terça-feira, 11 de julho de 2017

Fora da ciência não tem salvação?



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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Alguns artigos científicos estão com erros muito grandes para serem artigos científicos, pois, abre uma discussão muito maior e é claro, faz apologia algumas posições ideológicas. Antes de entrar a cerne do problema temos que entender duas coisas importantes: primeiro a etimologia do termo ciência, outra coisa é, como a ciência funciona e como ela procede. Primeiro, o termo ciência vem do latim “scientia” que quer dizer conhecimento, que por sua vez, era um termo para traduzir o termo grego “episteme”. O grego, principalmente depois de Platão, definiu ‘episteme” como o conhecimento verdadeiro, o conhecimento cientifico. Ou seja, a ciência além de ser um conhecimento, ainda deve ser o conhecimento verdadeiro num modo cientifico. Resta-nos saber o que é o verdadeiro, a essência de todas as coisas, o que é, sendo. A epistemologia estuda esse fenômeno cientifico além do fenômeno das crenças – ou deveria ser assim, já que muitos cientistas ainda acreditam cegamente – pois, tem que estar atrelado ao que é visto e comprovado dentro de experimentos que provam a sua veracidade ou, um pensamento lógico que não nos coloca dúvidas.

Segundo, todo o pensamento cientifico deve ser refutado dentro da sua veracidade ou não, ou seja, se a hipótese não pode ser refutada, ela não pode ser cientifica. O homem pisou na Lua é um pensamento cientifico que pode ser refutado, porém, se foi ou não, cabem as partes provar ou não esse fato. A questão primordial é: se devemos refutar a ciência como tal, por que os cientistas não aceitam essa refutação? Lendo um artigo do blog Universo Racionalista chamado: “A CIÊNCIA É UM BEM UNIVERSAL QUE NÃO PODE ESTAR FORA DEDISCUSSÃO”, o redator ou os redatores do texto (é uma tradução de um site paraguaio), há erros que não deveriam conter sendo pretenciosos demais. Afinal, repetindo a perguntar título do texto, fora da ciência não há salvação?

O texto começa do erro de impor um termo para sobrepujar um simbolismo: “Até o século VI da ERA COMUM, nas colônias gregas, onde, hoje, é a Turquia, alguns homens atreveram-se a conjecturar sobre a natureza das coisas, sem recorrer a mitos ou religiões”. Poderemos fazer a seguinte pergunta: qual a diferença do termo Antes de Cristo e Antes da era Comum? Para começar, não podemos negar que muitas bases éticas e morais, foram construídas graças ao advento do cristianismo. Embora, o cristianismo após Constantino I, foi usado pelo Estado romano para controlar e corromper a população e na idade média, isso piorou centenas de vezes. Cristo e cristianismo são coisas distintas – embora as pessoas comodamente, coloquem no mesmo balaio – pois, Jesus não fundou nada e não quis controlar nada, e no mais, na questão da existência ou não dele, não acho que há uma resposta definitiva. Porém, Jesus como o Cristo (do grego kristós que quer dizer ungido), é um símbolo moral e deveria ser seguido como um ser que atingiu algumas instancias morais muito além da sua época (assim, como Sócrates, Platão e Aristóteles). Então, não há o porquê de tirar Antes de Cristo como se fosse um bando de adolescente querendo contestar o pai. Outro ponto, o que seria comum? Já que estamos falando de um conhecimento, uma era comum, seria notoriamente, contraditório.

Outra coisa desse mesmo parágrafo é, qual a prova concreta que a ciência tem, que os primeiros filósofos não usaram os mitos e as religiões? Tales de Mileto, por exemplo, disse que tudo vinha da água, mas sabemos disso graças a um fragmento muito que pequeno transcrito de algum outro filósofo. Não há como saber todo o contexto que ele disse isso ou escreveu, pode ser, como Anaximandro, que todas as coisas foram formadas pelo ÁPARION (realidade infinita, iluminada, invisível e indeterminada que é a essência de todas as formas do universo). Se temos em Anaximandro, um elemento primordial a partir do qual todos os seres foram gerados e para o qual retornam após a sua dissolução, Tales sendo “filho do seu tempo”, não poderia ter o mesmo pensamento sobre a água? Na verdade – isso mostra a ignorância dos redatores do texto – Tales dizia que tudo está repleto de deuses e esses havia um só princípio (que muitos colocam como Deus). Há erros muito grave de alguns pensadores e de alguns filósofos – como o Olavo de Carvalho e outros – em querer analisar as questões de antigamente como conceitos morais contemporâneos e não tem como, pois, ao analisar um pensamento, se deve pensar dentro de uma certa anacronia. Dentro do estudo filosófico e cientifico, o anacronismo é muito importante e evita o erro.

Ainda dentro do texto: “Ele foi ainda mais longe: afirmou que a Terra não pode ser um disco que flutua sobre a água, porque algo deveria conter essa água. Na ausência de razões para mover-se em qualquer direção, a Terra deveria simplesmente flutuar equidistante de tudo, concluiu. Portanto, ela não precisa de suporte.”. Diz ainda o autor do texto: “Ele tinha inventado o princípio de razão suficiente 2.000 anos antes de Leibniz redescobri-lo.”. Espera aí, vamos entender uma coisa: segundo o autor ou os autores do texto, os primeiros pensadores não usaram de mitos ou religiões para explicar fenômenos físicos (naturais se preferirem). Por que Tales de Mileto usou da mitologia – já que a ideia que a terra era plana não era nova e nem flutuando nas águas – para explicar o porquê a Terra e o porquê o mundo existe? Tanto Tales como Anaximandro, defendem uma substancia não muito material (o ápairon [sem limites], a água [limpeza e força]), mas substancias (ousia) que fazem parte da questão psicológica. O autor esqueceu de mencionar Heráclito e Parmênides, pois, o ser enquanto ser e o devir como uma mudança continua que levara a ciência que estuda a consciência e a mente (psicologia). Ou seja, eles não estão falando de substancias primordiais, mas substancias que atendem a um processo de aparição. A água é apenas uma substancia do processo da aparição e por outro lado, ele dizer que tudo é húmido não quer dizer que ele concebeu que tudo veio da água e tudo isso é uma tentativa de investigação empírica. Não podemos saber. O que podemos presumir é a ideia, possivelmente, que pode ter origem a esse pensamento.

Se há um processo de surgimento quem começou com esse processo? Ter corpos húmidos, não quer dizer que viemos da água. Porém, nenhum cientista descobriu o porquê materiais inanimados, ácidos, minerais, se juntaram e deram forma de vida. As certezas de artigos científicos, não condizem com as pesquisas que estão em andamento, porque não há nada de concreto. Nesse sentido há um erro, pois, não era relevante procurar só uma substancia dentro da criação e vamos convir, a geração espontânea – claro que não a bíblica que tudo já nasceu formado – não está descartada, nem que tudo veio da água foi descartado. Eu desconfio de artigos que já demostram uma certa “verdade” construída.

Vamos diante do artigo e encontramos isso: “Depois de Sócrates, a busca do conhecimento incluiu os aspectos éticos da vida humana.”, isso que dá cientistas escreverem artigos de filosofia. Sócrates não desenvolveu pensamentos éticos, mas desenvolveu o modo racional de ver as coisas, e aí sim, conhecer a si próprio e avaliar a sua própria conduta ética. O “ETHOS” grego era muito mais do que a própria ética que temos hoje, não é à toa que é traduzido como caráter, porque para o mundo grego, o caráter era muito mais importante do que a polis. Seguindo a diante temos:

“Na Grécia clássica desenvolveu uma visão de mundo baseada em um método para obter conhecimento, o que resultou em ferramentas que ajudaram a transformar a realidade, da medicina à engenharia social (não é coincidência que a democracia foi instituída pela primeira vez no período grego clássico). “.

Vamos entender uma coisa, a Grécia clássica não desenvolveu nada, quem desenvolveu alguma coisa foram os filósofos e pessoas que tinham curiosidade de descobrir alguma coisa. Qualquer um que estude verdadeiramente a Grécia clássica (Hellas), sabe que não haviam uma nação em união mesmo, mas cidades-estados com a mesma cultura.  Aliás, isso é básico para escrever qualquer texto sobre os gregos (helênicos), pois, se você não souber isso, não poderá nem começar a escrever o texto sobre. Depois não havia uma medicina, e sim, pessoas que estudavam o corpo humano e de curas por plantas que já na época aconteciam. A única dúvida que tenho e sempre tive é: o que é engenharia social? A definição que encontrei no Google foi que a engenharia social é o termo utilizado para descrever um método de ataque, onde alguém fez uso da persuasão, muitas vezes, abusando da ingenuidade ou confiança para obter informações que podem ser utilizadas para ter acesso não autorizado a computadores ou informações. Isso cabe em uma Grécia clássica? Será que a democracia ateniense – porque a cultura grega clássica era monárquica e tirânica – foi por causa da tal engenharia social? Para mim, a engenharia social é a muleta do deficiente que não quer assumir sua deficiência, ou seja, sempre se bota a culpa da sua incompetência cultural e mental, em alguma coisa.

No texto, além da gafe grande de transformar a democracia ateniense em uma engenharia social – ingenuamente ou não – transforma essa procura de substancia primordial, dizendo ainda, que é uma ciência. Para mim, pessoalmente, parece que o autor do texto está “cagando um monte” para a filosofia e os reais pensadores e os “inteligentes” da época são os pesquisadores da “phisys”. Sócrates, Platão e Aristóteles foram “místicos” que tentaram dar um ar “psicológico” e que a psicologia é apenas uma pseudociência, não exagerando ou sendo irônico, até mesmo o filósofo alemão Nietzsche riria disso (mesmo escrevendo contra Sócrates e Platão). Ainda mais que o próprio filósofo, escreve uma crítica muito voraz a ciência no seu livro Gaia Ciência, onde ele prevê toda essa reverencia quase ou totalmente sagrada, da ciência empírica. Depois ele diz: “As condições para que seja socialmente possível voltar a investigar o mundo de uma forma racional só voltou no final da Idade Média, quinze séculos mais tarde.”. E a era de ouro islâmica? Ou o texto faz parte de uma conotação ideológica ocidental? Não podemos negar que muita pesquisa da ciência medica e da ciência teórica – como pesquisas matemáticas, físicas, geométricas e outras – foram feitas pelos islâmicos nesta época e por outro lado, a Europa não parou suas pesquisas. Somos influenciados pelos iluministas que exageraram da racionalização e renegaram por completo a metafisica, mas quem estuda verdadeiramente a filosofia, não pode renegar a metafisica porque não sabemos a verdadeira natureza da realidade.

Continuando o colóquio cientifico: “O renascimento da visão racional de mundo, e o aperfeiçoamento do método que, hoje, chamamos de científico voltou a aparecer na Europa – em especial, graças a pensadores e pesquisadores como Grosseteste, Bacon e Galileu. ”. Impressão minha ou o autor do texto renegou Giordano Bruno? E outra coisa, ainda muito mais importante, ele ignora os métodos científicos e ignora que sem Rene Descartes, a ciência não teria uma base para pesquisas cientificas. Isso mostra o quanto o autor estudou para escrever tal obra, porque, o mundo é muito mais do que uma linha temporal ocidental e mostra o quanto a América Latina está atrasada nas pesquisas históricas, educacionais e cientificas. Mostra também, vícios muito complexos dentro da linha de escrita de artigos como este, onde há sim uma questão ideológica que mostra o quanto estamos gatinhando nesse tipo de coisa. Num outro momento do texto ele coloca: “Estaríamos errados, no entanto, se pensássemos que a ciência tenha chegado para ficar, ou que ela não pode desaparecer. Como toda atividade humana, ela está subordinada a evolução sistêmica das sociedades nas quais vivem as pessoas que a desenvolvem. As políticas implementadas nestas sociedades têm um impacto direto na atividade científica. As políticas anticientíficas, ou que ignoram a ciência podem fazer com que ela desapareça e a sociedade retroceda. ”. Quem está fazendo campanhas anticientíficas? Acho que temos que separar as coisas, aqueles que são fanáticos religiosos que não aceitam a ciência como método de melhoramento de vida (que tem a ver com o Estado), outra coisa é a crítica de refutação dos métodos científicos dentro de uma base também cientifica. A questão é: qual base de pesquisa é cientifica ou não? Qual base devemos seguir? Sempre lembrando que não pode ser ciência se não pode ser refutado.  

Vale lembrar também que tivemos governos ateus como o governo soviético, que tiveram pesquisas cientificas e mataram pessoas no mesmo modo que os fanáticos religiosos. Mas o autor só coloca no ponto do fanatismo religioso: “Sobram exemplos recentes: Camboja nos anos 1970-1980, sob o regime de Khmer Rouge, voltou à Idade da Pedra em apenas alguns anos. Os países do Oriente Médio retornaram à Idade Média sob a febre do fundamentalismo religioso. ”. No caso do Camboja, não foi fanático religiosos e sim, fanáticos ateus ideológicos que acreditaram em um regime comunista que não faz sentido. No caso do oriente médio, sabemos que além de ser brigas milenares, ainda existem interesses muito mais além do que deixar essas nações na idade média.Aliás, essa analogia foi completamente infeliz, porque a idade média não foi de completa ignorância.

Ainda: “O populismo anticientífico ainda causa estragos nos países que apoiam fortemente a ciência e o livre pensamento, como os Estados Unidos. ”. Mas o próprio Estados Unidos não alimenta esse tipo de política para assegurar a sua hegemonia? Não acredito em teoria conspiratória, mas quem entende de política sabe que quem quer manter a hegemonia tem que causar brigas entre as nações. É o básico de Maquiavel e não pode ser ignorado. Aí ele continua: “Se as políticas falham, a ciência pode retroceder, ou mesmo desaparecer. ”. Essa parte já mostra a ideologização do texto, se não puxarmos o saco dos norte-americanos, se não somos adeptos de uma democracia sem nenhuma religião ou que não temos que fazer crítica nenhuma a ciência, para ela não desaparecer. A ciência depende do dinheiro do governo e depende da ideologia predominante, isso é fato, não podemos negar. A cura do câncer, a cura da AIDS (SIDA em português), a cura do ebola e outras doenças, não podem ser descobertas sem a indústria farmacêutica ganhar milhões, isso não dá para ser negado. As inúmeras pessoas com câncer são devido a testes nucleares que podem ter sido feitos aleatoriamente, então, acho uma perda de tempo ficar dizendo coisas obvias. Não é porque escrevo em um computador (que me custou caro, alias), que sento em uma cadeira de rodas feita com tecnologia desenvolvida com pesquisas cientificas (que custou caro também), que eu vou achar que a ciência é o caminho do esclarecimento e o bem-estar da humanidade. Não sou tão ingênuo como os iluministas. Acontece que a ciência é um instrumento, não é sagrada e nem um pouco, profana, só é um meio de descobertas importantes para a humanidade. Um texto desses só é um desserviço a ela.  
#ciência #deficiência #politica


terça-feira, 4 de julho de 2017

A complexidade de Anitta e a música dos ressentidos




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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Dias desses eu estava lendo um artigo de um site que se chamava: “MÚSICA BRASILEIRA ESTÁ CADA VEZ MAIS POBRE E BANAL; DE QUEM É A CULPA?”, e me perguntei de quem realmente é a culpa. O autor da pesquisa disse que esse fenômeno já começa nos anos 60 com a jovem guarda onde havia letras simples e também, a massificação do rap nos anos 80 que despontou a coisa de vez. Acho que houve um erro substancial nesse estudo muito importante, porque ao mesmo tempo que houve uma banalização das letras musicais nos anos 60 e nos anos 80 (daí foi indo até os anos 90 em diante), também houve um decaimento dentro da educação e não é muito difícil de ver isso. A título de exemplo, num curso de administração técnico aqui em São Paulo, a apostila (paga com o recurso público e os alunos tem que pagar de novo), não é atualizado dês de 2010 e que quer dizer que estão pouco se linchando com a educação do país. Quando se entra em crise e falta dinheiro em algum setor, sempre se tira da educação, portanto, quando achamos que essas músicas simplórias são cultura, alguma coisa temos de errado.

Claro que quando não há educação e quando não há um vocabulário amplo, não dá mesmo para ter letras muito mais elaboradas e não dará em nenhum momento, ouvi uma música histórica dos moldes de um Iron Maiden. Nem precisamos ir muito longe – nas terras inglesas para sermos mais exatos – quando a gente vê pessoas cantando músicas de Raul Seixas sem entender a sua profundidade ou até mesmo, a Pitty e o Legião Urbana. O Faustão e o Gugu Liberato, somente coloca músicas que o povo quer ouvir e sabe cantar, por exatamente, essa simplificação cultural que criou músicas e livros da cultura de massa. Isso não é um fenômeno só das periferias, mas um fenômeno da cultura como um todo. Só ver pessoas muito bem de vida, mas que ouve e participa de uma cultura empobrecida e banalizada sertaneja ou fanqueira. Daí entramos em Nietzsche quando ele diz:

“PERCORRESTES O CAMINHO QUE MEDEIA DO VERME AO HOMEM, E AINDA EM VÓS RESTA MUITO DO VERME. Noutro tempo fostes macacos, e hoje o homem é ainda mais macaco do que todos os macacos."

Quem conhece o mito de Medeia sabe que ela era uma princesa que largou tudo por causa de Jasão e ao ver seu amado querer casar com outra princesa, se sente traída e mata o próprio filho levando através dos ares com a carruagem do deus Hélio. Medeia é o caso que Nietzsche vai mostrar o que é ser ressentido, porque a traição – o que ela pensava, porque Jasão falou a ela – é um dos sintomas do ressentimento. Somos uma cultura ressentida, somos um povo que aceitamos rápido a ideia que quem é bem-sucedido nada fará para os menos. Assim, Nietzsche diz que o homem de Medeia ao verme, ainda sim, seria um verme. Um animal rastejante que ficaria no chão entre as sujeiras, os estercos, as lamas. Quando nos deparamos com pessoas que se rastejam entre a traição e o amor, poderíamos de chama-las de vermes, de seres que se conformam com a mediocridade das suas vidas vazias e pobres dentro de sentimentos abaixo de um sentimento nobre. A nobreza aqui não é uma situação de status, mas a nobreza espiritual enquanto ser que se encontra ao mundo seu lugar. Péssima expressão: “não sou ninguém na fila do pão”, expressa muito bem a cultura dos fracassados.

Mas porque uma cultura dos fracassados? Imaginamos antigamente, o Brasil sendo uma colônia e o colonizador pouco se importasse com a colônia e pouco se importava com que acontecia aqui. Nossa cultura é massificadora e socializada, porque quem colonizou junto com os bandeirantes foram os jesuítas. Sem educação. Sem nenhum recurso tecnológico muito complexo e assim, sempre se teve que adaptar e arranjar jeito em se viver aqui. Os bandeirantes ficaram os coronéis e os jesuítas ficaram aqueles que amansavam o “povo”. Sempre foi assim, a religião não é uma religação do homem a sua origem metafisica, mas é uma pacificadora popular que amansa os mais pobres para os poderosos (vulgo coronéis de Brasília), sempre dominarem. A música nada mais é do que o mesmo patamar da religião, pois, ela com suas letras de pessoas fracassadas, pessoas que nada são, que não tem nada (nem quem se ama), ensina a criança dês de cedo que ela é nada. Aí criamos uma cultura dos fracassados ressentidos, dos que dependem do governo, dependem da religião, dependem do ESTADO para ter e para sobreviverem. Felizes seriemos se a corrupção e o descaso fossem de um partido só, é generalizado, é cultural e essa cultura começa quando uma mãe com uma criança cadeirante não consegue entrar no ônibus por causa que o povo não quer dar licença. Isso não é um tipo de corrupção? Isso não é um comportamento ressentido?

Nietzsche diria que todo tipo de fuga metafisica é uma maneira de se esconder dentro de uma vida que nunca vai existir, em contrapartida, não há nenhum sentimento nobre. Daí chegamos a parte do “macaco” nietzschiano onde sabemos que são nossos primos de espécie, pois, somos hominídeos que viemos do mesmo tronco dos símios. Os chipanzés são os mais próximos de nós geneticamente, muito mais os bonobos, são na maioria das vezes, animais imitadores. Não nos parece um pouco lógico? Por que algo é popular? Sempre quando vimos uma coisa sendo popularizada e queremos ser populares, podemos não gostar, mas temos uma atitude de imitação para ser aceito. Isso, muito provavelmente, mexe com a parte primitiva do nosso cérebro que se chama a parte reptiliana. A trágica história reptiliana não acaba só na imitação, ela também acomete na parte do instinto sexual animal, na violência desmedida, na parte da emoção destrutiva animal. Portanto, o ressentido gosta de tudo aquilo que lhe faz apenas um símio qualquer, um pedaço de carne movido entre duas pernas que faz o que todo mundo faz, ouve o que todo mundo ouve, assiste o que todo mundo assiste. Então, chegamos no funk carioca onde há ostentação, há sexualidade símia, há a pior calamidade sentimental e do espirito de rebanho que já se houve dentro da história evolutiva humana. Se isso é uma cultura, estamos degenerando a raça humana em uma coisa, um animal que se reproduz e sobrevive no meio do caos do mundo. Aliás, o caos e a lama que o pai o colocou e ele gostou dessa lama. 

A complexidade não é ter letras difíceis, mas uma noção utilizada dentro da filosofia e em áreas como a epistemologia (filósofos como Anthony Wilden e Edgar Morin), na linguística, pedagogia, matemática, química e muito outras. O pensamento complexo, não é o quanto há complexidade em uma nota musical, mas o quando faz de ligação nessas propostas de pensamento. Dizer que Anitta com sua “paradinha” é mais complexo do que Legião Urbana é de se estranhar, ou não, porque também sabemos a tendenciosidade de uma cantora de sucesso. Quem sabe programação – como eu por ser técnico de informática – sabe que software são programados a dizer e a fazer o que o programador codificou dentro das linhas algorítmicas. Se escrevo esse texto, por exemplo, esse software foi programado para escrever esse texto e mostrar as letras e as especificações que devem conter o texto. Então, softwares não são muito confiáveis para mostrar complexidade em músicas. E outra coisa, uma música sintética (artificial), nunca é mais complexa do que uma música com três acordes, porque são músicas programadas. Portanto, a única complexidade que eu ponho nesse estudo é o porquê o autor enalteceu Anitta, enalteceu Chico Buarque e colocou bandas e cantores que contestam o poder e fazem o povo contestar lá para baixo? Estranho, não? Não é uma evolução musical, a música sempre teve o mesmo papel em todos esses anos de sociedade e quem sabe, começou lá na pré-história.


O paradoxo é o porquê o rock sempre tem papel importante na contestação e aqui, não passa de radicalidade, obra do demônio, onde a pobreza sempre vai aumentar por falta de uma educação. Eleger alguém que viveu na mesma margem, não é garantia de reconhecimento, porque o poder corrompe e ilude, as pessoas têm que pensar por si mesmas e o sertanejo e o funk, não são uma ferramenta para isso. Então, pensar sempre vai ser logo existir. 



sábado, 1 de julho de 2017

Geração chata: uma análise sem hipocrisia



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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Dias desses, sabe lá o porquê, eu estava lendo um artigo sobre uma moça que disse que não se sentiu representada pelo filme Mulher Maravilha. Eu achei o artigo chato e longo demais, porque me deu tedio achar que alguém se sente representado por uma semideusa amazona que só é mais uma heroína saída das revistas em quadrinhos no qual, curtimos muito. Esse papo de feminismo fascista já encheu o saco, não que não devemos assegurar os direitos das mulheres, é que toda a militância acaba sendo uma ditadura branca. Como várias pessoas falam, principalmente os filósofos que analisam as redes sociais, o problema não é você praticar tal ideologia, mas você defender essa ideologia sem ver falhas dessa ideologia. A falha das “feminazis” é confundir direitos com ódio, confundir direitos com dar supremacias que não existem. Claro, um homem não vive sem uma mulher, já a mulher, não precisa de nenhum homem para viver, simples assim. Condenar o filme todo só por causa que a protagonista tem um diálogo do órgão sexual do mocinho, é de uma chatice sem tamanho.

Acontece que estamos vivendo um período chato de polarização sistêmica, não precisa nem olhar seu Facebook. São tantos casos que eu deveria escrever um livro – talvez até vou, não sei – porque as pessoas ficaram com suas vidas vazias. Isso mesmo, o esvaziamento se deu quando o mundo criou valores para se ter as coisas e não se apegar a símbolos, só que esse significado está embrenhado dentro do ser humano porque é da nossa natureza. A publicidade usa muito isso – não precisa de imagens subliminares para vender, já que na propaganda já tem símbolos importantes e nos próprios filmes, sempre há e haverá, imagens que vão te convencer em consumir – esse simbolismo é a maneira que aquilo é mostrado para você e você reage com o desejo de ter, de ser e de se apegar aquilo ou a alguém. Os heróis gregos antigos eram esses símbolos no mesmo modo, os símbolos religiosos e ideológicos, são usados para te fazer pensar que você estando de um lado, você estará estando defendendo aquilo que é certo. Mas uma pergunta tem que ser feita primeiro: o que é certo ou errado? Qual a diferença de uma mulher e de um homem além da parte do gênero e dos entraves culturais? Qual sensação de defender uma ideologia ou sei lá mais o que você defenda?

Para dar um exemplo, ainda meu pai acredita que homens são biologicamente, o reprodutor e precisam de sexo toda hora. Claro que isso tem uma parte de verdade, mas por outro lado, a questão cultural também pesa além de fatores biológico. Somos, afinal, animais totalmente, sociais e essa sociabilidade tem a ver com a nossa cultura e a nossa consciência que existe enquanto somos humanos. Sim, a 2.500 anos atrás, Aristóteles já dizia que o homem busca, por natureza, o saber e esse saber tem a ver com o espanto. Quando nós nos espantamos? Quando nos deparamos com uma realidade que não é realidade, são apenas culturas artificiais que nada significam dentro dos valores que nos construíram. Por exemplo, eu gosto mais dos heróis verdadeiros do que o estereotipo do “bonzinho”, achava chato demais o Superman e gostava do Batman ou o Justiceiro, até mesmo, Wolverine. O Superman é o estereotipo do cara bonitão que tem que ser justo e perfeito para ser o cara que salva, que faz justiça sem ao menos, ter um pingo de raiva. Não à toa, o “homem de aço” é um extraterrestre, um alienígena que tem superpoderes graças ao nosso sol amarelo (graças ao gás hélio). Existem coisas que para mim são entediantes ao ponto de não fazer me interessar, mesmo que a maioria goste, eu não gosto.

Acontece que as pessoas gostam por questões de status quo, porque não é possível uma pessoa repetir uma música muitas vezes, sem ao menos, prestar atenção da letra. Dançar ou ter um momento de euforia, pode até ser uma bela desculpa, mas ainda sim, não é um motivo tão forte para gostar de verdade de uma música. Isso, dentro da filosofia contemporânea, se chama massificação e a massificação é construída não para pensar e sim, para vender. Nada contra, mas a partir do momento que uma pesquisa diz que a cantora Anitta é mais complexa de que Legião Urbana e Os Mutantes (claro, que vai ter textão), devemos nos preocupar com tal dado, porque quando as músicas ficam simplórias demais, a questão começa a ser preocupante no requisito educação. Educação em todos os aspectos, porque somos já criados com uma estereotipação de gênero, estereotipação de condição física, estereotipação do que devo pensar e agir dentro daquilo que a sociedade e o senso comum acha ser verdade. Mas o que é a verdade? A verdade é um objeto de ostentação?


Quer sair disso? Então comece saindo da massificação de opiniões, tenha base solida dentro do que você mesmo pensa, será o único e vai parar com toda essa chatice. 


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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Tudo aqui é diferente






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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Tudo aqui tem a “mania” de ser diferente por razões obvias, como se houvesse uma necessidade muito grande de caber no interesse de cada um. Existem conservadores que estão no terceiro casamento, existem liberais que são conservadores, existem “cristão” aproveitando muito bem as coisas mundanas daqui. Acho que devemos fazer uma reflexão sobre o caminho que o Brasil deveria fazer para não se perder no meio do caminho, pois, não vai ser assim que vamos chegar em algum lugar. Qual o problema daqui? Tem uma seria resistência a mudanças necessárias, uma seria  resistência de sair de um mundo que a “esquerda burra” pintou e acharem esse mundo lindo e justo.

Os três pilares do pensamento hoje do nosso país – Karnal, Pondé e Cortella – concordam que o problema da questão é uma falta de ética aqui de baixo. Vendo o canal do Socran, uma questão me veio, não basta só criticar a fala do Leandro Karnal e dizer que ele estava isentando os políticos e só analisar como se comportamos diante de regras básicas. Você para em vaga de pessoas com deficiência? Você faz calçadas sem degrau? Você xinga os outros no transito?  Você ultrapassa o outro veículo em lugar proibido? Isso é só uma pequena amostra o quanto aqui as regras não são muito seguidas e não é uma coisa só das pessoas “ignorantes”, mas as pessoas universitárias também não seguem as leis tributarias (no caso de empresas), não seguem as leis de cotas para pessoas com deficiência (lei 8.213/91). Ora, se uma cultura não faz o mínimo para seguir uma lei, como pode exigir um modelo ético? Porque na realidade – realidade enquanto aquilo que percebemos – o que se chama de ética é o que se tem como modelo de caráter dentro dos valores que tenhamos como base mora, que a grosso modo, levar vantagem em coisas tão pequenas não é um modo moral de exigir uma conduta ética.

A fala do Karnal foi: “não existe país honesto com uma população corrupta” que não está errado, a questão é: de onde saiu esse pensamento e de onde saiu os nossos valores? Se um povo não respeita uma vaga do estacionamento para pessoas com deficiência, como essa fala está errada? Se administradores de empresa não tem a decência de refletir que uma pessoa com deficiência tem tanto potencial como outra qualquer, que poderia não existir a lei de cotas, como essa fala está errada? Há um outro mal nesse país, não separar aquilo que é profissional (as ideias) e aquilo que se fez na vida privada. A questão passa de novo num prisma ético, porque o meu potencial profissional não é aquilo que eu posto nas redes sociais, isso só é desculpa para quem não quer contratar, não quer ler, não quer pessoas que pensem diferente ou são muito mais inteligentes do que você. Eu não vou deixar de ler Sartre, Foucault entre outros, só porque pertenceram a esquerda, assim como leio e gosto de alguns pontos de Marx ou outro pensador do mesmo “naipe”. Na verdade, essa dicotomia encheu o saco porque na verdade ninguém entendeu nada do que Marx escreveu, não entendeu nada do que Mises escreveu, porque nossa educação é falha em alguns aspectos e seus comentadores explicam já com terríveis distorções.

Assim como acho que o que levou muita “molecada” a se embrenhar a direita, é um ato rebelde, porque nunca vão ler Edmund Burke e nunca vão ter a possível capacidade de entende-lo. Assim mesmo, num ato somente de rebeldia, todos se viraram para a esquerda como se seria possível prever alguma crise do capitalismo. O capitalismo como um sistema autônomo, não passara por uma crise na questão governamental – porque o governo não só sustenta o capitalismo, mas quer dominar em todas as camadas – ele entra em crise (crise vem «lat[im] crĭsis, is, "momento de decisão, de mudança súbita, crise (us[ado] esp[ecialmente] ac[e]p[ção] med[icina])", do gr[ego] krísis,eōs, "ação ou faculdade de distinguir, decisão", p[or] ext[ensão], "momento decisivo, difícil", der[ivação] do v[erbo] gr[ego] krínō, "separar, decidir [via Google]), assim que seus elementos básicos se acabara, ou por grandes corporações. Se for o caminho das grandes corporações será um grande feudalismo capitalista, se for o caminho da escassez de recurso, então, voltaremos ao neolítico. Porque se o capitalismo acabar amanhã, o mundo voltara certamente, para a pré-história e outra, o capitalismo não é uma questão ética, é uma questão moral, ou seja, a questão do capitalismo em sua essência, tem muito mais a ver com os costumes. Ele como um sistema autônomo tem a capacidade de funcionar conforme a cultura onde é inserido, assim como o socialismo. A única diferença é que o socialismo é o pleno poder do ESTADO dentro do sistema social, como se fosse possível achar, que se poderia educar seres humanos a não querer coisas melhores e de boa qualidade.

Então, a questão não é o capitalismo como sistema, mas o capitalismo como moral. Por que não precisaram, por exemplo, criarem leis para incentivar a contratação de pessoas com deficiência em outros países? Por que em outros países não se precisa nem pegar o troco? Certamente, você vai dizer que é educação de cada povo, mas nesse ponto podemos fazer uma outra reflexão, muito mais analítica. Existe a educação que são os valores que são passados pelos pais, existe a escolaridade que é passado na escola, colegial e universidade. A ética é passada na educação familiar, a moral é passada na escolaridade. Isso é distorcido por motivos óbvios, porém, muitos especialistas iriam concordar que se você para em uma vaga de uma pessoa com deficiência é um motivo ético, porque certamente foi criado dentro do preconceito que as pessoas com deficiência são “nada”. Por que? Porque a família não deixou conviver com pessoas com deficiência, não deixou conviver com negros, não deixou conviver com as diferenças para não traumatizar as “crianças”. Quando as “diferenças” se embrenham nas escolas, eles acham que não pode – vivi isso e eu sei – porque o seu “rebento” não pode conviver com as pessoas “diferentes”. Para esse indivíduo não existe respeito porque essas pessoas não existem, são “coisas”. Então, tratam como objetos.

Por isso brinquei no meu Facebook, pois, nos países protestantes surgiram “motorheads”, e nos países católicos apareceram os “weleys safadões”, porque a religião predominante tem éticas diferentes herdadas. A ética protestante, na sua essência histórica, é totalmente germânica e é só ver as histórias dos saxões, viking s e outros povos germânicos, que tinham uma ética e moral diferente da ética católica romana. O catolicismo herdou totalmente a ética romana e todas as suas nuances, a corrupção institucionada é romana e não anglo-saxônica, porque as leis anglo-saxônicas devem ser respeitadas a todo custo. Reis feudais ingleses só eram reis antiéticos até o catolicismo ser banido da Inglaterra, isso já começa com a rainha Elisabeth I que fez que todas as leis sejam respeitadas, assim, prosperando e botando a Inglaterra no primeiro mundo. Livro e estudos sérios, dizem que os vikings já aceitavam divórcio, já aceitavam uma lei dura da violência contra a mulher (as vezes, eram contraditórios porque eles estupravam as escravas), mas na essência, a cultura germânica aceitou muito mais fácil a cultura protestante. E indo muito além, aqui se mesclou o catolicismo com o protestantismo, assim, como se mesclou o espiritismo com o catolicismo que se mesclou dentro de uma cultura de cultuar santos. Assim, se criou um protestantismo brasileiro. Incrível que a essência daquilo se perde na nossa cultura. A objetivação é um fenômeno moral e não um fenômeno sistêmico (do sistema).


Será mesmo que Karnal está errado?




sábado, 17 de junho de 2017

A verdade da lei de cotas para pessoas com deficiência sem hipocrisia.





Pessoas com deficiência ainda enfrentam dificuldades no mercado




Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Vamos ser sinceros aqui, você já viu um publicitário bem-sucedido aparecer em uma cadeira de rodas? Você já viu alguma instituição de pessoas com deficiência cumprir a lei de cotas de 1991, que determina de 2% a 5% de pessoas com deficiência, cumprirem essa lei? Se você não viu, eu também nunca vi. Numa reportagem que saiu no O Globo e que está no blog da consultoria de emprego para pessoas com deficiência I.Social, que faz a muito tempo, um trabalho dentro da área de emprego para PCDs, que tem o nome “MESMO COM A LEI DE COTAS,PESSOAS COM DEFICIÊNCIA AINDA ENFRENTAM DIFICULDADES NO MERCADO” que achei superinteressante. Destaquei alguns pontos da reportagem e vou respondendo e pondo meu ponto de vista sem hipocrisia.

Os resultados mostraram que, apesar do conhecimento da lei, a falta de interesse ainda é um forte obstáculo: 86% das companhias pesquisadas contratam somente para cumprir a cota. O levantamento apurou ainda que, em relação à qualidade das vagas, os entrevistados consideram a maioria das oportunidades regulares (60%) ou ruins (16%).

Há uma pergunta que eu tenho uma necessidade de fazer: a canalhice virou falta de interesse ou o jornalista quis ser educadinho? Sim, porque se você sabe que existem pessoas com deficiência qualificadas e a lei e não tem interesse de aproveitar essa parcela de mão de obra, desculpe os CEOs, mas ou é canalhice ou é burrice mesmo. Se existem 86% de empresas que contratam pessoas com deficiência só para cumprir tabela governamental, alguma coisa tem de errado. Em algum lugar da reportagem estar a questão educacional – talvez eu comente pra frente – mas não estamos lhe dando com pessoas sem estudo e sim, pessoas que tem curso superior administrativo ou de RH, temos que parar de querer passar a mão na cabeça de pessoas que deveriam entender e parar de ficar ligando para o senso comum. Essas pessoas já não deveriam, de uma forma ética, ou seja, de caráter, estar ligado com o preconceito e a discriminação do senso comum.

Todo curso de administração, do top ao mais vagabundo, sabe que em uma organização todas as pessoas têm um objetivo comum, dos sócios até os empregados, o objetivo é fazer a empresa crescer e ter muitos clientes. Como fazer isso? Bom, os sócios e diretores tem que garantir boas condições de trabalho para o funcionário, pois, sem essas condições não é possível levar adiante a empresa e tenha um contato direto com o cliente. Assim, ao mesmo tempo, todos que lá trabalham, precisam ter o comprometimento com a empresa, que é importante tanto para os sócios, como para os funcionários. Para as pessoas com deficiência não é diferente, porque além de dar condições para essas pessoas trabalharem, tem que haver serias mudanças no prédio onde é a empresa. Como tudo no Brasil, o empresário só quer o resultado, ele não quer arriscar no investimento. Só prestar atenção nos serviços, nos produtos, a oferta, ele quer tirar o lucro logo de cara e ai que pega; sem investimento, só há um lucro momentâneo e além do lucro, há a imagem da empresa.

Daí chegamos aonde queremos chegar: a imagem da empresa. Numa visão pouco hipócrita, tentamos imaginar uma empresa que contrata pessoas com deficiência e a sociedade começa a achar que essa empresa é um fracasso: “por que como pessoas podem trabalhar se nem ao menos andam? ”. Claro que a sociedade nem vai saber que o produto foi feito por uma pessoa com deficiência ou não, mas é essa a visão de um diretor chefe de empresas que querem pessoas bonitas e interessantes trabalhando lá. Isso que acontece com empresas de mídia, empresas como agências de publicidade, não devem ter pessoas desassociadas a perfeição. Qual é a soluções?

Se a lei de cotas é um marco inquestionável dentro desta discussão, Haber destaca que o texto ainda funciona melhor para um grupo seleto de pessoas.
— É muito comum as empresas buscarem trabalhadores com deficiências consideradas mais leves, que não impliquem em grandes modificações de infraestrutura — observa ele.

Ou seja, a solução de não investir em prédios acessíveis é contratar pessoas com deficiência com deficiência leve e não dará o menor trabalho. Qual Mcdonald vai contratar um cadeirante para, pelo menos, ficar no caixa? Qual loja vai contratar uma pessoa cadeirante para ser vendedor? Eu digo cadeirante, porque a minha realidade é ser ou não cadeirante. Porque só há uma exigência para as empresas obedecerem a essa lei: um deficiente que fala bem, se locomove bem, tenha boa aparência e seja uma pessoa com uma certa experiência. A pergunta inevitável é: em que mundo esses empresários ou CEOs estão, em achar que existem pessoas com deficiência desse porte? Acho engraçado a FIESP botar um “pato” gigante dizendo não querer pagar o pato – e não pagou mesmo, porque roubou do artista lá – e querer ética na política, se não cumprem uma lei tão simples como esta.  Ainda pior, disfarça contratando pessoas que quase não tem deficiência, mas são considerados como pessoas com deficiência e a não especificação da porcentagem de cada deficiência, colabora com isso.

O grupo de profissionais com deficiência intelectual é um dos mais negligenciados. O Instituto Mano Down tem entre as atividades a inserção de pessoas com síndrome de Down no mercado de trabalho e esbarra cotidianamente neste bloqueio. Como relata o presidente da entidade, Leonardo Gontijo, o preconceito é escancarado nas solicitações de algumas companhias.
— Já nos procuraram pedindo um profissional para constar no quadro de funcionários em função do cumprimento da lei, mas que não precisaria ir trabalhar. E houve solicitações em que eram requisitadas pessoas com um “grau menor” de síndrome de Down, uma classificação que simplesmente não existe — conta ele.

Sinceramente, eu não vejo que uma deficiência seja mais negligenciada do que a outra, mas com certeza algumas mesmo mostrando que não deixam a dever a dedicação, as pessoas ainda são discriminadas. Com certeza a síndrome de down e o autismo é muito discriminado, assim como as pessoas cadeirantes que não conseguem serem contratados. Isso, as empresas são bem democráticas. Isso passa pelo sistema ético e o sistema moral de uma cultura, lá fora as pessoas com deficiência tem uma vida quase normal, quase que não existem barreiras. Porque é respeito pelas leis e o respeito pelo ser humano. Mais uma vez, é muito fácil as pessoas pedirem ética e quando pedem para cumprir uma lei, fazem isso. Então, ninguém pode falar de ninguém.

— O número de pessoas com deficiência na universidade aumentou 500% entre 2004 e 2014. Isso já é uma resposta às demandas das empresas. Mas as organizações também precisam entender que nem sempre a pessoa está 100% pronta e podem se flexibilizar neste aspecto — salienta ela.

A consultora Tabata Contri tem um discurso diferente da atriz Tabata Contri, porque ela viu que eu falava era verdade, porque ela sempre criticou meus textos e chamava de  “pessimistas”. Não. Eu estava alertando exatamente com dados que eu mesmo via e não era “palpite”, ainda hoje as pessoas não contratam as pessoas com deficiência porque não querem. 500% é mais que a demanda que precisava para cumprir a meta. Eu desafio a Tabata e a dona do I.Social a me mostrar um publicitário com alguma deficiência, levantar dados de instituições e órgãos públicos que contratam pessoas com deficiência. Porque a lógica é clara, se nem as instituições de reabilitação e nem órgãos estatais cumprem a lei, muito menos empresas particulares vão cumprir a lei. Afinal, por que iriam? Isso passa por situações éticas muito serias, pois, isso não é uma campanha como não fumar ou não beber antes de dirigir, a lei de cotas é uma lei, não é um pedido e nem uma meta, é uma LEI e as mesmas pessoas que me criticaram viram que eu tenho razão.


A definição de LEI é bem clara, porque segundo a Wikipédia, lei vem do latim ligare que significa “aquilo que liga” ou ligere que significa “aquilo que se lê” e é um conjunto de normas recolhidas e escritas, baseadas na experiência das relações humanas, que servem para ligar os fatos ou os acontecimentos ao direito, em ordem a paz social. Ou seja, perante um determinado fato, a norma adequada e diretamente ligada a ele, mostra a quem deve ser atribuída a legitimidade ou razão, e assim, desfazendo o equívoco. Qual o equívoco nesse caso? As empresas não estavam contratando essas pessoas por razões diversas e já em 91, o Brasil estava atrasado nesse aspecto. A questão sempre passa pelo crivo da acessibilidade, seja em matéria do que se entende como acessibilidade do prédio, seja em matéria da acessibilidade do próprio trajeto.



segunda-feira, 12 de junho de 2017

Filia e Eros – amor sem hipocrisia.




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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Por muito tempo eu venho pensado sobre o amor entre dois indivíduos e cheguei a uma conclusão, o amor é muito mais complexo do que a nossa linguagem pode explicar. Para explicar o amor precisaríamos de uma metalinguagem, uma linguagem muito além do que temos, porque o amor não é só sexo e também não é só amizade, o amor é as duas coisas em uma só. Mas é muito mais do que isso, só que não temos termos para abarcar isso. Então, podemos explicar o amor em linguagem simples e dizendo que amor é a vida, é o tesão do outro enquanto ser que atrai, mas ao mesmo tempo, o amor é a amizade enquanto ser que convive. Se você só tem tesão, não só é uma coisa animalesca, como é uma coisa que não vai completar o amor. Se você só ter a amizade, então, o amor fica meio sem sentido e os dois são apenas amigos. Os gregos tinham três tipos de amor: FILIA é o amor amizade, EROS é o amor sexual e o AGAPÉ que é o amor desinteressado que o cristianismo colocou como caridade.

No caso do meu texto aqui, acho que AGAPÉ é um amor muito sublime só amado por espíritos muito superiores e que não tem egoísmo. Então, como simples mortais em encontro de uma consciência plena, vamos usar FILIA e EROS como referência nesse debate (sempre acho que dentro da filosofia, temos sempre debates). Se o amor é o tesão e a amizade enquanto uno, então, por que as pessoas não têm paciência, às vezes, com o outro? Por que existem pessoas que exigem do outro o que ele não é? Ora, isso é o que chamamos de amor idealizado, o amor que busca aquilo que não é a essência do outro, mas apenas a idealização do outro enquanto a fantasia que você faz dentro da sua mente graças a inúmeros fatores que você fez essa imagem. A imagem egoísta sempre é a imagem de uma pessoa que não ama, ela quer o ideal e mais cômodo para ela, o mais cômodo é o mais sensato apenas para a pessoa. A essas pessoas eu tenho uma coisa a dizer: o universo nem está aí com vocês, você para o universo não é nada e apenas faz o que você tem que aceitar, você não é a “bolacha mais gostosa do pacote” diante da vida. Não haverá o ser perfeito a ninguém, isso é jogo de publicidade e a publicidade usa aquilo que desejamos e o amor não é só aquilo que desejamos, mas aquilo que desejamos e queremos por vontade.

Por que esteticamente, temos amor  por quem não é perfeito? Porque sempre nos ligamos aquilo que nos atrai e não aquilo que idealizamos, por exemplo, você pode ter a mais linda namorada do mundo, a melhor esposa, toda gostosa, ter um esposo todo bombadão e tal; você só está tendo o EROS que é o tesão, só com o tesão você terminara rápido o relacionamento, porque não há conversa. No mesmo modo, um relacionamento só com a FILIA é um relacionamento que não terá o momento a dois dentro do afeto, só terá o instinto reprodutivo. O que diferencia do homem dos outros animais? A consciência. O raciocínio animal é instintivo, o cachorro quando a cadela está no cio, obedece ao caminho de feromônios para a copula. Acho errado achar que o amor tem um feromônio, porque o ser humano evoluiu graças a consciência, graças ao conhecimento da sua própria realidade. Além de outros fatores metafísicos como a alma e o espirito, que nos animais habita bruta e ignorante, mas no homem, essa mesma alma tem a consciência necessária para se perceber e perceber toda a realidade.  O sentimento e a racionalidade são a verdadeira essência do homem, porque a racionalidade e o sentimento são a consciência, porque com a racionalidade eu penso para ter certeza que eu existo, o meu cogito vai dar significado a minha existência. Sem a racionalidade, não somos e se EU SOU é graças ao cogito que é o EGO verdadeiro. Os sentimentos são aquilo que significa como significante, porque se com a racionalidade EU SOU, com o sentimento dou o significado ao outro como SER que é. Trocando em miúdos, o sentimento são símbolos inconscientes daquilo que a alma fara simbolicamente, como significado. Ou seja, o EGO é a priori do inconsciente, porque o significado sempre terá que ter o significante. O significado é aquilo que significa, o EU SOU, o significante é aquilo que seria para nós o EU ESTOU.


Ora, o que atrai é o simbolismo do tesão do instinto, a racionalidade humana, na maioria, é instintiva. A racionalidade é aquilo que EU SOU, o EGO que tem que ser saciado com o prazer de se sentir o gozo daquilo que só se satisfará por mim mesmo. O EU ESTOU, é aquilo que reconhecera o outro como o simbolismo daquilo que o ser, o ser é absoluto, logo, o gostar é se sentir atraído e ver o outro como um ser que te completa. O intuito é aquilo que atrai, o sentimento é aquilo que expande e dar significado aquilo que atrai. Se amo minha noiva, por exemplo, é aquilo que atrai e aquilo que sinto, porque o que atrai é o significado, aquilo que sinto é o significante. Não é à toa, que o filósofo Pascal disse que o coração tem razões que a própria razão desconhece, porque o coração é o que sentimos e que nos é significante. Há um erro enorme em colocar à vontade na razão, porque a vontade é o sentir que podemos e não podemos estar, o objetivo que nos leva ao objeto ou ao ser que nos é importante. O amor é o fogo (logos) que arde (mudança) sem ser ver (sentir), como diria Camões.  Na verdade, o poema de Camões no leva a tudo isso que falamos – mesmo que esse poema seria para uma dama meretriz (para sermos educadinhos) – porque fala da razão e ao mesmo tempo, fala do sentir e trazer o amor sempre ao nosso próprio favor. 




domingo, 11 de junho de 2017

A ética e o dever – Pressupostos errados do supremo




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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

A ética é a parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social. Assim é o que está no Google e mostra como não sabemos o que é um ato ético, porque se um ato ético é refletir sobre a realidade social (com todos os seus valores), como o ministro Gilmar Mendes disse que a justiça não pode ser as das ruas? Então, há o pressuposto que atos éticos devem atender pressupostos do ESTADO? A lógica é clara dentro do ESTADO, nenhum governo fara leis e determinações que não atendam ao próprio ESTADO. A utopia do ESTADO de direito é ainda achar que o mesmo vai fazer determinações que são contra ele mesmo. Eu não acredito em NENHUMA forma de governo, seja militar, seja democrático e muito menos, socialista. A interferência do ESTADO é desastrosa para o ser humano que deve ou deveria ter autonomia para si.

O dever veio do latim “devere” e significa a obrigação moral e determinada, expressa em uma regra de ação (escolha de um ato). Seria o princípio da ação que se apoia a razão e muitas vezes, usados como sinônimos as duas palavras “dever” e “obrigação”.  Esses dois termos podem ser empregados com significados diferentes: enquanto obrigação designaria a necessidade moral que vincula o sujeito a proceder em determinado modo. O dever significaria esse procedimento a que ele está obrigado. Ora, obrigação seria o aspecto formal e subjetivo e o dever o material e objetivo da mesma realidade global. Ainda segundo os estoicos, o dever na sua origem pertencia a uma ética fundada na norma do “viver segundo a natureza”, ou seja, conforma-se à ordem racional do todo. Eles não estavam se referindo a felicidade, nem ao se conformar à ordem racional do todo. Isso já era o suficiente para pautar o comportamento de cada ser humano. Não se referiam à felicidade ao prazer ou à conquista de virtude; simplesmente alimentava a crença que, havendo uma lei natural, a conduta humana nela seria alicerçada. Sócrates, Platão e Aristóteles, filósofo gregos da Grécia clássica, deram outro verniz ao dever; embora aceitassem a conformação com a ordem racional do TODO, procurarem relacioná-lo com a felicidade e a pratica das virtudes.  Colocavam a busca da felicidade (eudaimonia) no centro da vida moral. Para eles, o homem feliz é aquele cujo divino (daimon) é virtuoso.   Esta foi a concepção que permaneceu ao longo da história.

Normalmente, o dever dentro direito e o dever frisado por Immanuel Kant (1724-1804), onde ele faz uma distinção bastante significativa entre o que seria moral e o que seria legal (lei). Para Kant, quando agirmos moralmente não dependemos somente de uma conformidade com a lei, mas agirmos com uma intencionalidade. Assim, agir moralmente, significa agir de acordo com que a lei moral possa determinar imediatamente com a vontade. Essa determinação ocorre mediante com o sentimento, a ação poderá ser legal, mas nunca moral. Kant chega a dizer que é necessário agir mediante o “espirito da lei”, e não apenas com o que está escrito. Porque, toda a ação inclinada ao que é sensível, tem como base um sentimento. Ou seja, Kant diz que a vontade se submete a lei pela consciência que temos dessa lei e pelo sentimento de respeito a ela atribuímos. Assim, a relação com a lei se dará, portanto, numa atitude de respeito, e o respeito constitui em sentimento moral. O próprio Kant diz:

“E assim, o respeito pela lei não é o móbil da moralidade, mas é a própria moralidade subjectivamente considerada como móbil, ao passo que a razão pura prática, ao recusar, na oposição ao amor de si, todas as suas pretensões, confere autoridade à lei, que é a única a ter agora influência”.

Kant quer dizer que o respeito pela lei não é devido a causa da moralidade, ou melhor, da origem da moral (costumes). Mas esse respeito tem que ser a própria causa da moral subjetiva, não pode atender a interesses ao amor de si mesmo, você tem, como autoridade da lei, ser influenciado somente pela lei. Será que esqueceram Kant? Será que ao julgar crimes provados não ouve interesses por trás disso? Ainda Kant dizia que o homem era o único digno de respeito, no entanto esse respeito não decorria de sua posição social, bravura ou poder, mas do seu caráter. Assim, diante de um chefe poderoso, se pode ter medo, se espantar ou até admirar se ajoelhando, mas nunca seu espirito deve fazer isso. Porém, diante de um homem de condição humilde, mas de caráter moral digno, pode até ignora-lo ou se sentir superior a ele, mas poderemos negar a ele o respeito. Para o filósofo a lei moral:  “sem nos prometer ou ameaçar algo com certeza, exige de nós um respeito desinteressado”.

Você mostra para um homem de direito isso e ele começa a dizer que Kant era um idealista como a maioria acha, porém, quando você olha a nossa cultura com bastante cuidado, vai achar coisas que são contrarias a essas leis morais. Quando você escreve, você tem que escrever sempre agradando o povo, quando você aparece em público sempre você tem que puxar o saco de alguém ou dizer algo que agrade a maioria. Venho dizendo isso a muito tempo, que juízes, políticos ou gestores públicos não vieram de Marte, tiveram a mesma educação do que a nossa. O que diferenciou nesse processo? O caráter. Ética tem o significado de caráter, caráter que se dará junto com a moral, ou seja, a nossa moral deveria ser sempre um dever dentro das decisões judiciais. Ainda citando Kant temos:

“Dever! Nome grande e sublime, que nada em ti incluis de deleitável, trazendo em si a adulação, mas exiges a submissão; no entanto, nada ameaças que excite no ânimo uma aversão natural e cause temor, mas, para mover à vontade, propões simplesmente uma lei que por si mesma encontra acesso na alma e obtém para si, ainda que contra a vontade, veneração (embora nem sempre obediência) lei perante a qual emudecem todas as inclinações, se bem que secretamente contra ela atuem (...)”

Se eu não devo, para agir dentro de uma moral irrestrita, me deixar levar a nenhum interesse, e porque devo agir somente pelo dever. O que temos como conceito de dever exige a conformidade com a lei objetivamente, ou seja, não o que ela representa a mim, mas o que ela é no seu objetivo claro dentro da regra. Assim, na máxima desta mesma ação (dentro do ato da lei), exige o respeito como o único modo de determinação da vontade por ela (a vontade) mesma. Acima estará sempre o céu estrelado, diria Kant, mas dentro de mim sempre estará a lei moral que rege todo o meu juízo. Para sabemos se as nossas ações são ou não ações morais, é necessário que indagamos a intenção dessa ação. Assim, a ação moral estará na intenção e não no resultado, porque a intenção é sempre o elemento que usamos para determinar nossa ação. Se determinamos objetivamente é moral, se determinamos subjetivamente, respeitando a lei, é legal. Aquilo que é legal é conforme a lei, mas não tem sua determinação nela, ilegal é o que está contrário a lei, assim ferindo ela (a lei) em sua natureza. A moral sempre é aquilo que é feito por dever, sempre determinado exclusivamente pela lei objetiva da razão, valido universalmente. Algo amoral é o que independente de uma determinação não fere a lei moral, mas é constituído sempre como uma pratica de costume de uma cultura como complementar uma pessoa, por exemplo. E a imoralidade é o que cai de encontro a lei moral e fere o princípio da moral, e assim, jamais poderá ser universalizado sem que continua, de imediato, uma contradição lógica.


Facilitando para entender: a moral é aquilo que é feito dentro do dever, mas nem sempre, podemos determinar dentro da objetividade da própria lei, ou seja, o objetivo que ela deve ter. amoral é sempre aquilo que está acima daquilo que é moral e não fere a lei em sua moralidade, mas é constituído dentro da educação de cada povo e seus costumes. E a imoralidade é o que cai dentro da lei e fere a moralidade e não será universalizado, porque contraria a lógica  da própria moral. Se um jurista segue a lei moral enquanto a natureza da lei, ele está seguindo a lei da moralidade e da justiça, mas quando ele, mesmo com provas cabíveis, não segue essa lei moral, ele em influência ao que ele acha. Ou seja, ao interesse que lhe cabe e não a natureza dessa própria lei moral.