terça-feira, 9 de janeiro de 2018

O filme “O Extraordinário” e a lição sobre o preconceito.




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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Neste sábado (7), eu e minha noiva, fomos ver o filme O Extraordinário do livro homônimo escrito por Raquel Jaramillo com o pseudônimo, R. J. Palacio.  O livro foi publicado em 14 de novembro do ano de 2012 que conta a história do menino, Auggie Pulman, que sofre de uma síndrome chamada de Treacher Collins, que causa deformação facial. Diz a história, contada pela própria escritora, que ela e o filho estavam numa fila de sorveteria, com apenas três anos de idade na ocasião, e então, o menino viu uma menina com deformidade facial e começou a chorar. Para não dar aborrecimento para a menina e sua família, Palacio se afastou com o filho dela que piorou a situação. Após ouvir uma música chamada “Wonder” de Natalie Merchant, se deu conta que esse incidente lhe mostrou algo importante e queria mostrar isso para a sociedade, assim, começou a escrever o livro que leva o mesmo nome da canção. O refrão da música é usado no prologo do livro.

Na verdade, o livro chama “Wonder” por causa da música que a escritora ouviu – que tem a ver, mais ou menos, com a história – e que quer dizer, “maravilha”. Talvez, por marketing, ou por erros que estamos acostumados nas traduções nacionais, se traduziu como “O Extraordinário”. Diferença de linguagem, não tem. Diferença de expressão, não se tem. O fato de ter mudado o nome, não fez diferença, porém, é um fato inexplicável que não houve, pelo menos para mim, nenhuma resolução sobre o fato. A questão de linguagem e fonética, não tem explicação também, porque o menino poderia muito bem ser chamado de “maravilha”, que para mim, pelo menos, soa como um preconceito da nossa própria sociedade em achar que ser chamado de maravilha, pode eventualmente, ser chamado o garoto de homossexual ou, até mesmo, ter algo a ver com a Mulher-Maravilha. Já se começa pelo próprio nome.

Quando começamos a ver o filme ou ler o livro, sempre lembramos de algum fato da nossa tenra infância. Por que? Porque a história de Auggie (ou August) tem a ver com a história de todos nós, pessoas com deficiência. As pessoas com deficiência ou má formação – que é o caso do personagem – se sentem rejeitadas pela sociedade, que não aceita, a aparência diferente. Mas o fato é um só, somos pessoas diferentes, mas, antes de tudo, somos da espécie homo sapiens. Auggie não queria provar que poderia, ele e a mãe sabia que ele podia, mas ele queria apenas, estudar e ter uma vida social. Só isso. A mãe incentivou. O pai acabou incentivando. A questão é: a normalidade como visão predominante, pode ser um obstáculo? Se deixarmos, sim, pode ser. Se não deixarmos, não, não atrapalha. Eu sempre digo que a deficiência não atrapalha a vida, só nos dará muito mais desafios. No meu livro Clube de Rodasde Aço – Tratado sobre o Capacitismo (Clube de Autores) – que foi acusado de não ser acadêmico – eu escrevi que existem muitas linguagens que vieram a colaborar com o capacitismo, uma delas, é a medicalização. O discurso aceito socialmente, é o discurso que os médicos impõem como verdade absoluta. Só, que acontece, que como todos nós, o médico é humano. Não são deuses. Não são mais evoluídos do que outros seres humanos.

O erro médico é achar que somos seres dependentes pelo resto da vida. A sociedade colocou as ciências – junto com o médico e pesquisas cientificas – como a única e irrevogável, solução para humanidade em alcançar a felicidade. Somos pessoas que temos nossas alegrias, temos nossos prazeres, temos nossas paixões, temos nossos desejos, temos nossas vontades. Existem milhões de áreas que nós, pessoas com deficiência, queremos ser aceitos. Auggie fez várias cirurgias corretivas, mas não teve nenhuma construção psicológica para enfrentar a sociedade, não houve um preparo para o enfrentamento. Sorte dele que a mãe – como foi a minha – que insistiu que ele fosse para uma escola (que foi contra o marido e pai de Auggie que ainda, queria o filho ter aula em casa), quis que ele encarasse uma sociedade doente pelo estereotipo da normalidade. Além do mais, a sociedade norte-americana – embora, a sociedade estudanense, tem muito mais estudos – tem muitos preconceitos, ainda.

Na verdade, eu acho que a nossa sociedade é demagoga, não preconceituosa, pois, em alguns momentos, é chata. Se isso tem mudado, mudou muito pouco. Tanto, que nem percebo. Não se dá lugar para pessoas com deficiência no ônibus (nem para os cadeirantes ficarem no box). Não deixam os lojistas atenderem a nós, deficientes, quando fazemos compras, como se tivessem mais prioridades. Quando estamos namorando, nos olham com cara feia. As próprias mãe de outros deficientes, te olham como se você tivesse fazendo a coisa mais errada do mundo, só por causa que o filho vai ver que ele também pode. Mas todos esses que fizeram isso, vão lá e doam quantias consideráveis para o Teleton (no livro que escrevi, contém a minha teoria da sociedade teletoniana), como faziam os nobres, dando quantias consideráveis para as casas de caridade no período medieval. Como sou um cético nesse tipo de campanha – vivi nessa entidade muitos anos para saber que ela não atende nada e só mudou o nome para ficar “bonitinha” – não acredito que seja eficaz para a inclusão de pessoas com deficiência. Além, de reforçar ao máximo, a linguagem da medicalização.

Stephen Hawking, quando foi diagnosticado com sua síndrome ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), deram a ele uma ou duas semanas, ele já está com 76 anos de idade. A medicalização não é um dado irreversível, não pode ser visto como a única solução, mas temos uma vida plena. No caso de Auggie, é apenas um garotinho que não sabia se defender, sua única defesa era o capacete que escondia o seu rosto. Os preconceitos sociais são fortes graças ao mundo que vivemos, as propagandas perfeitas, os desejos aguçados para venderem mais. Eu não acho que vender é o problema, tanto quem está vendendo, quanto o publicitário que está produzindo a propaganda, estão trabalhando para sobreviver. O problema é você criar o mundo para fazer isso, que ao meu ver, não precisaria se o ser humano não fosse condicionado. A pergunta é: o que é a realidade? Será que a realidade é uma propaganda de Margarina ou pasta de dente? Claro que não. Temos dentes amarelos. Tomamos café da manhã, muitas vezes, sozinhos. A mesa pode ser velha, nós soltamos pum, não temos o rosto liso e perfeito. São “sombras” que querem mostrar que é a realidade.

Isso é tema de vários livros de filosofia e literários, um mundo condicionado que quebra a sua realidade por causa de um que não aceitou ou saiu, desse condicionamento. Auggie não cabia na realidade das outras crianças, ele quebra essa realidade como se ele fosse um estranho, algo que quebra o paradigma da perfeição e o medo aparece. A aparência mostra uma outra realidade, uma realidade muito além do que é mostrada. Parece que isso é obvio, mas não é. A título de exemplo, eu estudava num colégio tradicional que tinha, até a década de 90, uma unidade de ensino da entidade AACD, EEPG Rodrigues Alves, que fica na Avenida Paulista (São Paulo). Foram perguntar para a coordenadora da unidade das classes especiais, se comíamos comida normal ou comida especial. Estávamos na década de 80, onde não tinha tantas informações como temos hoje. Mas, hoje em dia, estamos no século vinte e um, com o advento da internet a nossa volta, ainda, ouvimos esse tipo de pergunta e respondemos ainda, temos que sim.

Por que? Porque há ainda, uma noção que a realidade é padronizada, como se vivêssemos na caverna de Platão (veja aqui), até mesmo, a história do escritor inglês, Adous Huxley, Admirável Mundo Novo, (que vou fazer textão depois de ler meu exemplar), onde o mundo ficou todo “politicamente correto”, com ideias libertinas, padronizadas e foi baseado, logicamente, na ideia de Platão. O mundo que vemos e o mundo, que intuímos.  O mundo que vimos é o mundo que achamos ser real, mas nem sempre ele o é. O mundo que intuímos e temos como base – como se não existisse – em uma maneira de ver diferente, numa maneira mais verdadeira. O mundo que pensamos ser real, é uma realidade forjada com os valores que pensamos ser verdadeiros. Mas não são. Pessoas como o Auggie, que de alguma maneira, são diferentes da realidade vigente de anuncio de margarina, querem ter uma vida como as outras crianças. Pessoas “diferentes” são menosprezados e enfrentam vários obstáculos, não só de forma física essa diferença, mas pode ser, numa outra maneira de pensar. Na verdade, a mídia e o capitalismo – claro, não tirando suas eventuais falhas – herdaram muitas coisas de séculos atrás, coisas que separam os povos. São separados por causa da ignorância, não entenderam que somos uma espécie só. Padronizaram aparências. Separam os latinos porque não se encaixam nos padrões estudanenses. Os negros não se encaixam nos padrões dos brancos. Os asiáticos não se encaixam com os dos ocidentais e os ocidentais, não se encaixam com os asiáticos.

A padronização humana não faz sentido – mesmo se essa padronização é ancestral – porque somente características são diferentes, mas nós como espécie, como disse, é uma só. Isso também vale para a deficiência. Temos várias limitações, mas não somos de outra espécie. A questão da aparência é uma questão estética, pois, a estética é muito bem explorada dentro da nossa cultura. A questão do Auggie é uma questão estética. Quando vimos algo diferente, esteticamente, que foge da realidade que estamos acostumados, nada nessa realidade faz sentido. Por isso mesmo, somos criaturas que discriminamos, muitas vezes, porque sempre vamos procurar o nosso semelhante. O medo, nesse caso, opera como uma defesa daquilo que desconhecemos. Não convivemos e não sabemos o que vão fazer. Medo de nós, pessoas com deficiência, porque não sabem como vamos reagir ou o que somos. Parece absurdo, mas não é. Julian que estuda com Auggie, fazia vários bullyng com ele (Auggie), a todo o momento, na verdade, porque tinha medo. Isso se confirma na reunião com os pais dele e o diretor, quando a mãe disse que Julian tinha pesadelos. Se era para proteger ele, não podemos saber. Mas existe a “liçãozinha” do mestre Yoda, o medo pode gerar a raiva, a raiva pode nos levar ao lado escuro da FORÇA. O lado escuro é o fechamento de uma ideia. É não sair da caverna e não ver o mundo de verdade, diversos de seres humanos diferentes, diversas possibilidades de realidades possíveis. Nos obscurecemos sempre quando desconhecemos algo, quando ficamos isolados, estamos com medo. O medo gera a raiva daquilo que poderemos nos tornar, pode até mesmo, ser superior que nós.

Auggie mostrou ser capaz de ser bom em alguma coisa, que para mim, não há nada de errado. Julian se achava humilhado por ainda carregar o estereotipo do perfeito ser bem-sucedido, o imperfeito é o inferior, o sujeito que não é capaz. Mesmo se não quisermos, temos mais concentração (por causa do nosso costume da cadeira de rodas). Mesmo se não quisermos, temos mais atenção e isso tambem é mostrado, tanto no filme, quanto no livro, sentia a Via, irmã de Auggie. Auggie tirava notas altas. Ter sucesso é ter boa aparência, ter boa aparência, é ter perfeição. Claro que você deve ter boa aparecia, se vestir bem, ter uma aparecia, mais ou menos, agradável. Acontece, que a sociedade confunde em ter boa aparência, com a perfeição. As empresas pedem boa aparência, mas confundem, em ser perfeito. Isso não existe. Isso é padronizar uma aparência e a padronização, sem dúvida, é uma ditadura. A ditadura da perfeição.

O filme e o livro “Wonder”, é uma resposta ao mundo da perfeição. Dos comerciais de margarina. Dos programas de televisão que impõem vários padrões que a sociedade deve ser. Se Palacio escutasse a música da Pitty, Admirável Chip Novo, ela iria ver que tem também a ver. Sendo um mundo governado pela a esquerda, pela a direita, não importa. A padronização estética sempre vai ser um condicionamento humano, dominar os seus desejos, dominar os seus gostos, dominar os seus impulsos. Desde a idade média, já se faziam isso e gostaram. Outra coisa que a escritora coloca, Via encontra um namorado negro, o negro intelectual, amante de violino. Lá nos Estados Unidos, é uma acentuado esse preconceito, mais do que aqui.


Enfim, o filme não foge muito do livro que eu recomendo (não li as continuações). Só vamos mudar isso por meio da educação, mas não a escolar que constrói o ser humano social, mas a educação familiar. Mostra aos mais jovens que o Auggie, mesmo com aquela aparência, ele é um menino como os outros. Um menino que gosta de Star Wars. Um menino que não quer ser exemplo de nada, só quer ter amigos e curtir com os amigos. Desconstrói a ideia do “exemplo de superação” – que os estudanenses já superaram – que é, pelo menos aqui no Brasil, uma ideia predominante. Bom filme, bom entretenimento, boa interpretação dos atores. 

domingo, 31 de dezembro de 2017

Ainda estão lendo Gregório Devivier?






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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Não sei o porquê, mas ainda estão lendo o Gregório Devivier e ainda, gastando a massa cefálica com ele. Eu dei muita risada com alguns vídeos do canal Porta dos Fundos, mas, é só. Devivier é comediante. O texto que ele coloca Jesus como um grande militante comunista, foi uma ironia e se não foi, não me surpreende. Hoje, o pessoal acha que ser comediante é dizer qualquer asneira e fazer rir, não é bem assim. Não quero me ater ao texto do Devivier – que para mim é um grande besteirol – mas, vou dar a minha visão sobre Jesus e sua missão. Pois, eu penso além das religiões.

Jesus de Nazaré foi um espirito de auto grau de evolução que trouxe ensinamentos para o povo da região da Judeia, Galileia, e as regiões aonde ele viveu. No mesmo modo, Sidarta Gautama, o Buda, trouxe milhares de ensinamentos dentro do povo hindu para a ascensão espiritual e uma evolução muito mais efetiva. A questão, é seus ensinamentos, romperam o tempo e as fronteiras porque foram sementes plantadas para uma evolução espiritual. Tanto, que nem a aparência desses homens, sabemos como eram. Porque sua mensagem era uma mensagem universal, não tinha um teor político, não tinha um teor religioso, não tinha um teor de coisas do mundo material (você aprende com algumas leituras e ouvindo alguns mestres, que o materialismo e o espiritualismo, depende da vibração do átomo em si). Vamos fazer um exemplo, imagine um copo com água que colocamos uma pedra de gelo, a pedra de gelo está numa vibração mais tensa, por causa do resfriamento da água. Então, esse gelo faz transbordar o copo e a água derrama fora, porque há uma solides dentro do copo que não cabe o gelo e a água liquida. Lembrando sempre, que os dois são do mesmo material (gelo e a água). Mas, ao decorrer do tempo, com a temperatura da água e os átomos do gelo vibrando cada vez mais, o gelo muda de forma e se mistura com a água. Os ensinamentos espirituais são a água, os conceitos materialistas, são o gelo solidificado. Com o tempo, vão se misturando cada vez mais.

Acontece que puseram muitas coisas além do que Jesus ensinou dando uma visão europeia – até mesmo a sua imagem – assim, muitas coisas da teologia católica não fazem nenhum sentido. O que interessa nos ensinamentos se Jesus casou ou não? O que interessa nos ensinamentos de Jesus se ele foi ou não Deus? O que interessa se Jesus teve ou não filhos? Eu sempre ponho Maria Madalena (ou Magdala), como uma discípula de Jesus, porque ele queria romper algumas tradições que não faziam sentido nenhum. Se foram ou não casados, também, não faz a menor diferença. A mensagem de Jesus é uma mensagem que pode ser lida e seguida, assim como de Buda, assim como de Maomé ou de qualquer outro. A questão é entender a sua essência.

Jesus queria que as pessoas entendessem aqueles ensinamentos, afinal, o seu reino não era desse mundo. Porém, quem estava no caminho não precisava entender, mas os que não estavam, precisavam. As prostitutas e bandidos, eram as pessoas que se iludiram com as promessas materiais de riquezas. A prostituição é a venda do próprio corpo por dinheiro, o roubo é você pegar aquilo que não é seu, para satisfazer seu próprio ego. Os dois é uma questão egóica. Só que no caso da prostituta, ela sabe que só é usada, mas algumas, põem na cabeça que são desejadas. O ego tem dois níveis, o ilusório (que tem a ver com o orgulho de se colocar sem ser de verdade), e o verdadeiro (que é uma questão ontológica, ou seja, o ser enquanto ser). O ego verdadeiro é tudo aquilo que você é verdadeiramente, vamos lembrar, que Jesus diz para Pôncio Pilatos, que a verdade liberta. Mas que verdade? A verdade do ser, que se solidifica no espirito. O ego verdadeiro é o entendimento disso. Tudo que é material volta para o universo, nada é eterno enquanto coisa, mas, o ser é eterno enquanto a nossa própria essência. Claro, que se somos humanos e vivemos no mundo, ficamos a mercê da sobrevivência. Jesus não disse para sermos pobres, mas disse para nos desapegar ao ponto de brigar com o outro por causa daquela coisa. O ladrão só é ladrão por causa da ilusão que aquilo vão trazer benefício – até à custa da vida do outro. O corrupto vai roubar o dinheiro público, porque está iludido com a vaidade e de pensar que aquilo que ele roubou, lhe trará uma felicidade. A felicidade não é com bens materiais, mas, com o gosto daquilo que se faz na vida.

Eu gosto de escrever e a minha escrita pode me levar ao bem material, porém, é uma coisa que me dará prazer e, talvez, trará ajuda ao outro. Ajudar o outro não é só dar o pão, mas entender o caminho para buscar esse pão, isso nada tem a ver com classes. Isso tem a ver com autossuficiência. Isso mesmo. Você depender de outras pessoas para comer um pão não é muito bom, porque você terá que comer um pão que a pessoa lhe trará e não aquele que você gosta. Quando você tem a escolha entre ficar onde estar e melhorar aquilo que te fara uma pessoa evoluída – acordar do Matrix – você sentirá o fluxo muito melhor da sua felicidade. A questão é que a felicidade não é tomar champanhe numa piscina – isso é prazer – mas, felicidade é comer bolacha escrevendo um texto e sabendo que este texto, pode ajudar algumas pessoas, a enxergarem o que não querem enxergar. Talvez, as religiões são sombras, as religiões são parte de um condicionamento muito mais amplo que o ESTADO tem que fazer para manter o controle. Jesus, Buda, os profetas, os santos, os avatares (mandatários do Criador), os filósofos e até mesmo, aqueles que mudaram a cara da ciência, são aqueles que viram além das sombras e estão além da “caverna”.


Jesus estava dizendo que o caminho para ficar no Matrix é bem largo, é muito mais cômodo, porém, o caminho para ficar na Matrix é muito mais, estreito. Causa dor. Os “olhos” que estão acostumados com a ilusão, a escuridão do “véu de Maya”, as sombras fabricadas pelos objetos carregados pelos outros humanos (discurso do poder?), as questões moralistas irrelevantes. Jesus não está preocupado com roupas, Jesus não estava preocupado com questões intimas, ele estava preocupado com algo muito maior que isto tudo. 

sábado, 30 de dezembro de 2017

Por que professores de filosofia devem ser de esquerda?




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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Pode não parecer, mas sou formado em filosofia. Porém, mesmo acreditando no progresso e que as mudanças são necessárias para a evolução da espécie humana, não tenho nenhuma ideologia. Porque, sempre pensei e tive a convicção que um bom filósofo era aquele que via as coisas sem tomar nenhum partido, que não tivesse nenhuma religião (eu sou partidário de ter uma espiritualidade sim), para analisar todas de modo não contaminar a sua análise. O caso de ser de direita (conservador) e ser de esquerda (progressista), também faz parte da minha convicção do que eu penso. Acho que não há lado no Brasil, porque sempre houve, muito mais, interesses em jogo. Então, as oligarquias que regem o Brasil e séculos – não vou ser idiota de não vê essas oligarquias – usam as ideologias para dominar e manipular a massa, conforme os interesses do momento. Um professor de filosofia deveria – usando um pouco Kant – ter o dever moral de enxergar que a esquerda e a direita, na verdade, só é um “boot” para reprogramar o sistema.

Um sistema não pode ter dois lados, pois, é um conjunto de elementos independentes de modo para formar um TODO organizado. Vindo do grego “σύστημα” (systēma), quer dizer “combinar”, “ajustar”, “formar um conjunto”. As ideologias se combinam dentro do conjunto de tudo e do TODO, portanto, não existe uma esquerda que é contra, uma direita que é a favor, mas todos são o mesmo sistema que corrompe e levam a maioria a miséria material e a miséria espiritual. Assim, quem realmente, aprendeu filosofia, sabe muito bem, que para ser “amigo da sabedoria” devemos sempre olhar num modo transcendente das ideologias e religiões predominantes em uma cultura.

No blog Analise Agora num texto do professor de filosofia, Cicero Barros, “A MÁSCARA DA ELITE RAIVOSA CAIU E APARECEU A FACE DA CORRUPÇÃO.”, mostra o quanto é perigoso uma análise ideológica da política brasileira. Aliás, o professor Cicero já começa errado com o nome do blog, pois, dentro da filosofia se diz crítica e não analise, que tem um tom, muito mais limitado. Uma crítica é uma análise muito mais profunda dentro de um assunto e dentro dos vários assuntos que o autor, gostaria de tratar nele. Na descrição está:
 “Este blog tem como meta promover debates a partir dos principais temas alvos o homem, o conhecimento e o meio ambiente. E todos os tópicos transversais e pertinentes como educação, política, economia, lazer, saúde, cultura do Brasil e do mundo. Compartilhar e interagir com amigos nas redes sociais, as produções deste canal de comunicação. ”

Quando se diz “promover o debate”, se diz promover algo muito mais profundo do que você escrever “elite raivosa”, porque você acaba já dês do começo do texto, dando um ar que defende um lado ideológico. O que seria uma “elite raivosa”? Todos nós sabemos, que em todos os países do mundo, em todos os momentos da história humana, teve aqueles que tinham alguma coisa e aqueles que não tinham, nada. Acontece que o ressentimento do ser humano contemporâneo é que se sentiu enganado da promessa que os regimes democráticos, além de não ter colaborado com a grande promessa da igualdade entre as classes, ainda, aumentou o “abismo” que separou os mais pobres com os mais ricos. Não acredito na meritocracia, porém, não acredito em nenhum regime que tenta nivelar essa igualdade para a linha da miséria humana, após o regime stalinista. Mas, vamos ser justos com a filosofia socialista, Marx nunca disse sobre ficar pobre ou disse sobre socialismo ou comunismo, e sim, Engels. Acontece que a questão socialista não é tão simples assim, não caberia num texto só.

A elite não é raivosa pelo simples fato, que ela tem seus mecanismos de manipulação, até mesmo, acreditar que temos liberdade de escolher alguma coisa. Por outro lado, a elite nunca foi raivosa, porque teve uma escolaridade bem superior e sabe controlar seu próprio sentimento, sua própria raiva, sua frieza fazem deles exploradores. Portanto, seria muita ingenuidade acreditar que a elite poderia estar raivosa por causa de um regime populista que mais ajudou bancos e instituições financeiras e isso estará em qualquer jornal da época.

Entre muitas coisas que estão no texto, já me desanima o autor ficar dizendo chavões populares que nada tem de filosóficos. Chavões como “mídia golpista” me dão, na verdade, uma preguiça imensa em analisar esse tipo de coisa. Claro que as mídias vão ser manipuladas pelo governo, seja ele qual for, porque no Brasil as redes de televisão e rádio são por concessão, ou seja, se o governo achar por bem não liberar para tal rede de televisão, ele pode tirar ou boicotar.  Simples. A questão é que o governo petista abusou desse poder achando que suas resoluções populistas, eram coisas que não podiam ser criticadas, que o caso do mensalão, não podia ser mostrado. Muitos jornalistas foram mandados embora, com um simples telefonema. Se, realmente, a mídia conspirou contra o governo petista, não foi à toa não. Por outro lado, e muita ingenuidade política, achar que as mídias junto com o povo fazem alguma coisa, pois, na minha visão, não tem poder nenhum. Os franceses quebraram toda Paris. Os argentinos quase iniciaram uma guerra civil por causa da previdência. Os brasileiros acham que um “patinho” na frente do sindicato dos industriais – onde mesmo no mundo tem um sindicato dos industriais? – ou um pão com mortadela, bandeiras vermelhas ou piadinhas sem graça, vão realmente intimidar os políticos? Como disse, o sistema é um só, os políticos usam a massa para melhor manipular e fazerem o que querem, mas, quem fazem são eles.

Mas, é claro, que existe uma elite e essa elite ainda detém as capitanias hereditárias pelo simples fato, de ter acordo para melhor governarem. O Nordeste nunca passou a crise da seca, não se tem um plano de industrializar lá, por causa do interesse que há ainda na pobreza. Os dois governos petistas não acabaram com o coronelismo, o petismo não foi capaz de dar ao povo necessitado algo de verdade. Tirar o povo da miséria não é dar cento e alguma coisa de bolsa-família, porque você tem que estruturar a cidade, você tem de dar uma vida digna a essas pessoas. O que adianta dar dinheiro? O que adianta ter dinheiro, mas não ter infraestrutura? E não me venham com esse papo que a “direita golpista” fez a mesma coisa, porque se o petismo foi eleito com a promessa de mudança – no qual não se teve nem com as pessoas com deficiência, pois, até a fiscalização da lei de cotas das empresas foram paralisadas – então, deveriam moralmente, fazer diferente ou até melhor do que a “direita golpista”. O que fizeram melhor da “direita golpista”, foi corromper todo mundo sem distinção de ideologia política.

Essa é a vantagem de não ter nenhuma ideologia política, para poder analisar sem nenhuma prisão conceitual, sem nenhum chavão direitista e esquerdista.

Outra coisa é esse “golpe” que tanto os esquerdistas dizem, sem fundamento, que o ultimo governo petista teria sofrido. Para ter um “golpe de estado” tem que ser a força, militarmente, ataque entre outras coisas. Não foi assim. Mas se dizer que teve uma “traição”, aí eu posso até concorda, muito embora, eu concorde, que quem se aliou aos adversários políticos foi o próprio PT. Eles achavam que todo mundo iria ficar aliados a eles por toda a eternidade? Nem os deuses gregos, eram assim. A política tem a ver com o poder e o poder tem a ver com o interesse, esse mesmo interesse, tem a ver com o momento. Tudo é interligado e faz parte da restruturação do sistema. O sistema brasileiro gosta bastante de alimentar a pobreza, a ignorância e a criminalidade para o povo não cobrar do governo, isso nada tem a ver com direita e esquerda. Qual governante gosta de ser questionado? Qual governante que gosta de pessoas que sabem de muitas coisas e querem seu poder ter limitações? Toda crise é tirada dinheiro da educação, porque será? No petismo, não foi diferente.

Assim, dizer que esse governo é “ilegítimo” é forçar demais a “sardinha para sua brasa”. Primeiro, que o PT fez aliança com o PMDB para alcançar o poder, portanto, se elegeu a Dilma Rousseff, também elegeu Michel Temer. Não adianta achar que vai me convencer, que não sabiam das maquinações e as corrupções dentro do governo, porque, é impossível. Depois, sabemos muito bem, que a “direita golpista” faz isso a anos e não foram pegos, mas sabemos e quisermos mudar, pois, se quisermos algo igual, teriam elegido qualquer outro da “elite raivosa”. Essa mesma “elite raivosa”, apoiou a esquerda quando teve a sua maior chance de mudar o Brasil, tirar o povo realmente da miséria e não apenas dar um misero dinheiro a esse povo. A questão é ter uma resolução muito mais definitiva, muito mais afirmativa e muito mais responsável. Sem usar dinheiro público para pagar financiamento de campanha, sem tirar de onde não deve, para tampar rombos que eles mesmos fizeram. Sindicalismo. Você pega uma Kombi emprestada para uma outra função, depois devolve a mesma Kombi para sua função habitual. Só que o governo federal não tem uma Kombi, tem milhões de reais investidos em empresas estatais e fazer isso com esses milhões, requer uma manobra sindicalista muito maior. Ou seja, impossível.

Tem outra coisa, o vice-presidente do ex-presidente Lula é da “elite raivosa”, a mesma elite que os petistas acusam de ter dado o “golpe” a um governo que “pensava” nos pobres. Será? Será mesmo que foi a mídia que mostrou ou a população viu que nada mudou? As mudanças não vieram. As melhorias também não. O governo petista de São Paulo, foi um desastre – não apoio tudo do governo atual do prefeito eleito – porque deixou a cidade completamente, a deriva e gastando muito. O ex-prefeito queria transformar a capital paulista numa cidade europeia, impossível. Sem educação, sem preparo, sem policiamento, sem gerentes competentes, não deu certo. A socialdemocracia não funciona sem educação. A educação não é a escolaridade, a escolaridade é ética, a educação é moral. Portanto, a moral se aprende no berço, a ética se aprende fora dele.

Outra expressão do texto que o professor Cicero Barros escreveu, é a expressão “direita nazifascista” por conter fatos históricos sobre o tema. Uma pessoa que tem uma certa ignorância histórica sobre o tema, ainda podemos até entender, porque essa pessoa não teve uma educação adequada. Mas, um professor de filosofia, que sabe que por mais que esses políticos não tenham ética, estão longe de serem “nazifascistas”, é imperdoável. Eu sei que existem os defensores e até acho louvável, que alguém acredite em algo e defenda esse algo, com bastante fé. Porém, não podemos fazer uma crítica filosófica como se tivesse tendo uma conversa de bar. Impossível um sistema ter dois lados, impossível um sistema ser um TODO se é dividido em dois. Todo “ismo” tem a mesma essência.

Como disse vários autores – Huxley escreveu no prefacio do Admirável mundo novo na segunda edição em 1946 – os novos totalitarismos não são feitos por ditadores, com militarismo, com prisões, torturas e mortes, mas executivos que fazem só os que as corporações querem e desejam para o controle. O populismo é uma ditadura. Mas é uma ditadura numa maneira mais eficiência, o totalitarismo psicológico que faz com que a massa, faça o que querem os detentores do poder. Mas cuidado. Se tem o populismo de esquerda, também tem o populismo de direita, os conservadores também popularizaram o discurso esquerdista para melhor persuadir a massa a fazer o que querem. O professor de “filosofia” que escreve esse texto, esquece que não foi só a “direita raivosa” que fez a corrupção, a “esquerda santa” também corrompeu a grande maioria do poder. Houve o mensalão. Houve corrupção das empresas estatais. Houve acordo com vários governos de esquerda. Houve várias coisas que a direita já fazia, mas foi uma atitude ao extremo com a esquerda.


Portanto, a questão da corrupção do Brasil é uma questão cultural. Como disse acima, a ética é um aprendizado escolar, mas a moral é um aprendizado que se aprende no colo da mãe. Então, se joga um papel de bala na rua, você não tem moral. Se você não devolve um troco errado, você não tem moral. Se você fala mal do outro e só vê defeitos e não se coloca no lugar do outro, você não tem moral. Se nós mudarmos nossa própria atitude, as novas gerações vão aprender e aprendendo, vão agir conforme o que aprenderam. 

Deputada Maria do Rosário é roubada em Porto Alegre

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

É machismo ou um grito contra a igualdade de gostos?








Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Em grupo de Facebook, uma colega postou um meme – figuras que imitam fatos reais – que dizia: “Num mundo cheio de Anittas, sejam mais uma Kate Middleton”. Vamos esclarecer algumas coisas aqui que não estão, muito bem, esclarecidas. A Catharine Middleton é a duquesa de Cambridge e esposa do príncipe William, que é, a nobreza britânica. E a Anitta, como todos sabem, é a cantora que se diz de funk, mas faz um “frete” com o pop que as maiorias das cantoras, cantam. A questão não é musical, é comportamental. Enquanto Lady Middleton anda com roupas elegantes, aparece com os filhos sempre com sutileza, Anitta aparece com roupas bem mais provocativas. Mas a frase acima tem várias interpretações que não podem faltar.

  Mesmo que em alguns casos a frase é acusada de machismo – existe sim mulheres machistas – que tenho que descordar. O começo da frase começa com “num mundo cheio de Anittas”, como se todas quisessem ser iguais a Anitta, serem mulheres independentes, seres mulheres bonitas, serem mulheres que rompem as amarras de uma dominação masculina e encontram uma outra proposta. A questão vai muito além do machismo, vai até o medo que essas mulheres geram aos homens e eles, terem que se desdobrar para agradar as mulheres. A tempos atrás, o homem era o grande dominador e as mulheres eram “obrigadas” a aceitar isso, e quem rompia tudo isso, ou arranjava um outro igual (a diferença era mínima), ou era chamada de “puta” naturalmente, por aquelas que não tinham coragem. A questão é freudiana, porque tudo que criticamos, será sempre aquilo que não temos coragem de fazer. Aquelas mulheres e até essas que concordam com esta frase, não tem coragem de romperem com o “martírio” de um marido chato.

Outra questão “num mundo cheio de Anittas”, é a questão de todo mundo querer ser um personagem dentro da mídia. Eu quero ser “panicat”, eu quero ser igual o que está na moda. Quanto mais na nossa cultura que as pessoas tendem a fazer o que os outros fazem, tendem a fazer o que a maioria faz. O moralismo “tupiniquim” sempre tende a ficar repetindo o que os religiosos falam a séculos, porque, bem ou mal, somos herdeiros da religião católica romana. Ponto. O espiritismo é católico. O protestantismo é católico. O budismo é católico. Enfim, até o conservadorismo é católico e nada tem a ver com a essência do conservadorismo que é, sem dúvida, muito mais cético (eu diria, estoico), do que, propriamente, uma ideologia religiosa. Por outro lado, ser moralista não é ser conservador. O moralismo é uma doutrina ou um comportamento filosófico ou, até mesmo, religioso, que elege a moral como um valor universal, em detrimento a outros valores culturais. A frase sobre a Anitta e a duquesa Middleton, é muito mais moralista do que machista.

Por que? Porque a outra questão do moralismo é considerar inconsistente a moral considerada, com o sentimento moral, por se basear em preceitos (norma contém uma forma abstrata, ou seja, a descrição do fazer ou não fazer, e toma um comando em reação à conduta omissiva ou ofensa à conduta esperada), tradicionais irrefletidos (que não se reflete) ou por ignorar a particularidade e a complexidade da situação julgada. Ou seja, essa frase ignora a complexidade da questão, pois, ninguém poderia julgar ninguém por uma roupa, ou por ser apenas, ser diferente daquilo que todo mundo espera. Por outro lado, é uma questão de cultura. Em lugares tropicais, as pessoas tendem a serem muito mais propensas a serem sensuais e ponto, o resto é conversa moralista. E também existe outra coisa, a mistura que deixa o corpo da mulher brasileira muito mais definido. Então, não vejo diferenças morais entre a Lady Middleton e a Anitta, e sim, diferenças culturais. Os britânicos são mais conservadores por causa do seu clima, porém, não quer dizer que sua moral seja superior ou maior do que a nossa. Como disse em um outro texto, o conservadorismo não é uma doutrina de religiosos paranoicos e sim, uma doutrina cética que nada tem a ver com o modus operante das religiões.


Mas, porém, o verdadeiro religioso (no modo espiritual) é o cara cético que gosta do modo racional. Claro, que as pessoas creem em muitas coisas que não tem muito a ver, mas, as pessoas se enganam com suas crenças porque querem ser mais e ter razão. As coisas são muito mais complexas. As histórias são muito mais subjetivas e as verdades não são absolutas. 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O povo não é preconceituoso, é chato mesmo!


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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Uma das coisas que gosto da filosofia é o ceticismo que ela traz consigo. Desde muito jovem, nunca acreditei muito nas coisas que os outros me diziam. Claro. Eu era bem mais místico que sou hoje, porque aprendi também, que o verdadeiro místico, é aquele que tem um certo ceticismo. O religioso, o verdadeiro, tem um certo ceticismo. A questão é: devemos acreditar mesmo em tudo que nos dizem? Claro que não. Existem muitos blogs e muitos sites que dizem mentiras e muitas pessoas, que podem ser fakes (perfis falsos), manipulam a notícia e manipulam a opinião das pessoas. Falando sério, o nosso povo, é facilmente, manipulável. Nossa baixa escolaridade – não de frequência escolar, mas de qualidade escolar – permite tal coisa.

Vamos esclarecer uma coisa, o conservadorismo verdadeiro não vem de paranoia religiosa, ele vem do ceticismo e mais precisamente, o ceticismo de David Hume. Não tem nada a ver com pastor e seu pastoreio, tem a ver com as mudanças muito radicais, porque um verdadeiro conservador, tem um certo distanciamento a revoluções. Aprendi isso com o filósofo Luiz Felipe Pondé num vídeo interessante sobre o tema.  A questão é que estão confundindo um pouco as coisas e os preconceituosos – não os mesmos que os paranoicos da esquerda apontam – começam a mostrar a cara. Ser conservador requer estudo histórico, ser conservador é ter a certeza daquilo que você acredita e segue. Não ser fiscal de “c*” alheiro. Isso é gente chata. Aliás, gente chata, por exemplo, é contra o sucesso do Pabllo Vittar, não por ele ser um mal cantor e suas músicas serem uma porcaria (que de fato é), mas por ele ser “drag queen” e homossexual. É um fato e não negamos. Não se gosta da Anitta não porque suas músicas não têm nada a acrescentar na nossa vida – gosto do jeito e das atitudes dela – mas porque para ser uma mulher “direita” tem que se vestir sem decote e sem shortinho curto, ainda, ser submissa aos homens. Namoro com uma pessoa que usa decote, porém, me respeita e tem muita gente que não usa, que trai na cara dura. Caráter nada tem a ver com roupas ou religiões, tem a ver com atitudes.

Mas, também, ter atitude não é pedir intervenção militar. Não sou contra uma certa analise do fato da onda crescente da corrupção, mas, pedir que o exército faça o papel de polícia. Polícia é polícia (defende a sociedade civil) e o contingente do exército é o exército (defende as divisas do país).  Se são instituições legitimas ou coercivas, é uma outra discussão que tem a ver com a maneira que tratamos o discurso do poder como apenas um discurso. Aliás, um discurso tem que ter uma certa lógica enquanto o termo grego “logos”, como se tivéssemos que trilhar um caminho e se você desviar dele, você se perdera. A narrativa é um deles.

Daí chegamos ao ônus do problema. As pessoas que não sabem diferenciar os discursos – poderíamos analisar vários, mas esse não é o intuito do texto – acredita em qualquer narrativa que caiba dentro do seu conceito. Poderíamos dizer: “as pessoas com deficiência não podem namorar”, pelos critérios que sabemos existir dentro de uma narrativa sócio-normativa. Como ele vai sustentar a mulher? Como ele vai ter um emprego? Quem vai cuidar do casal se eles forem dois cadeirantes? Acontece que isso é um pré-conceito, ou seja, um conceito pré-estabelecido sem nenhum exame critico daquilo que se colocou como um valor. Assim, os algoritmos das redes sociais trabalham, eles trazem tudo aquilo que acham ser importante para você. Mas aí mora um outro perigo, o fechamento de uma caixa pronta sem que você monte. Ai, não foge da questão da televisão que moldava seus conceitos.  O Facebook e o Instagram – são do mesmo dono – moldam o seu conceito de status quo de sempre ser maravilhosos, sempre sermos pessoas importantes, sempre buscamos o amor enquanto, seres que quer o outro como companhia eterna.

Essa narrativa ocidental acaba sendo, chata. Temos que ser seres humanos, andantes, brancos, ricos (ou em situação média), tem que ser “gostoso”, tem que comer em tal lugar, tem que assistir tal coisa. Tudo aquilo que é popular é chato. Eu estou numa cadeira de rodas e isto não me impede de ter tirado três diplomas e escrever esse texto. Para muitas pessoas, isso não é possível pela imagem da pessoa com deficiência como uma pessoa que não pode nem, pensar. Pensar é inerente aos seres conscientes, portanto, os seres conscientes pensam e, muitas vezes, seres que nem imaginamos pensam também. O pai da computação, Allan Turing, uma vez disse que uma coisa que pensa diferente, não quer dizer que não pensa. Uma pessoa com síndrome de down pensa, ela só tem um atraso mental da idade que tem. Um autista pensa, só tem uma dificuldade de relação as pessoas. Pessoas que tem paralisia cerebral, que é meu caso, pensam e bem, só perderam alguns movimentos. A questão é complexa e merece uma reflexão melhor.


A questão é que esse povo é chato. Não são preconceituosos, são chatos mesmo. Porque querem ser aceitos por uma migalha de atenção. Só isso.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A caverna chamada “rede social”


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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Estou de “castigo” do Facebook por causa de uma música que nem fui eu que postei lá, apenas achei bonita e compartilhei. Tive que migrar para o Twitter, porém, eu analiso muito melhor a conjuntura política por lá. Embora, eu acho que essa rede social sempre me lembra muro de periferia que tem sempre um revoltado que picha algo clichê. Quem não é clichê na nação dos “maria-vai-com-as-outras”? Sim. Eu posso dizer tranquilamente “Fora, Temer” e não ser de esquerda, eu posso muito bem não apoiar o Bolsonaro e ser conservador cristão. A questão é que o povo não entendeu que não estamos num jogo de futebol que você escolhe um lado, se a economia não vai bem, você não vai bem. Se a infraestrutura não vai bem, você não vive bem. Se o país não vai bem e não colocar pessoas certas e preparadas, as questões nem conseguirão ser discutidas em redes sociais. A questão não é ter um “herói”, mesmo o porquê, ele não conseguirá governar sozinho e se você não prestar atenção no voto parlamentar, você pode até atrapalhar seu candidato à presidência.

Agora imaginem pessoas acorrentadas desde seus nascimentos e essas correntes lhe prendiam para olharem na parede, onde refletiam sombras. Ninguém sabia que aquelas sombras eram sombras de algo muito mais verdadeiro, mas, essas sombras eram a verdade para aquelas pessoas. As pessoas nasciam nas correntes, cresciam nas correntes, ficavam adultos nas correntes, ficavam velhos e morriam acorrentados. Porquê, por quem, e o que levava a isto, ninguém sabia. Aliás, ninguém sabia sequer que estavam na verdade acorrentados e as sombras são ilusões de objetos atrás da fogueira que se encontrava nos fundos dessa caverna. E assim, um desses humanos, quebra as correntes, o porquê, não se sabe e nem se foi proposital. Sabemos que essa corrente foi partida e o homem saiu dessa caverna e viu um mundo diferente, um mundo que no primeiro momento fez doer seus olhos. Mas, ao acostumar sobre a luz do Sol, ele vê um outro mundo muito mais colorido, muito mais iluminado e muito mais, real. Não são sombras de algo atrás de um fogo, mas algo materializado e único. Algo belo e que nada tinha a ver, com uma projeção.

Poderíamos cair em uma certa tentação em colocar esse mundo verdadeiro em um mundo metafisico, mas, existem realidades que não percebemos e nem vamos perceber. O ser humano não percebe o obvio. Pesquisas mostram que nosso cérebro transforma o caos em ordem, o obvio muitas vezes, é caótico por desmontar nossas crenças que aquilo é uma ilusão e não existe. A questão é: por que aquele homem não surtou com esse obvio? Porque a nova realidade era ordenada, agora imagine que aquele homem descobrisse que não era homem e que era um inseto sonhando ser um humano. Com certeza ele iria surtar ao ponto de não aceitar. Porém, ao ver essa nova realidade o homem ficou maravilhado com que viu e quis alertar os outros, porque achou que aqueles seres humanos, eram aprisionados naquela pequena realidade. Mas ele aceitou rápido, ele de alguma forma, sabia que aquelas correntes o limitavam a ver coisas limitadas e bastante, comuns. Foi daí que o homem descobriu que as crenças daqueles seres humanos, acreditando que aquilo seja realidade, na verdade, eram meras sombras que os “donos” da caverna queriam que acreditassem. Mas cuidado, talvez um apresentador de tevê também esteja vendo sombras, um comunicador esteja vendo sombras.

A informação passa pelo filtro das nossas crenças pessoais, dos valores que somos educados. Então, aquele homem passou a falar sobre essa nova realidade aqueles seres humanos, dizendo que aquelas imagens são na verdade, sombras, copias de algo verdadeiro atrás do fogo. Ninguém acreditou. Todos acharam que o homem tinha ficado maluco, porque não poderia existir outra realidade a não ser aquela realidade que viviam. Disseram barbaridades para ele, ameaçaram, riram, até que, como o homem insistiu muito, ele foi assassinato por aqueles que quis libertar. Por que? Simples. As crenças dependem muito da realidade na qual vivemos e o que nos transmitiram. As pessoas da caverna acreditavam piamente que a realidade eram aquelas sombras, aquilo era apenas projeções de algo muito mais além do que poderiam imaginar. Os valores são criados dentro da cultura que esses valores foram construídos. Então, quando vimos um Sócrates, um Buda, um Jesus ou outras pessoas que saíram dessas “correntes”, eles são desprezados enquanto vivos. Porque o que diziam não interessavam muito os que detém o poder. Os donos da caverna.

Jesus é um exemplo bem significativo. Foi desprezado durante os três anos que tentou trazer a verdadeira realidade da alma humana, mas, não desistiu da sua missão emblemática de tentar tirar as “travas” dos olhos dos homens. Teve um fim trágico. Foi condenado e um bandido foi solto. Foi açoitado até suas costelas apareceram em carne viva e ainda, como um escarnio, teve sua coroa de espinhos que o machucaram até seu crânio ficar amostra. Seu olho ficou quase pendurado. Suas pernas foram quebradas na crucificação e suas mãos, quase se dividiram e duas. Sagrando, não conseguindo respirar, cego de um olho, no meio de dois ladrões, disse ainda: “perdoai pai, eles não sabem o que fazem”.  Ainda, um judeu caçador de cristãos, após sua morte, disse ter sido chamado por ele para ser seu discípulo e escreveu cartas, essas cartas são mais lidas do que seus ensinamentos. O mesmo império que matou Jesus, depois de trezentos anos, com a desculpa de seu imperador tinha se convertido, instituiu uma “ekklesia universalis” para pregar o que diziam ser as palavras de Jesus. Mas, no meio disso, o império se desfez só sobrando sua “ekklesia” e na idade média, muitos desses ensinamentos se mesclaram com ensinamentos de interesse político, interesses de dominar povos bárbaros, de limitar a procriação humana.

Então, novos homens se levantaram da caverna e quebraram a correntes como Lutero, como Calvino entre outros, também, na filosofia. Depois de quinhentos anos as correntes voltam e as crenças voltam como eram nos tempos do império romana. Jesus, não ficava com os moralistas, nem com os que defendiam a direita ou a esquerda, mas ficava com os “pecadores” e aqueles que eram doentes, eram tristes e se vivesse hoje, ficaria com o povo LGBT e com aqueles que precisasse de consolo. Ele mesmo dizia que o reino dele não era desse mundo, pois, ele não tinha nada que o prendia aqui e não dá satisfação para sacerdote nenhum.

Assim como Platão escreveu o mito da caverna em sua obra A Republica, no livro sétimo, poderíamos dizer que ele se referia ao que aconteceu com seu mestre Sócrates. Sócrates desfez a crença das sombras mostrando que os mestres que sabiam nada sabiam, mas eles mesmo, disse isto. A frase mais famosa dele: “sei que nada sei”, nada mais é do que a demonstração da humanidade do filósofo.  Quem mostra a sua ignorância sabe que entendeu a realidade. A ignorância desfaz as crenças construídas a partir de ensinamentos daqueles que querem dominar, os donos da caverna são aqueles que projetam as sombras. O que são essas sombras? Os anúncios de tevê? São as crenças religiosas? São aquelas crenças políticas?

As sombras são muito mais do que meras propagandas de objetos inúteis, muitas vezes. Quando acreditamos que uma rede social tem uma relevância política, você está numa sombra. Quando você acha que uma discussão política e usa meme, ou usa escarnio para atacar uma pessoa e não uma ideia, você vê as sombras. Quando você acredita que um único homem, seja da direita ou da esquerda, pode melhorar um pais de tamanho continental como o nosso, você está vendo as sombras. Na verdade, as sombras são todas as crenças que não sabemos educar nossa mente em não acreditar e não é culpa sua, muitas vezes, e sim, do sistema que você está inserido. Eu, por exemplo, tenho um ceticismo bastante apurado para heróis, para informações da mídia, e para, aqueles que ficam dizendo em “teorias da conspiração”, porque, a ciência como arma de dissipar as sombras, começam a produzir elas. Não acredito na ciência cegamente, do mesmo modo que não acredito na religião. Mas atenção! Eu não disse que Deus não existe ou sou ateu, eu não acredito cegamente na religião. Do mesmo modo, não acredito mais nessa forma arcaica de fazer política, mas também, não acredito em ditaduras os “messias” do tipo D. Sebastião, o rei que até hoje é esperado em Portugal.

Eu sempre digo que o Twitter parece um muro de periferia, memes sem sentido nenhum, escritos políticos de ordem (ordem até para o exército), como se as pessoas perdessem a sanidade. A questão é que as redes sociais viraram a caverna que Platão descreve, como sombras de uma realidade muito maior. Sempre, no Natal, acreditamos em um papai Noel fabricado por uma fábrica de refrigerante – que foi acusada de usar coca na sua formula -  que hoje, sabemos não ser verdadeiro. São Nicolau andava de treino, puxado por cachorros e tinha uma roupa verde e não vermelha. Acreditamos num coelho da pascoa do tipo das fabulas dos desenhos Disney – a maior desgraça de George Lucas foi vender os direitos autorais para ela do Star Wars – porque, coelhos são animais que se reproduzem rápido e o ovo, de chocolate, é o símbolo da renovação. Mas a maioria prefere ficar nas sombras e acreditarem só no que compram, no que enxergam, no que pensam ser a felicidade. A felicidade não é ter um carro, é poder ter um carro, pois, o comprar não quer dizer se vai poder manter. A felicidade não é parecer rico no Instagram, é manter essa felicidade quando não tiver mais nada disso. A felicidade deveria ser igual Deus para o judaísmo, pois, escrevem D´us para não dizer o “nome dele” em vão, no mesmo modo, deveríamos escrever “alegrinho”. Somos, na verdade, alegrinhos.

Talvez, eu nasci com as correntes fracas porque sempre tive a necessidade de aprender e quanto mais aprendemos, sempre vamos enferrujar essas correntes. Mas se as sombras são símbolos de uma realidade ilusória, e as correntes são os conceitos que nos ensinam dentro da cultura onde foram produzidas. Ficamos presos em religiões. Ficamos presos em conceitos. Ficamos presos em ideologias. Sem questionar nada, ficamos acreditando em crenças que nada vão ajudar em nosso crescimento. A evolução universal, não tem a ver só na biologia, mas existe uma evolução muito maior dentro do que conhecemos. Você acha que todo o conhecimento acaba nessa vida? Você acha que tudo que leu, aprendeu, que viveu, que absorveu e fez, acabara no nada? Seria muito mais simplista e preguiçoso achar que acabou na hora da morte, seria, no entanto, mais cômodo acreditar no nada.


O nada é uma sombra, tem a mesma validade da questão do mistério divino, não há como acreditar cegamente. Sou cético ao ateísmo militante ou não, sou cético na questão religiosa, sou cético na questão cientifica. Minha mãe morreu de câncer e todos nós sabemos, que a onda crescente de câncer é devido aos testes nucleares do atlântico. Isso não é uma teoria da conspiração, isso é fato comprovado com as bombas de Hiroshima e Nagasaki, do acidente de Chernobyl e por mais que neguem, muitas nações fizeram sim testes nucleares.  Então, eu não acredito que as coisas são simples como explicações cientificas só para explicar uma doença que era rara, passou a ser comum no século XX.  Porque? Por que tantos esforços para explicar algo que quem tem uma leitura razoável cientifica, sabe que as explicações não têm nenhum embasamento? Por que devo acreditar em algo que é financiada pelo dono da caverna? Isso é não acreditar nas sombras. As crenças não são só religiosas, vivemos numa realidade que aprendemos ser realidade. Mas será mesmo que é a realidade?

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Lula diz que ganha de Bolsonaro


Lula diz que tem o dobro de votos dos outros candidatos (crédito:internet)


O ex-presidente Lula gosta de dizer coisas que os outros provam não ser verdade, como dizer que terá em 2018 o dobro de votos de todos os candidatos juntos. Sabemos que isso é impossível. Ele sabe que precisa da sua antiga maioridade de votos, que não terá mais por causa das investigações da Lava-Jato. Porém, na questão de ganhar do deputado federal, Jair Bolsonaro, me parece verdade, mas como sabemos, as pesquisas podem mostrar votos virtuais. Afinal, estamos ainda muito tempo das eleições, muitas águas vão rolar.


Vejam a reportagem.