quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A caverna chamada “rede social”


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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Estou de “castigo” do Facebook por causa de uma música que nem fui eu que postei lá, apenas achei bonita e compartilhei. Tive que migrar para o Twitter, porém, eu analiso muito melhor a conjuntura política por lá. Embora, eu acho que essa rede social sempre me lembra muro de periferia que tem sempre um revoltado que picha algo clichê. Quem não é clichê na nação dos “maria-vai-com-as-outras”? Sim. Eu posso dizer tranquilamente “Fora, Temer” e não ser de esquerda, eu posso muito bem não apoiar o Bolsonaro e ser conservador cristão. A questão é que o povo não entendeu que não estamos num jogo de futebol que você escolhe um lado, se a economia não vai bem, você não vai bem. Se a infraestrutura não vai bem, você não vive bem. Se o país não vai bem e não colocar pessoas certas e preparadas, as questões nem conseguirão ser discutidas em redes sociais. A questão não é ter um “herói”, mesmo o porquê, ele não conseguirá governar sozinho e se você não prestar atenção no voto parlamentar, você pode até atrapalhar seu candidato à presidência.

Agora imaginem pessoas acorrentadas desde seus nascimentos e essas correntes lhe prendiam para olharem na parede, onde refletiam sombras. Ninguém sabia que aquelas sombras eram sombras de algo muito mais verdadeiro, mas, essas sombras eram a verdade para aquelas pessoas. As pessoas nasciam nas correntes, cresciam nas correntes, ficavam adultos nas correntes, ficavam velhos e morriam acorrentados. Porquê, por quem, e o que levava a isto, ninguém sabia. Aliás, ninguém sabia sequer que estavam na verdade acorrentados e as sombras são ilusões de objetos atrás da fogueira que se encontrava nos fundos dessa caverna. E assim, um desses humanos, quebra as correntes, o porquê, não se sabe e nem se foi proposital. Sabemos que essa corrente foi partida e o homem saiu dessa caverna e viu um mundo diferente, um mundo que no primeiro momento fez doer seus olhos. Mas, ao acostumar sobre a luz do Sol, ele vê um outro mundo muito mais colorido, muito mais iluminado e muito mais, real. Não são sombras de algo atrás de um fogo, mas algo materializado e único. Algo belo e que nada tinha a ver, com uma projeção.

Poderíamos cair em uma certa tentação em colocar esse mundo verdadeiro em um mundo metafisico, mas, existem realidades que não percebemos e nem vamos perceber. O ser humano não percebe o obvio. Pesquisas mostram que nosso cérebro transforma o caos em ordem, o obvio muitas vezes, é caótico por desmontar nossas crenças que aquilo é uma ilusão e não existe. A questão é: por que aquele homem não surtou com esse obvio? Porque a nova realidade era ordenada, agora imagine que aquele homem descobrisse que não era homem e que era um inseto sonhando ser um humano. Com certeza ele iria surtar ao ponto de não aceitar. Porém, ao ver essa nova realidade o homem ficou maravilhado com que viu e quis alertar os outros, porque achou que aqueles seres humanos, eram aprisionados naquela pequena realidade. Mas ele aceitou rápido, ele de alguma forma, sabia que aquelas correntes o limitavam a ver coisas limitadas e bastante, comuns. Foi daí que o homem descobriu que as crenças daqueles seres humanos, acreditando que aquilo seja realidade, na verdade, eram meras sombras que os “donos” da caverna queriam que acreditassem. Mas cuidado, talvez um apresentador de tevê também esteja vendo sombras, um comunicador esteja vendo sombras.

A informação passa pelo filtro das nossas crenças pessoais, dos valores que somos educados. Então, aquele homem passou a falar sobre essa nova realidade aqueles seres humanos, dizendo que aquelas imagens são na verdade, sombras, copias de algo verdadeiro atrás do fogo. Ninguém acreditou. Todos acharam que o homem tinha ficado maluco, porque não poderia existir outra realidade a não ser aquela realidade que viviam. Disseram barbaridades para ele, ameaçaram, riram, até que, como o homem insistiu muito, ele foi assassinato por aqueles que quis libertar. Por que? Simples. As crenças dependem muito da realidade na qual vivemos e o que nos transmitiram. As pessoas da caverna acreditavam piamente que a realidade eram aquelas sombras, aquilo era apenas projeções de algo muito mais além do que poderiam imaginar. Os valores são criados dentro da cultura que esses valores foram construídos. Então, quando vimos um Sócrates, um Buda, um Jesus ou outras pessoas que saíram dessas “correntes”, eles são desprezados enquanto vivos. Porque o que diziam não interessavam muito os que detém o poder. Os donos da caverna.

Jesus é um exemplo bem significativo. Foi desprezado durante os três anos que tentou trazer a verdadeira realidade da alma humana, mas, não desistiu da sua missão emblemática de tentar tirar as “travas” dos olhos dos homens. Teve um fim trágico. Foi condenado e um bandido foi solto. Foi açoitado até suas costelas apareceram em carne viva e ainda, como um escarnio, teve sua coroa de espinhos que o machucaram até seu crânio ficar amostra. Seu olho ficou quase pendurado. Suas pernas foram quebradas na crucificação e suas mãos, quase se dividiram e duas. Sagrando, não conseguindo respirar, cego de um olho, no meio de dois ladrões, disse ainda: “perdoai pai, eles não sabem o que fazem”.  Ainda, um judeu caçador de cristãos, após sua morte, disse ter sido chamado por ele para ser seu discípulo e escreveu cartas, essas cartas são mais lidas do que seus ensinamentos. O mesmo império que matou Jesus, depois de trezentos anos, com a desculpa de seu imperador tinha se convertido, instituiu uma “ekklesia universalis” para pregar o que diziam ser as palavras de Jesus. Mas, no meio disso, o império se desfez só sobrando sua “ekklesia” e na idade média, muitos desses ensinamentos se mesclaram com ensinamentos de interesse político, interesses de dominar povos bárbaros, de limitar a procriação humana.

Então, novos homens se levantaram da caverna e quebraram a correntes como Lutero, como Calvino entre outros, também, na filosofia. Depois de quinhentos anos as correntes voltam e as crenças voltam como eram nos tempos do império romana. Jesus, não ficava com os moralistas, nem com os que defendiam a direita ou a esquerda, mas ficava com os “pecadores” e aqueles que eram doentes, eram tristes e se vivesse hoje, ficaria com o povo LGBT e com aqueles que precisasse de consolo. Ele mesmo dizia que o reino dele não era desse mundo, pois, ele não tinha nada que o prendia aqui e não dá satisfação para sacerdote nenhum.

Assim como Platão escreveu o mito da caverna em sua obra A Republica, no livro sétimo, poderíamos dizer que ele se referia ao que aconteceu com seu mestre Sócrates. Sócrates desfez a crença das sombras mostrando que os mestres que sabiam nada sabiam, mas eles mesmo, disse isto. A frase mais famosa dele: “sei que nada sei”, nada mais é do que a demonstração da humanidade do filósofo.  Quem mostra a sua ignorância sabe que entendeu a realidade. A ignorância desfaz as crenças construídas a partir de ensinamentos daqueles que querem dominar, os donos da caverna são aqueles que projetam as sombras. O que são essas sombras? Os anúncios de tevê? São as crenças religiosas? São aquelas crenças políticas?

As sombras são muito mais do que meras propagandas de objetos inúteis, muitas vezes. Quando acreditamos que uma rede social tem uma relevância política, você está numa sombra. Quando você acha que uma discussão política e usa meme, ou usa escarnio para atacar uma pessoa e não uma ideia, você vê as sombras. Quando você acredita que um único homem, seja da direita ou da esquerda, pode melhorar um pais de tamanho continental como o nosso, você está vendo as sombras. Na verdade, as sombras são todas as crenças que não sabemos educar nossa mente em não acreditar e não é culpa sua, muitas vezes, e sim, do sistema que você está inserido. Eu, por exemplo, tenho um ceticismo bastante apurado para heróis, para informações da mídia, e para, aqueles que ficam dizendo em “teorias da conspiração”, porque, a ciência como arma de dissipar as sombras, começam a produzir elas. Não acredito na ciência cegamente, do mesmo modo que não acredito na religião. Mas atenção! Eu não disse que Deus não existe ou sou ateu, eu não acredito cegamente na religião. Do mesmo modo, não acredito mais nessa forma arcaica de fazer política, mas também, não acredito em ditaduras os “messias” do tipo D. Sebastião, o rei que até hoje é esperado em Portugal.

Eu sempre digo que o Twitter parece um muro de periferia, memes sem sentido nenhum, escritos políticos de ordem (ordem até para o exército), como se as pessoas perdessem a sanidade. A questão é que as redes sociais viraram a caverna que Platão descreve, como sombras de uma realidade muito maior. Sempre, no Natal, acreditamos em um papai Noel fabricado por uma fábrica de refrigerante – que foi acusada de usar coca na sua formula -  que hoje, sabemos não ser verdadeiro. São Nicolau andava de treino, puxado por cachorros e tinha uma roupa verde e não vermelha. Acreditamos num coelho da pascoa do tipo das fabulas dos desenhos Disney – a maior desgraça de George Lucas foi vender os direitos autorais para ela do Star Wars – porque, coelhos são animais que se reproduzem rápido e o ovo, de chocolate, é o símbolo da renovação. Mas a maioria prefere ficar nas sombras e acreditarem só no que compram, no que enxergam, no que pensam ser a felicidade. A felicidade não é ter um carro, é poder ter um carro, pois, o comprar não quer dizer se vai poder manter. A felicidade não é parecer rico no Instagram, é manter essa felicidade quando não tiver mais nada disso. A felicidade deveria ser igual Deus para o judaísmo, pois, escrevem D´us para não dizer o “nome dele” em vão, no mesmo modo, deveríamos escrever “alegrinho”. Somos, na verdade, alegrinhos.

Talvez, eu nasci com as correntes fracas porque sempre tive a necessidade de aprender e quanto mais aprendemos, sempre vamos enferrujar essas correntes. Mas se as sombras são símbolos de uma realidade ilusória, e as correntes são os conceitos que nos ensinam dentro da cultura onde foram produzidas. Ficamos presos em religiões. Ficamos presos em conceitos. Ficamos presos em ideologias. Sem questionar nada, ficamos acreditando em crenças que nada vão ajudar em nosso crescimento. A evolução universal, não tem a ver só na biologia, mas existe uma evolução muito maior dentro do que conhecemos. Você acha que todo o conhecimento acaba nessa vida? Você acha que tudo que leu, aprendeu, que viveu, que absorveu e fez, acabara no nada? Seria muito mais simplista e preguiçoso achar que acabou na hora da morte, seria, no entanto, mais cômodo acreditar no nada.


O nada é uma sombra, tem a mesma validade da questão do mistério divino, não há como acreditar cegamente. Sou cético ao ateísmo militante ou não, sou cético na questão religiosa, sou cético na questão cientifica. Minha mãe morreu de câncer e todos nós sabemos, que a onda crescente de câncer é devido aos testes nucleares do atlântico. Isso não é uma teoria da conspiração, isso é fato comprovado com as bombas de Hiroshima e Nagasaki, do acidente de Chernobyl e por mais que neguem, muitas nações fizeram sim testes nucleares.  Então, eu não acredito que as coisas são simples como explicações cientificas só para explicar uma doença que era rara, passou a ser comum no século XX.  Porque? Por que tantos esforços para explicar algo que quem tem uma leitura razoável cientifica, sabe que as explicações não têm nenhum embasamento? Por que devo acreditar em algo que é financiada pelo dono da caverna? Isso é não acreditar nas sombras. As crenças não são só religiosas, vivemos numa realidade que aprendemos ser realidade. Mas será mesmo que é a realidade?

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Lula diz que ganha de Bolsonaro


Lula diz que tem o dobro de votos dos outros candidatos (crédito:internet)


O ex-presidente Lula gosta de dizer coisas que os outros provam não ser verdade, como dizer que terá em 2018 o dobro de votos de todos os candidatos juntos. Sabemos que isso é impossível. Ele sabe que precisa da sua antiga maioridade de votos, que não terá mais por causa das investigações da Lava-Jato. Porém, na questão de ganhar do deputado federal, Jair Bolsonaro, me parece verdade, mas como sabemos, as pesquisas podem mostrar votos virtuais. Afinal, estamos ainda muito tempo das eleições, muitas águas vão rolar.


Vejam a reportagem. 


Quem abriu a caixa do “preconceito”?




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Por Amauri Nolasco Sanches Junior


Muitas pessoas têm estranhado as várias reportagens dentro da mídia sobre o tema da grande “avalanche” de comentários racistas e de qualquer tipo de preconceito. De onde isso veio? Pouco antes de morrer, o escritor e filósofo Umberto Eco disse, que a internet deu voz aos idiotas. Pensamos. O que quis dizer o filósofo italiano sobre isso? O termo “idiota” tem seu significado hoje, de uma pessoa tola, que falta uma certa inteligência, ignorante e estupido. Porém, quando olhamos a etimologia - um estudo da origem, ou história evolutiva das palavras – vimos que o termo idiota, veio do termo grego helênico “idios” que quer dizer “privados”.

O termo passou a ser “idiotes” que significava “pessoa comum”, aquelas pessoas que não exerciam nenhum cargo público dentro das polis. Talvez, Eco, tenha percebido que há muitas pessoas comuns que são ignorantes em vários sentidos, porque não se pode saber tudo em todo o tempo. Porém, na maioria das vezes, a questão é por não querer pesquisar sobre o assunto ou não querer abrir mão das suas convicções. O “idiota” é sempre o egoísta que pensa está com a verdade a todo custo, sem se importar com os sentimentos dos outros, sem se importar com nada que está a sua volta.

Nesse ínterim das “verdades” que se acredita, existe o conceito, que pode ser pré-estabelecido ou pós-estabelecido, dependendo de que valores se referem a educação que recebeu. O termo conceito quer dizer, uma compreensão do que uma pessoa tem de uma palavra, concepção ou ideia de algo ou de alguém. Um pré-conceito seria, qualquer opinião ou qualquer sentimento que foi concebido sem nenhum exame crítico sobre aquilo que se vê. Por não ter esse exame critico, ele passa a ser um sentimento hostil, assumido de consequências de generalização apressada de uma questão pessoal ou que, pode ter sido, imposta pelo meio onde vive. Ou seja, poderá ser uma pessoa intolerante.

O que dizer do caso da “socialite” que agrediu duas crianças com termos pejorativos preconceituosos? Ou sobre a frase racista do jornalista Willian Waack proferiu em bastidores por causa de uma buzina? Não só aqui existem manifestações de pré-conceito, em 2015, o biólogo e escritor britânico, Richard Dawkins, disse que seria imoral uma mãe ter um filho com Síndrome de Down. Como se disse acima, o pré-conceito, seria uma generalização apressada de uma falta de senso crítico, que muitas vezes, é imposta pelo ambiente de onde se vive, mesmo que se tenha um auto grau de conhecimento ou estudo.

A empatia e a apatia, tem a ver muito com isso. Porque a empatia, vai muito além de ser simpático – em algum lugar, várias pessoas podem dizer que ser simpático é ser polido – ser empático é se colocar no lugar do outro, é um exercício de automutilação do seu ponto egocêntrico. As questões podem ser postas na seguinte forma: se eu tivesse um filho adotivo negro? Se eu tiver um filho ou um parente com deficiência? Se eu tivesse sido alguma dessas minorias? Se eu tivesse alguém do meu convivo homossexual? O “leque” se abre ao infinito e sabe-se muito bem, que ser empático é ir além de tudo e todos, mesmo quando, a indignação reina nas opiniões.

A apatia é a indiferença do outro como pessoa. Uma pessoa apática é uma pessoa que pode sofrer de um histórico de pré-conceito, um trauma muito grande, um sofrimento que a levou a rejeitar seu lado humano.  Sua origem vem do grego “Ápatheia” que quer dizer “ausência de dor ou sofrimento”, ou seja, uma pessoa apática pode ser uma pessoa que sente forte ausência de sentir alguma dor sentimental.  A apatia pode ser por indiferença de crença, ideologia política, convicções de gênero, normatividade do corpo, ou até mesmo, por convicção da verdade. Talvez, são impostas do mesmo modo, que são impostas a falta do senso crítico no caso do pré-conceito.

Claro, que se pode dizer, que a ética seria algo subjetivo dentro da ótica do livre-arbítrio, ou seja, a ética não é uma norma que se pode medir o que é bem e o que seria mau. Condutas como está, que visam a empatia, são condutas aceitas e ditas como éticas, mas a ética em si mesmo, como algo universal, não existe. Seria ético matar aquele que matou um ser amado? Uns diriam que seria justo, outros, no entanto, diriam que seria um novo crime e que sem provas, seria algo como “fazer justiça com as próprias mãos”.  O que se faria nesse caso? Como ficaria a satisfação de justiça dada a quem perde alguém que ama? A ética, se torna, claramente, uma coisa completamente, subjetiva, pois, tem viés empático ou apático.

Porém, no caso do pré-conceito que vivenciamos e vimos em todas as esferas sociais e em todas as redes sociais, é a verdade subjetiva que reina em absoluto. Na esfera do mundo não virtual, o preconceito é a não aceitação daquilo como real, aquilo que pode acontecer em seu meio, em sua convivência. No entanto, há dentro da psicanalise de Freud, uma explicação plausível: o medo de assumir aquilo que está enrustido dentro de você mesmo. Ou medo, que aquilo aconteça dentro da esfera normativa da sua vida, afinal, uma deficiência pode ocorrer ao longo da sua vida. Um filho ou uma filha, pode casar com uma pessoa de outra etnia ou cor de pele, ou até mesmo, mudar de gênero e se assumi homossexual. A questão é o medo, o medo faz das nossas atitudes, atitudes irracionais de ódio e o ódio cega.


O pós-conceito é muito pior, pois, mostra escancaradamente, a questão da rejeição de um padrão normativo dentro de um padrão de beleza ou um padrão de convívio. O convívio requer a empatia, porém, em tempos que tudo se transforma em uma padronização das normas estabelecidas – sempre se volta ao que era antigamente – a empatia se torna a apatia a tudo que vem de igualdade. O pós-conceito é a certeza que não existe pré-conceito, a certeza que não existe desigualdade, que não existe exclusão. A realidade se transforma em uma certeza, uma verdade que pode ser definida como “sombras”. Meras “sombras” de seres acorrentados em uma caverna, como diria Platão. A caverna da pós-verdade. 

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A DEPUTADA E OS DIREITOS HUMANOS



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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Outro dia, eu estava lendo um artigo no Estadão da deputada Mara Gabrilli, contando um pouco da sua visão sobre os direitos humanos para pessoas com deficiência.  Em uma outra entrevista, acho que foi para a Folha de S. Paulo, ela disse que se sente envergonhada de ser do PSDB depois que o senador mineiro, Aécio Neves, ter te enganado. Duas questões que não querem calar: primeiro, o porque ela não sai do partido que não concorda mais da sua convicção? Porque se eu não estou satisfeito com as convicções de um partido (ideologia) ou uma religião (crença), eu não sentirei mais obrigado a seguir aquilo, não terá mais as minhas convicções naquilo. Depois, todo mundo sabe, que discursos muito bem montados são discursos retóricos, ter uma boa retórica, é uma coisa herdada dos senadores romanos.

A questão desse texto, não é a vergonha que ela diz sentir pelo partido e pelo sanador mineiro, é sobre os direitos humanos. Lembramos sempre, que as medidas que garantem os direitos universais do homem e todos os seus diretos como pessoa humana, seja ela qual for, foi feita logo após o fenômeno nazifascista. Isso a nobre deputada se esqueceu. Também acho, porque não faço media com ninguém, que vários fenômenos conceituais nazifascistas vieram dos que fizeram a resolução. Os norte-americanos inventaram a eugenia. Os norte-americanos inventaram medidas muito piores, do que o Apartheid sul-africano, ou a própria escravatura. E nós, como a cara deputada deve saber, só tivemos algum direito de sair as ruas a partir dos anos oitenta do século passado. A ONU construiu uma resolução dos direitos das pessoas com deficiência, ratificada pelo Brasil em meados do novo milênio. Porém, sem sombras de dúvida, não serviu de nada ser radicalizar a convenção. Não mudou a educação, não existe auxiliar de nada dentro das escolas. O transporte não mudou nada. Não mudou nada temos um direito de viver e não poder trabalhar. Que aliás, a dona deputada, deveria exigi que tenha fiscalização do cumprimento da lei de cotas de empresas, que por motivos lógicos, foi cortado.

Tirando a parte do povo carcerário com deficiência – não sou a favor da pena de morte, mas também, não sou a favor de melhorar a vida de pessoas que escolheram ter essa vida. Pior ainda, se ficou paraplégico, porque é um efeito diante da causa. Mas, claro, que devesse dar uma outra chance, mas não deve dar melhoria, pois, não seria um castigo – eu concordo com a maioria do texto, mas não concordo de se escrever um texto e não fazer nada e seu partido, que sente agora “vergonha”, não faz muita coisa em relação as pessoas com deficiência. Vamos pegar o ensino médio e o ensino técnico aqui em São Paulo, administrado pelo Centro Paula Souza, onde não tem acessibilidade das etecs, não tem interprete de libras, não tem de auxiliar para ajudar nos gabaritos, não existe organização entre outras coisas. Como a deputada faz um discurso de respeito dos direitos humanos, se o governo do seu partido não respeita a própria legislação? Fora a questão do transporte municipal porta-a-porta, que não faz jus ao que está nem no estatuto da pessoa com deficiência, que insistem em chamar de, Lei de inclusão.


Você ser uma “parede” entre as pessoas com deficiência e o governo na questão do BPC e o LOAS, não te faz ser uma pessoa justa, já que defendeu uma aposentadoria máxima por uma atleta que ficou deficiente por causa da sua teimosia. Apoiou e apoia um evento de uma entidade que não faz nada para incluir, porque a AACD tem uma filosofia clara de dependência dos 0 até os 12 anos de idade, onde o pai tem imensa obrigação de além de pagar, tratar eles como deuses. A deputada deve saber que a entidade expulsa quem não concorda com seu tratamento, não concorda com seus métodos, não tolera que pessoas com deficiência prove que eles estão errados e que temos sim, a capacidade de ter uma vida independente. Não deveria pontuar “direitos humano” se nem seu próprio partido, o respeita sem ao menos, respeitar o nosso direito de acessibilidade e de inclusão. Construir rampas é muito fácil, ter uma lei mequetrefe de cotas de empresa é fácil, é o básico, fazer o discurso virar ação, é o difícil. 

domingo, 26 de novembro de 2017

Nem Bolsonaro, nem Lula





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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Como eu escrevo manchetes como escritor “freela”, eu leio milhares de notícias que circulam pela a internet e posso assegurar, que o Brasil hoje, não tem partidos de direita fortes e grandes. Existem partidos conservadores menores, mas não partidos de direita expressivos dentro de um cenário mais popular. Porque aqui no Brasil, se colocou o liberalismo no rol da direita e não é bem assim, se você ler obras de vários economistas famosos lá dos anos 40 e 50, vai constatar que os conservadores usurparam o liberalismo para caber só na economia. Porém, o liberalismo é uma filosofia que surgiu como uma resposta política do iluminismo a liberdades individuais – como acredita também a esquerda democrata social – onde cada indivíduo responde pela sua conduta e pela sua vontade.

Acontece que nem a direita me agrada e nem a esquerda, que ao meu ver, são apenas “rótulos” de uma política de interesses ideológicos, religiosos e de caráter, misterioso. Embora, eu ache com bastante convicção, que existem várias conotações ideológicas que podemos chamar como esquerda, porque, a esquerda não é só comunista. Nunca existiu uma nação comunista, nunca existiu uma nação totalmente comunitária, porque o ser humano é movido pelos seus próprios interesses e mudam conforme esses interesses vão mudando. Acontece que o Brasil nunca houve uma modernização, nunca houve uma mudança definitiva dentro das premissas únicas de evolução, há somente, interesses e muitos pensamentos que não cabem dentro do mundo hoje. Afinal, quem quer mesmo, votar em dois candidatos despreparados? Não me venham se sabem ou não de economia, eu quero saber se sabe administrar a máquina do ESTADO. O cargo maior do executivo, não existe só ele para governar, é o máximo que uma nação pode ter. por isso, devemos tomar cuidado quem é o porquê, colocar o presidente lá, não é um jogo de futebol.

A política brasileira é o reflexo da sociedade brasileira, não me isento de ter feito algo “não ético”, então, eu não tenho aquele discurso de sempre achar que políticos que não tem ética. Ética tem a ver com caráter e caráter, queiramos ou não, aprendemos dentro do nosso bercinho e no colo da nossa mãe. Se eu e meus irmãos somos pessoas honestas e trabalhamos para conseguir as coisas, é porque aprendemos a valorizar nossa consciência e valorizamos a ética. Acontece, como somos animais sociais (Aristóteles diz em grego “politikos” que quer dizer “relativo ao cidadão ou ao ESTADO” que veio de “polites” que quer dizer “cidadão”), somos animais morais. Se somos animais éticos, somos animais morais relativo ao costume, as regras sociais diante ao outro em um estado de direito. O que é um estado de direito? O termo “direito” ficou banalizado, porque todos dizem ter algum direito, parece que todo mundo para ser feliz tem que ter o tal direito. Um estado de direito são leis participativas que visam assegurar o direito de todos em uma convivência mutua entre as partes, que pode ser em leis da justiça, quando chega ao patamar de desrespeito, ou de conscientização, quando há preconceito.


Portanto, não vou votar nem no Bolsonaro e nem no Lula por uma simples razão: não voto em partidos e nem em ideologias, se o cara defende uma agenda mais progressiva, ou o cara defende uma agenda mais conservadora (aqui no Brasil não sabem o que é conservadorismo político e confundem com conservadorismo moral), tanto faz, o que me interessa é o que ele propõe em concreto. Nada de discurso populista, discurso ideológico, discurso de pessoas que não sabem nem o que estão dizendo. Será mesmo que vamos perceber? 


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Por que as pessoas não leem?



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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Concordo com Schopenhauer, que pessoas que não tem ideias próprias não podem ser chamadas de escritores, acho que esse é o problema da coisa. A questão é as pessoas se trancarem em “bolhas ideológicas” dentro daquilo que concordamos, porque é muito mais cômodo para a própria pessoa. Daí a ideia de Schopenhauer faz sentido, a questão é você saber ter as ideias próprias, pois, pensar por conta própria é algo muito difícil. Nada tem a ver com a baixa escolaridade, e muitas vezes, nada tem a ver com o não entendimento das palavras. A questão é outra e muito mais grave: estamos numa zona de conforto que não se quer sair. Isso, o filósofo prussiano Immanuel Kant, já dizia no século dezessete.

A alienação não é um fator dado, acho com muita convicção, que a alienação é uma escolha como outra qualquer, quanto mais, na era do Google. O que pseudofilósofos dizem são verdades e o que escrevemos, são “fake News”, e é um fenômeno estranho dentro da gama de conhecimentos que estamos envoltos. Isso tem a ver com as crenças das pessoas. Aquilo que se acredita, se torna aquilo que te levará a um conforto. A questão pode ser vista na seguinte forma: estamos acorrentados desde nossa tenra infância e só somos condicionados a enxergar sombras, essas correntes são os valores e as crenças que somos ensinados desde a infância, a ficar dentro nesta caverna. O símbolo da caverna é milenar, até arrisco a dizer, que o símbolo da caverna é o símbolo da forma de morte e renascimento, o símbolo da ilusão de Platão. Sim, amigos. Platão ao dizer que os homens estão em uma caverna acorrentados, está, claramente, dizendo que somos condicionados à só enxergar ilusões. A maioria da humanidade, está dentro desta mesma caverna.

Não é que você só lê jornais como Estadão, Folha entre outros, que te faz ser o cara que saiu dessa caverna, quem sai dessa caverna é aquele que analisa a cada linha, o que você está lendo. Uma notícia não é um post do Twitter que tem 140 caracteres, aí você começa a entender o que as pessoas estão pensando. Não, não é. Escrevo notícias para o Blasting News, que é uma revista eletrônica norte-americana, que tem como base, um conceito de social jornalismo. Isso é bom, porque os blogueiros que tem a capacidade de escrever noticia, vão passar a ter mais cuidado enquanto fonte segura. Isso mesmo, se nós não tivemos fontes seguras eles não liberam as notícias. Se eu tenho lá que “PROCURADORIA DESCOBRE NOVOS DESVIOS PARA PT E PMDB” ou “SENADOR RENANCALHEIROS PODE PERDER O MANDATO”, é porque mostrei a eles fontes seguras de notícias, geralmente de sites de notícias confiáveis, para eles liberarem. Se sou chamado de produtor de “fake News” é porque estou mexendo com aqueles, que Platão diz, enxergar as sombras.

As sombras são geralmente a realidade mostrada a partir de uma crença religiosa ou ideológica, nem sempre ideias religiosas são espirituais, nem sempre ideologias são realmente, modos de fazer política. E há sim, religiosidade política quando você condiciona a sua vida a um partido e a um candidato, que é o caso do Lula (PT) e o Bolsonaro (PSC), que são humanos e podem sim errar. Ou, crenças religiosas sobre fatos históricos que levaram a situações que achamos serem confortáveis, como o regime militar, ou outros momentos. Vivemos numa caverna, mas uns saem e outros, não.

Geralmente, aquele que sai enxerga um outro mundo, não aquele que programas policiais mostram ou os telejornais costumam achar pertinentes, mas aqueles que transcendem esses momentos. Se eu vejo casos imensos de corrupção, não enxergo que o pais não tem jeito ou o Brasil precisa de um “messias” (muito menos uma ditadura), enxergo uma realidade de fora da caverna que é a verdadeira. Lutamos para enxergar a verdade, tanto é, que Platão coloca que o homem que saiu da caverna tem seus olhos ofuscados, pois, ofuscar é você acostumar ao escuro e não ter olhado a luz verdadeiramente. O que é a luz?  O conhecimento. A informação só vira conhecimento quando se entende realmente, essa informação. A erudição não é citar obras de outros escritores, escritores originais são verdadeiros escritores, filósofos só são filósofos se tiverem ideias originais. A maioria dos filósofos hoje, pelo menos ao que li, não são originais.

Filósofos religiosos não são filósofos. Filósofos ideólogos, não são filósofos. Isso quer dizer, que os olavettes não são seguidores de um filósofo, mas de um intelectual. Um intelectual joga ao vento o que sabe, um filósofo analisa verdadeiramente, sem achar que está com a verdade ou não. O que o intelectual Olavo de Carvalho faz é jogar o que sabe ao vento, só que a maioria das coisas não faz sentido, porque a filosofia também tem seus métodos. Então, é apenas um intelectual que vive de polêmicas igual o Paulo Ghiraldelli Jr entre outros, que jogam o que sabem ao vento sem ter uma análise própria, particular. Citar outros filósofos, é uma coisa, distorcer outros filósofos e fatos históricos a favor de suas crenças, além de ser desonestidade intelectual, ainda te faz ser menor.


Como cheguei a isso? Porque eu leio. Não leio só noticia, não leio só o que me agrada ou é confortável ao que acredito (seja religioso ou político), eu leio até do que eu não concordo. Mas eu leio. Não critico uma manchete só pelo título, não critico um filósofo só por causa de um outro que crítica ele. Eu tenho que ter o mínimo de base para uma crítica consistente daquilo que me propus criticar. A crítica dentro da filosofia, não é uma crítica de julgamento, uma crítica filosófica, é uma análise minuciosa daquilo que eu quero analisar. Assim, no livro “A Arte de Escrever” do filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860), está que só quem é um erudito é aquele que lê pouco, mas aquilo que ler, vai “digerir” melhor o que o autor disse ou escreveu. Ele está certo? Acho que houve um exagero do filósofo, mas, certamente temos que ler devagar as obras literárias, as obras filosóficas, as manchetes dos jornais. Pensar, ter a coragem de questionar (não opinar, que é diferente), ter a capacidade de pesquisar. Só assim, seremos um outro povo, cidadãos de verdade. 


Quem quiser fazer parte dessa plataforma de noticia (aqui)

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Teleton, para quem mesmo?








Por Amauri Nolasco Sanches Junior

A bastante tempo venho escrevendo sobre o Teleton e a bastante tempo, venho sempre batendo na mesma tecla, que o capacitismo não vem de fora dos centros de reabilitação – não todos – mas, o capacitismo também está nas entranhas do movimento. Uma prova que o Teleton é capacitista, mercadológico e sem servidão nenhuma, é o que minha colega Claudia Borges disse em um post do seu Facebook:

<<Ao atender uma moça me pede o nome do médico e especialidade, me transfere para marcar consulta, a outra moça pergunta é paciente do Dr. a muito tempo respondo que sim, e também da AACD, ela me pergunta em que andar passa com ele? Você é público ou Convênio? Respondo estou na dúvida se 1 andar ou segundo, e sou Convênio, ela me responde vou te transferir para o 2, pois aqui só paciente particular, e cada consulta é R$ 400,00, me transferiu novamente e mesmo sendo convênio só consegui vaga para 18 de Abril do ano que vem... Agora me explica quem esse teleton ajuda? Pois nem mais convênio tem facilidade, lá dentro quem tá mandando na rapidez da fila de espera e do atendimento é quem tem grana viva. E o povo doando para ajudar quem já tem para pagar....>>>

Eu acho que não há mal nenhum em cobrar em uma consulta, afinal é e sempre foi uma “coisa” particular, mas a AACD deveria ser muito mais sincera e dizer para todo mundo que cobra, que o dinheiro para o Teleton é uma ajuda de custo a mais para a construção de centros de reabilitação.  É “espetacular” as pessoas acreditarem ainda em uma entidade que não tem moral nenhuma, para dizer qualquer coisa sobre reabilitação, sobre inclusão. Porque quem faz a verdadeira inclusão não é a AACD e nem o Teleton, tenho até provas, que nada lá é de graça, nada lá é certo ou maravilhoso para se abrir uma emissora de televisão, para esse tipo de espetáculo. E não venham dizer: “ah, na minha cidade ela funciona”,  “ah, eles sempre me trataram muito bem e não tenho reclamações”, porque eu sei o porquê da maioria dizer isso.

Tem mais uma outra coisa, ninguém aqui está falando de coisas que não existem, porque existem e muito, num dos comentários do post de colega, havia uma moça dizendo que não fazem RX pelos SUS. Dês de 2013 venho relatando que AACD não faz RX por causa do caso grave da minha noiva, ainda, tenho ressalvas de muito antes em um caso ou outro do que vivo e as pessoas ainda acham ser “mentira”. O caso mais recente da AACD foi descobrir que o entortamento do meu pé, não é uma questão do pé ou da perna, a questão do entortamento do meu pé é a bacia. Inevitavelmente, terei em minha velhice, uma bacia deslocada e muitas outras coisas dentro de um tratamento “porco” dessa entidade. Minha colega Claudia, vai ser atendida em abril, que já é um ganho, pois, muita gente aguarda cirurgia e não tem como recorrer.


O Brasil está falido em suas instituições que deixam a discriminação ser a pauta da vez, faliu a ética e a moral para consultas serem marcadas muito tempo depois. É capacitismo sim, infelizmente, muito comum em nossos dias.  

Generais  militares preocupados