada terá a ver com rock, sinto muito. 

Defesa de Palocci disse que Lula é um 'dissimulado' (aqui)


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

São Paulo: cadeirante mostra calçada destruída “pessoas podem cair”



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Por Amauri Nolasco Sanches Junior


Muitas vezes eu escrevi sobre a urbanização aqui nesse blog e muitos outros que estão pela internet, que por muitos anos eu me deparei. Segundo a Lei de Inclusão, as pessoas com deficiência cadeirante tem o direito de ir e vir e isso inclui, ter vias públicas dentro de uma organização urbana onde se encontramos.  A realidade não é a mesma coisa das leis escritas, porque as leis escritas tendem a idealizar uma conduta que não está sendo respeitada e esse respeito pode ser sanado com o cumprimento dessa lei, que por muito tempo, vem sendo desrespeitada e colocada como apenas um papel em cima de um gabinete qualquer.

Ontem ao abrir o blog no meu colega de partido – ele é presidente do PAIS (aqui) – Lee Cadeirante (aqui), vi a nossa colega de luta Lucianna Trindade, subir a Alameda Santos (na região da Avenida Paulista), mostrando a realidade das calçadas em um vídeo que “bombou” nas redes sociais do pessoal do segmento das pessoas com deficiência. Estudei nos anos 80 – de 1983 a 1990 – na Avenida Paulista num colégio conhecido e tombado pelo patrimônio histórico, Rodrigues Alves – nesse tempo houve uma unidade da AACD (aqui) nesse colégio – onde já naquele tempo as condições da região eram “deploráveis”. Hoje, acredito eu que não trafego tanto na região, a coisa esteja melhor, mas no vídeo da Lucianna mostra que nem tanto.

Ali onde o vídeo acontece há uma obra chamada de ‘Santos Augusta’, que é feita pela construtora ReudBrasil, que danificou toda a calçada da Alameda Santos. No vídeo, a cadeirante sobe toda a Alameda e mostra varias danificações e irregularidades dentro da via que é pública e não da “construtora”. Primeiro, Lucianna mostra o portão de entrada e saída de caminhões que buscam materiais, simplesmente, na calçada e além disso, a fita de isolamento está a via impossibilitando o trafego de cadeirantes.

O vídeo ficou bom só num pequeno fato, mostrar a nossa visão das vias públicas que não estão adequadas na sombra da lei, diante da grandeza da cidade de São Paulo – uma das maiores cidades da América Latina – que muitas vezes, contraria a lei. Só com alguns minutos de vídeos, se pode ver um olhar diante de uma dificuldade que TODOS cadeirantes passam, que enfrenta todos os dias. Existem normas federais que garantem nosso próprio direito de trafegar nas calçadas, e também, contraria normas da PNMU, que prioriza a circulação de pedestres, principalmente, em vias como calçadas. Coisa que o vídeo da Lucianna, é mostrado que nem a própria lei é respeitada (normas simples).

No vídeo, podemos ver as caixas de esgoto fazendo “montinhos” obrigando a muitos pedestres a trafegarem em uma única pessoa, quanto menos, uma pessoa cadeirante passar ali. Tanto que Lucianna tem que andar na rua, dividindo o espaço com os carros, porque a calçada não tem a menor condição de transitar, além disso tudo, há uma arvora numa caixa errada e de maneira errada foi plantada no meio da calçada.

A realidade do vídeo é a realidade de qualquer um que seja cadeirante (com cadeira de rodas manual ou motorizada), que muitas empesas não cumprem a lei e também, muitos moradores fazem a calçadas como querem e não é bem assim. Há uma norma a seguir com suas medidas e como deve ser, porque há também muitas pessoas com mobilidade reduzida, que precisam de uma calçada descente. Gestantes, mães ou pais com carrinho de bebê, idosos que podem cair e até mesmo, pessoas com deficiência visual que pode transitar por ali e até cair e se ferir gravemente.


Quem conhece meu blog sabe que como sou nietzschiano, sou um quebrador de ídolos com minha britadeira, mas eu sei muito bem que também reconhecer as pessoas que tem coragem e sabem aquilo que fazem e a Lucianna Trindade teve um ato de coragem. Podemos dizer que o ato da moça é um ato digno de um guerreiro “espartano” que luta pelo que acredita e o que há de errado. Mostrando arvores em locais errados, rampas que não podem ser usadas e nem calçadas que possamos usar. 


(aqui)

(aqui)

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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Política e deficiência




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Por Amauri Nolasco Sanches Junior


“O homem é um animal político. ”
Aristóteles


O que pensamos quando lemos essa pequena frase? Quando o filósofo grego Aristóteles (que viveu entre 384 antes de Cristo – e morreu em 322 antes de Cristo), disse essa frase, ele não tinha em mente a mesma ideia de “politica” que temos agora, portanto, a política para o grego antigo era uma política voltada a alguns e esses alguns, em sua maioria, eram homens que eram privilegiados. O que o filósofo quis dizer? Ele quis expressar em sua frase (que ficou famosa após o ressurgimento das chamadas democracias), que o homem como ser gregário, se torna um ser socializante e ele ser um ser socializante, ele se torna um ser que expressa as suas preocupações. O ser político – vem do grego ‘politikos’ que designava em cidadãos que poderiam e deveriam cuidar da Polis que eram cidades-estados que eram comunidades organizadas – é um ser que vê a sociedade e se preocupa com a cidade (organização social) e o rumo que essa cidade está tomando.

O cidadão (politikos) é aquele que realiza atos que podem ajudar a colaborar com que melhore cada vez mais, a sociedade organizada de onde mora e o território que está. Daí podemos dizer que usamos a política – vem do grego ‘ta politika’ que deriva de um outro termo grego ‘polis’, era usada para se referir ais assuntos relacionados a cidade-estado (polis) e a vida em coletividade – como meio de reivindicar nossos ‘direitos’ de cidadãos se somos de fato, seres conscientes da realidade. Só que os gregos antigos tinham como cidadãos os homens e livres.  Excluíam as mulheres, escravos e estrangeiros. Mudou muita coisa? Muito pouco. Os antigos gregos matavam as pessoas com deficiência ainda crianças, pois, o infanticídio era uma pratica muito comum quando não se tinha perfeição, quando havia muito mais mulheres do que homens e mais, morriam muitas crianças porque naquela época não tinha vacina. Hoje temos vacinas, hoje já há uma aceitação maior pelas mulheres e no mais, há tratamento para as pessoas com deficiência.

Claro, que nós, pessoas com deficiência, não somos mortos como fomos mortos na Grécia Antiga – na verdade, paramos de ser mortos e aprisionados a partir dos anos 80 diante da grande pressão de algumas manifestações e graças a Convenção da ONU, que não vale muita coisa, mas deu para dar um certo ar de respeito e dignidade – não somos jogados em abismos, não somos largados em florestas para animais nos comerem e nem, como acontecia muitas vezes, adotados para pedimos emolas. A questão é que somos seres humanos e merecemos respeito e como pessoa que merece respeito, somos obrigados a fazer da nossa essência social (politikos),  e reivindicar o que é certo e o que é certo é temos saúde (ubs), temos transporte (essencial para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida), educação (escolas e universidades adaptadas) e trabalho (uma Lei de Cotas que funcione em todas as camadas sociais, sem empecilho burocrático como acontece no setor público e o discriminatório como acontece no setor privado). Além que estamos numa sociedade que tem duas camadas muito fortes, uma camada religiosa e uma camada ideológica que por inúmeros motivos, atrapalha a discussão do que é realmente necessário, ou que realmente é um desperdício de energia.

Digo “desperdício de energia” no sentido que estamos em discussões irrelevantes que não vão levar em lugar nenhum e esse “lugar nenhum” se refere também, ao nosso segmento. Por exemplo, muitas pessoas são contra uma criação de um partido que a diretoria e a presidência é de pessoa com deficiência (aqui). Mas, não discutem nenhuma coisa relevante diante da política das pessoas com deficiência, só alegam que um partido desses, não é uma maneira de inclusão e sim, é um motivo de criar “guetos”. Outros são contra o transporte porta-a-porta, alegando que se existir esse tipo de transporte, o poder público não adaptará o transporte convencional; já outros, dizem que são contra porque não conhecem pessoas, não socializam. Uma pequena e rápida análise dizemos que é uma tremenda bobagem, não corresponde com a verdade, porém, tem o direito de pensarem assim. E quando digo “pessoa com deficiência”, digo todas as deficiências.

Esclarecendo esses pontos vamos ao que me motivou a escrever esse texto. A cidade de São Paulo, tem aproximadamente, 2,8 milhões de pessoas com deficiência na cidade, sendo que, nem tudo para nós, não corresponde em uma adaptação adequada. Não existe aqui, nenhum plano de implantação de um desenho universal, nem existe uma implantação verdadeira de UBSs que tratam adequadamente as pessoas com deficiência, principalmente, nas periferias da cidade. No caso da UBS da Jardim Elba, que fica localizado no Jardim São Roberto, Sapopemba na Zona Leste de São Paulo, não há remédios e nem médicos com atendimento adequado e nem sabem fazer encaminhamento de pedido de cadeira de rodas ou outros aparelhos. Esse é um exemplo, um outro exemplo, são comprimidos para pressão alta na UBS da Vila Nova Iorque que fica na Vila Nova Iorque, na Zona Leste de São Paulo que “quebram”, pois, há uma “qualidade” duvidosa. Fora que não existe estacionamentos nas mesmas, que são destinadas as pessoas com deficiência como manda a lei. Se existe a “lei”, o poder público que faz e aplica essa mesma lei, deveria dar o exemplo e isso vai além de ideologias políticas ou “religiões” partidárias.

Na questão de transporte, os ônibus adaptados estão bem melhores, mas não é seguida ao que se refere ao serviço de vans ATENDE que a maioria dos carros não são adequados para a “rodagem”. Segundo o site da SPTrans do serviço ATENDE está:

“Atende foi criado por meio do decreto nº 36.071 de 09 de maio de 1996 e atualmente é regido pela Lei Municipal nº 16.337, de 30 de dezembro de 2015. É uma modalidade de transporte porta a porta, gratuito aos seus usuários, com regulamento próprio, oferecido pela Prefeitura do Município de São Paulo, gerenciado pela São Paulo Transporte S.A. e operado pelas empresas de transporte coletivo do município de São Paulo e cooperativa de táxis acessíveis. Destina-se às pessoas com autismo, surdocegueira ou deficiência física com alto grau de severidade e dependência, no horário das 7h às 20h, de segunda-feira a domingo, excetuando-se os feriados. ”
(aqui)

Ainda no mesmo texto está:

“Além do atendimento porta a porta a clientes cadastrados, o Atende oferece atendimentos nos fins de semana, denominados de "eventos aos fins de semana". Neste tipo de serviço, os pedidos de transporte são feitos diretamente pelas instituições que trabalham com pessoas com deficiência (com, no mínimo, dez dias de antecedência). As instituições precisam efetuar cadastro prévio na SPTrans. ”


Logo depois o texto diz que “O Atende tem veículos devidamente adaptados e roda cerca de um milhão de quilômetros/mês. ”, ao chegamos a um paradoxo (um paradoxo é o oposto do que alguém pensa ser verdadeiro ou contrário a uma opinião admitida como valida), pois, existem vans que estão a dez anos de uso, então, se elas rodam milhares de quilômetros, ou o número de vans não é suficiente para a demanda de usuários (que é de práxis do serviço dês de 1996 quando surgiu), ou os caminhos são poucos estudados pelos técnicos. Vans que ficam na zona leste, por exemplo, não podem ir para a zona sul, no mesmo modo que vans da zona sul não poderiam ir para a zona leste, não é questão de achar certo e errado, é uma questão de logística. A demanda tem que ser analisada a partir dos números dos usuários considerados, se na zona leste, por exemplo, existe mais usuário em potencial essa demanda tem que ser suprida com mais vans na zona leste. Porém, se as vans forem deslocadas de uma zona a outra, mais quilômetros rodados elas vão conter e o desgastes do equipamento vai desgastar mais rápido. Qualquer pessoa com o mínimo de estudo sabe disso, porque a questão é clara, se roda muitos quilômetros, é porque a demanda é muito grande e muito extensa.

Ao se refere ao serviço “"eventos aos fins de semana”, esses dez dias no mínimo do pedido, é para mim um exagero. Por que? Segundo a gerente de “eventos”, Fabiana Cristina Issaho, existem vários procedimentos que estre eles, montagem de rotas. Ora, existem instituições que colocam chefes de carros (que são pessoas que ensinam o caminho) e existem instituições que mandam todos os endereços e a rota deve ser analisada pelos “técnicos” do serviço. Por que não se separa as instituições que não tem esse “chefe” de carros e as que tem esse “chefe”? As que tem teriam um prazo menor e as que não tem, teriam um prazo maior dentro do pedido. Porque acaba atrapalhando a analise até das condições da van para a rodagem, colocando em risco o condutor (motorista) e o usuário.

Além que a ficha ser mandada em um e-mail pode gerar confusão, pois o e-mail pode não ser confiável e haver falhas. No dia 6 de novembro, mandei a ficha para o serviço – sou coordenador da Irmandade da Pessoa com Deficiência – as 19 horas e no dia 14 de setembro, a gerente de eventos, disse que não recebeu a ficha do dia 17 de setembro (que ficamos sem nosso evento), o e-mail deveria ter travado o envio e deve ter destravado quando entrei no e-mail do movimento. Isso mostra que o sistema não é isento de falhas e essas falhas podem ser prejudiciais, assim, se faz necessário ter um sistema muito mais moderno online.

Se dizemos que a saúde é falha e o transporte é falho, dentro de uma “sociabilização” das pessoas com deficiência (não gosto de inclusão que dá a ideia de exclusão, que não é verdade, porque nascemos dentro da sociedade), não é diferente na área da educação. Como relatei em vários textos (aqui), existem crianças que são deixadas nos corredores das escolas sem fazer nada, crianças que são discriminadas, crianças que são desligadas e algumas, em centros de reabilitação famosos, são desligadas por causa das “verdades” ditas pelos pais. Mas não há um treinamento verdadeiro dos professores e dos profissionais, tanto no ensino regular, quanto no ensino técnico, e nem equipamentos adequados. Porém, vamos ser justos, muitas pessoas com deficiência não querem nada com nada, não querem escolher nem as “roupas de baixo” que vão vestir. Mas aquelas que querem, deveriam encontrar com as adaptações adequadas.

No curso universitário tem um pequeno “problema”, elas são muito caras por pouco conteúdo que ensinam – colocando na grade dos cursos matérias irrelevantes, como estatística em um curso de publicidade – e não colocam o que seria a competência delas ensinar, como o teorema cartesiano, o a formula de Baskara entre outras coisas, porém, para quem consegue fazer a universidade existem muitas barreiras. O preconceito acadêmico é muito mais letal, porque inclui o preconceito velado dentro das crenças e dentro do que a pessoa aparenta, quem nega, é um mentiroso e merece meu total desprezo. Fora que elas (universidades) dão bolsa de estudos para quem pode fazer marketing do seu estabelecimento.

Não existe nenhuma empresa que “contratou” pessoas que tem deficiência não leve (porque elas só contratam pessoas que tem deficiência leve), que tenha um curso universitário. Por que disso? A maioria dos nossos “gestores” (um termo “moderninho” para empresários), ou não tem curso universitário da área, ou nas universidades não são ensinadas coisas bem básicas.  Primeiro, o ser humano não é uma “máquina” que se a pessoa tiver deficiência, necessariamente, ela tem que ganhar menos por isso. Nem sempre a eficiência de uma pessoa é avaliada pelo que ela aparenta e sim, daquilo que se pode fazer (mas eu escreverei um prognostico muito mais detalhado, quem quiser ler sobre, fiz um texto (aqui)).


Isso, que analisamos criticamente, são situações vividas numa cidade de milhões de cidadãos, agora, imagine numa cidade do interior de qualquer Estado. O diagnóstico é muito pior. 

Cadeirante cai do elevador do ônibus em Guarulhos (aqui)

Os brasileiros votariam em um candidato cadeirante para presidente (aqui)

Colégio argentino religioso expulsa criança com autismo (aqui)

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O silêncio dos autistas



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“Não rir, nem lamentar-se, nem odiar mas compreender. ”
Baruch Espinoza

Eu vendo uma notícia no site do jornal espanhol, El País Brasil, fiquei pensando como o ser humano ainda tem a visão da deficiência dentro de um molde que não cabe mais no século XXI. Segundo a notícia, um colégio religioso chamado San Antonio de Padua, na Argentina num município chamado Merlo, que fica perto de Buenos Aires, teriam expulsado o menino que é autista, com síndrome de Asperger da turma da classe da quinta série. A questão é muito complexa, porque a família do garoto diz que o colégio flexibilizou a estada do menino lá, por pressões das outras mães, as outras mães dizem que o garoto é um menino bastante agressivo e machucou uma das crianças gravemente. A conferencia espanhola de Asperger, que faz um trabalho de inclusão nos colégios argentinos, disse que teria alertado o perigo de se aceitar esse tipo de pressão. Segundo a conferência, a Convenção da ONU dos direitos das pessoas com eficiência diz:


 “1. Os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência à educação. Para efetivar esse direito sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades, os Estados Partes assegurarão o sistema educacional inclusivo em todos os níveis, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida, com os seguintes objetivos:
a) O pleno desenvolvimento do potencial humano e do senso de dignidade e autoestima, além do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos, pelas liberdades fundamentais e pela diversidade humana;
b) O máximo desenvolvimento possível da personalidade e dos talentos e da criatividade das pessoas com deficiência, assim como de suas habilidades físicas e intelectuais;
c) A participação efetiva das pessoas com deficiência em uma sociedade livre.
(aqui)

O problema vai muito além do “showbiz” da mídia sul-americana, a questão tem meio que a ver com que Spinoza disse na sua frase, que não devemos  rir e nem mesmo odiar, e sim, devemos entender. Uns dos maiores alimentos do “preconceito” e a “discriminação” é a ignorância, pois, o medo é uma fonte bem pomposa para o preconceito. Segundo o Google, o preconceito é qualquer opinião ou qualquer sentimento sem nenhum exame crítico. Também, que uma atitude preconceituosa é uma atitude hostil, assumindo em consequência de uma certa generalização apressada de uma certa experiência pessoal ou imposta pelo ambiente ou, a conhecida, intolerância. Então, que se dane o motivo que o menino tenha jogado o objeto no coleguinha, o coleguinha é um oprimido que levou uma “objetada” na cabeça, por não fazer nada. Só que conhecemos crianças e um dia, fomos crianças, e sabemos que um provoca o outro mesmo. E também sabemos, que o autista, quando há uma hostilidade pode reagir assim para se defender. Portanto, não é justificável e é sim, uma atitude preconceituosa.

Outra coisa é o que se trata essa síndrome, que ao que parece, tem um nível de autismo muito mais brando. Pessoas com a síndrome enxergam o mundo de forma completamente, diferente. Não é uma doença que pode ser curada e não pode ser diferenciado, porque, muitas pessoas sentem que é um traço único nas suas vidas e na sua personalidade. E o mais importante, pessoas com a Síndrome de Asperger são inteligentes, podem ser na média ou acima da média. Essas pessoas não têm nenhuma dificuldade de aprendizado, que muitos autistas, podem ter ao decorrer da vida. Eles têm muito menos problemas com a fala, mas, porém, ainda podem ter certas dificuldades no processo de entendimento e na linguagem.

Diante desse esclarecimento todo, podemos examinar a questão muito mais minuciosamente (detalhado).  A mãe do menino, diz que sentiu satisfeita com a solução da questão, colocando o menino em muitas classes para ele não se sentir sozinho. O erro é que estão dando um “prêmio” de consolo ao seu filho, mesmo o porquê, o menino não é pessoa com deficiência mental, e na explicação da síndrome, está que o menino pode sim ser muito mais inteligente do que as outras crianças. Isso só tem um nome e se chama DISCRIMINAÇÃO.  Porque estão tratando o garoto como se fosse de uma deficiência, mas não é dessa deficiência e pior, esse menino vai crescer e se sentir a pior pessoa do mundo. Como disse no começo, o medo faz as pessoas discriminarem tirando aquilo que está ou é, diferente daquilo que estamos acostumados com a realidade. A grosso modo, quando algo difere com a realidade vigente é descoberto, se exclui todas as partes que o ser humano não se acostumou. As deficiências não são realidades comuns, como outras realidades que diferem da realidade vigente. O que aconteceria se extraterrestres tentassem contato? Será que o povo ficaria sossegado, ou ficariam em pânico?

Pessoas com autismo são pessoas que merecem respeito e dignidade.

Colégio argentino religioso expulsa criança com autismo(aqui)

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

“Olavismo Cultural”= o heavy metal emburrece?




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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Para mim, o problema dos filósofos contemporâneos, é que muitas coisas sobre os inúmeros pensamentos antigos, devem mudar para caber em seus conceitos. Como expliquei no texto anterior sobre a sentença do ejaculador do ônibus (aqui), conceito é uma representação abstrata (que podemos definir como subjetivo), de uma realidade ou da realidade. Sendo assim, não podemos, por exemplo, definir um pensamento a partir da nossa realidade, mas da realidade do pensamento da época e o porque daquele pensamento. A grosso modo, você não pode analisar Epicuro, por exemplo, a partir de métodos e morais contemporâneas a partir até mesmo, de uma moral cristianizada. É o caso do filósofo Olavo de Carvalho que analisa pensamentos da antiguidade como se fossem, pensamentos contemporâneos e aí que está o erro. As morais são conceitos e conceitos são verdades (no sentido de realidade), mas que verdades não são absolutas e podem sofrer mudança. Se o ser humano acreditou que o sol e todos os planetas giravam em torno da Terra, que era uma verdade na época, hoje se sabe que a Terra gira em torno do sol.

Só que o Olavo de Carvalho estuda tudo e sabe tudo, pois, ele estuda também, muitas outras coisas e uma delas é o heavy metal que em 2014, mais ou menos, disse emburrecer a juventude. Ora, se ele se atentar nas letras do Led Zeppelin – que ele diz ser os inventores do heavy metal sendo que há pesquisas que mostram que foi a banda Steppenwolf – ou do Black Sabbath, são letras voltadas ao que na época poderíamos chamar de contracultura – até mesmo Ozzy tem uma bíblia do século 16 na entrada da casa dele. A coisa beira a teoria conspiratória de um louco que fugiu de um hospício, ou um cara que só está pensando na sua própria fé, sendo que, achar que a música pode emburrecer uma pessoa, não há base nenhuma dentro de qualquer pesquisa. Nas palavras do notório filósofo:

A maior prova de que o heavy metal tem algum potencial emburrecedor são as analogias deslocadas e absurdas que, à menor provocação, seus cultores disparam em defesa dele, como se tocar nesse ponto ativasse algum núcleo psicótico escondido em seus cérebros.

Primeiro que não há nenhuma defesa do heavy metal, sendo uma música de contracultura, ela também questiona o cristianismo como cultura vigente. Como acontece nos países nórdicos, onde bandas cultuam a volta da cultura pagã viking – seu maior representante é a banda Bathory – o heavy metal sai da subjetividade popular ou religiosa (senso comum), para se emprenhar em uma outra visão. Na maioria dos casos, não estão questionando Deus ou sua existência, mas a subjetividade religiosa e cultural da maioria. Mas claro, que alguns fanáticos – como os olavettes – vão dizer absurdos ou atacar a pessoa e não questionar a ideia, como acredito que não é culpa do próprio estilo musical.

Uma reportagem de 2007 na BBC-Brasil, diz que fizeram uma pesquisa – feita na Universidade de Warwick, na Grã-Bretanha – coordenada pelos pesquisadores, Stuart Cadwallader e Jim Campbell, que são Academia Nacional para Jovens Talentosos e Superdotados da universidade britânica. Eles pesquisaram em torno de 1.057 pessoas entre 11 a 18 anos para realizar a pesquisa, que responderam algumas perguntas que eram sobre família, sobre comportamento na escola, em horas de lazer e até a preferência de como fazer as tarefas. E também, claro, responderam perguntas sobre sua preferência musical. O estilo mais popular é o rock seguido bem de perto, pelo pop. Porém, mais um terço dos entrevistados citou o heavy metal como gênero preferido. Esses estilos musicais também foram associados a características de personalidade dos jovens, os que diziam gostar de heavy metal, teriam uma autoestima mais baixa do que os outros. O que intrigaram os pesquisadores com essa relação, então, entrevistaram dezenove estudantes superdotados sobre a opinião deles acerca do heavy metal. 

Embora os estudantes não acreditam ser “metaleiros”, eles analisaram alguns aspectos do estilo musical. Dizem que o heavy metal pode ser usado um instrumento de catarse (Libertação de sentimentos reprimidos: libertação, purificação, purgação, purga, limpeza, depuração, expiação, ab-reação), usando as músicas normalmente, altas e agressivas para liberar suas frustrações e irritações. Embora há fãs que tenham a opinião que o estilo deve ser ouvido a todas as horas, muitos disseram (os estudantes superdotados), esse estilo por estar de mal humor. Segundo Cadwallader, talvez as pressões de serem superdotados associadas com o talento dessa característica deles, possa temporariamente, ser esquecidas a partir da música. (aqui)

O que parece? Pessoas inteligentes escutam o estilo – mesmo que não seja um estilo preferível – porque é um estilo que tira a tensão de ser o que se é. Toda a agressividade é focada dentro da música como como um alento. Sem contar que se você fizer uma simples pesquisa no Google, se vai constar que os rockeiros são mais inteligentes. Isso que o filósofo Olavo de Carvalho disse não faz sentido nenhum e nem é sério, pois em uma das suas palestras chegou a dizer que o Bolero de Ravel seria como uma “masturbação”, não há embasamento nenhum nisso. Em um outro trecho ele diz:

Em todos nós existe algo de metaleiro pelo simples fato de que vivemos numa época em que ninguém escapa de participar, de algum modo, do sentimento apocalíptico que está no ar.


Não acho que há nada de metaleiro na filosofia do Olavo, mesmo o porquê, toda a sua filosofia beira a loucura conspiratória. Nem acho que tem um “sentimento apocalíptico no ar” – sendo que o significado de apocalipse é uma obra obscura, escatológica e aterrorizante – e sim, estamos rompendo algumas coisas que não cabem mais nesse momento. A questão é muito mais complexa do que achar que o estilo de música que emburrece o ser humano, sendo que um estilo de música é um conjunto entre a melodia e a letra. Por outro lado, há sempre aquilo que achamos que nosso gosto é superior, nosso ritmo é o que melhor mostra o que tem de melhor e no bem. E no caso do filósofo, tem a parte da fé e das suas próprias crenças. 

Juiz Sérgio Moro escolheu o caminho do bem