quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Pessoas com deficiência não tem auxílio-moradia



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Imagem representando a Revolução Francesa 


Achei pertinente ter uma brecha para comentar o texto do colega Jairo Marques que é jornalista da Folha de São Paulo e também, tem um blog (na mesmo jornal), “chamado Assim como você”, que escreveu um texto chamado: “Auxílio para sair da moradia”. Achei esse texto bastante pertinente e reflete as condições que vem perpetuando, a situação das pessoas com deficiência. Que muitos – realmente, eu já ouvi esse tipo de colocação – pensam que temos uma vida sossegada e tranquila, mas, que na verdade acontece, é que não temos uma vida tão fácil assim e nem temos tantas “facilidades” assim.

No texto ele começa dizendo que há no senso comum que as pessoas com deficiências podem comprar carros novinhos no Brasil, com um certo desconto. Mas, na verdade, é que acontece uma renúncia fiscal do imposto federal, ou seja, o governo deixa de arrecadar o IPI, e o Estadual, o ICMS, que, teoricamente, deixaria o carro mais barato. Certo? Mas não é isso que acontece. Muitas vezes, esse “desconto” é neutralizado graças as adaptações para ser dirigido por um cadeirante ou para carregar uma criança om muito pouco mobilidade. Esse preço é cobrado direto da concessionaria, que diferente dos outros consumidores,  sempre somos taxados de levar “vantagem” fiscal e isso é visto como uma mamata para quem tem uma vida fácil. Só que não é bem assim, pois, esse preço é compensado e anulado, como disse o texto,  na adaptação que é cara.

Segundo o Jairo, o espirito da isenção é muito nobre, pois, isso daria uma mobilidade a quem fica à mercê do transporte público, das ruas cheias de buracos e sem acessibilidade nenhuma, das escolas, de vida social em geral. Seria um alivio e também uma oportunidade de uma conquista mais autônoma. Eu sou um pouco mais radical e lançaria uma pergunta pertinente: qual o interesse em dar isenção para um imposto e não dar para os outro? As adaptações são necessárias e não temos isenção nenhuma, além de nenhum incentivo fiscal das cadeiras de rodas, isenção de impostos no material da adaptação da casa, não temos tantos outros produtos que nos sãos necessários, e o entanto, não temos nenhum.  

O princípio ético não fala do direito de ter ou não, a ética fala se podemos  ter ou não. O direito é uma parte da moral, portanto, é uma parte dos costumes. Os costumes do ocidente sempre foram de olhar a deficiência como algo que deveria ter uma certa piedade, uma certa imagem daquilo que é um ser humano mais fraco, mais vulnerável. Os espartanos não nos matavam por maldade, eles matavam por causa da imagem da inutilidade de pessoas com deficiência e porque não, um sentimento de piedade. Como algumas comunidades vikings também deixava os filhos com deficiência nas florestas locais, para serem devorados por causa da deficiência. Até os anos oitenta, as pessoas com deficiência não podiam sair em países como os Estados Unidos da América, que nem em restaurantes, podiam comer sem causar “nojinho” aos outros clientes. Mas, ao meu ver, pelo menos, infelizmente, é alimentado como um discurso dominante, é um pouco culpa das pessoas com deficiência.

Mas você pode está perguntando o porquê é culpa das pessoas com deficiência, daí e respondo, por causa dos direitos que alguns querem lutar e eu explico. Se lutarmos por um incentivo fiscal da compra do carro, por exemplo, nós estamos incentivando a não adaptação das vias públicas, ao não melhoramento do transporte público acessível, da acessibilidade num modo geral. A grande parcela das pessoas com deficiência que não tem condição de comprar um carro, ou não tem condição de dirigir um carro, fica à mercê do transporte público e o porquê adaptar se o ESTADO deu tal benefício. Entenderam? Por que não incentivar a renúncia fiscal de aparelhos de órteses e próteses? O próprio Jairo Marques no texto fala que em países como os Estados Unidos, várias pessoas com deficiência têm acesso a tecnologias diversas. Só que ele esqueceu de dizer que lá o fenômeno é diferente, não se lutou para trabalhar antes, se lutou para ter o mínimo para viver e uma aposentadoria a parte da previdência. Lá as pessoas com deficiência são incentivadas a estudar, as adaptações nas ruas, prédios, transporte e etc, são para o cara trabalhar. Para o deficiente ir a qualquer lugar com sua cadeira de rodas motorizada – raros são os deficientes que não tem cadeira motorizada lá fora – sem até, depender de outras pessoas. Meu irmão mora na Irlanda e me mostra em foto, que lá tudo é acessível, e ele disse, que é muito comum ver pessoas com deficiência nas ruas com suas cadeiras motorizadas.

A questão é que dês do começo as pessoas com deficiência vem lutando por coisas banais e não pensam que um dia isso vai acabar, os governos mudam e as leis podem mudar. Que o papai e a mamãe vão morrer, que vai amar um outro indivíduo e vai casar, que com o dinheiro do trabalho pode comprar o que quiser. É imoral sim ter auxílio-moradia num país que não podemos nem sair na rua, não podemos nem trabalhar e os caras tem duas ou três aposentadorias. Porém, existem prioridades dentro do segmento que eu não acredito serem importantes, como o carro, como acessibilidade em praias e em aeroportos, acessibilidade em coisas que a grande maioria não vai usar. Tem gente que tem o direito de ter um carro? É obvio que tem. Mas, num país que num tem nem uma reabilitação de verdade, não tem prioridade para pessoas com deficiência que precisam operar, isso não passa de mimimi sem motivo.


Amauri Nolasco Sanches Junior – formado em filosofia pelo FGV e também publicitário e técnico de informática e escritor freelance no jornal Blasting News

 Ator sofre agressão de homofóbicos dentro de banheiro

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Esperando mais inclusão e menos papo-furado



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Quando eu era menor, apenas um garotinho, eu queria ser dentista. Sei lá porque, eu cismei que queria ser um dentista para cuidar de dente. Daí descobrir que a minha praia era outra, mesmo o porquê, eu nem tenho estomago para estudar medicina por ver sangue e abrir pessoas em cirurgias. Muitos garotinhos e garotinhas, sonham em ser alguma coisa quando crescer e não é porquê tem deficiência, que não pode sonhar. É uma questão de estudar e se empenhar (mesmo que as escolas, com leis que não funcionam, não aceitem ainda as crianças com deficiência), em fazer o melhor para conseguir. Mas como fazer o nosso melhor, se todos nos fecham a porta? Metam o pé na porta. Poderia ser uma ofensa eu dizer isso, mas, como também sou cadeirante, eu me sinto à vontade.

Uma outra pergunta me vem à cabeça: como queremos inclusão nos comportando como eternos adolescentes? Sim. Eu não acho que inclusão se faz em meio de gente suada das baladas, cheirando cerveja dos bares, e acessibilizar puteiros sejam prioridade. Acho que a acessibilidade é importante e faz bem (nem mesmo acho que acessibilidade em igrejas sejam importantes), porém, acho que a visão mais humanizada da deficiência, hoje, é primordial. Até hoje eu não entendi o porquê se fez uma lei para cotas nas empresas e não cotas nas universidades – que só veio agora – pois, você só trabalha se você tiver um curso de qualificação. Também, nunca entendi, priorizar a redução de impostos de carro e não, reduzir impostos da cadeira de rodas e outros aparelhos que necessitamos. Andamos de carro dentro dos lugares? Andamos de carro dentro de casa? Claro que não. Até, particularmente, acho que a ideia de um carro para cadeirante meio ridícula, porque tem o pressuposto que só há um só cadeirante. E se você é casado? E se você tem como companheiro outro cadeirante?

Essas resoluções é o estereotipo de pessoas solitárias que temos hoje em dia, ainda, mesmo que estamos no século vinte e um. Mas, mesmo que a maioria adore uma liberdade que não tem, podemos casar e podemos amar quem quisermos. Mesmo que a maioria, ache que temos que casar com alguém para cuidar de nós. Não é verdade. A verdade que podemos nos virar, na medida do possível, tendo em vista, cuidar de nós. Mas existem, claro, deficiências que são graves, que muitas vezes, deixam as pessoas sem nenhum movimento. Conhecemos alguns e esses “alguns”, tem se mostrado bem independentes, mesmo com a deficiência grave. Nenhuma deficiência atrapalha a vida. Mas, ainda temos a visão capacitista da sociedade, porque nos agarramos a ideia que tudo é perfeito, o caráter tem que ter perfeição, as pessoas boas têm que ter perfeição, tudo é perfeito, só que essa perfeição, é na medida humana. O parâmetro humano, depende dos costumes (moral) que eles estão inseridos.

Lendo o blog vinculado com o jornal Estadão, Vencer Limites, assinado por Luiz Alexandre Souza Ventura, “IGUALDADE NO TRABALHO É PRIORIDADE”, traz uma pesquisa da I.Social (uma consultoria para empregar pessoas com deficiência), que mostra a estatística que eu sabia muito bem. A lei de cotas é uma farsa porque usou uma desculpa muito esfarrapada da qualificação, ou seja, existe pessoas com deficiência sim qualificadas e prontas para trabalhar. Mas, eu avisei para uma das donas da I.Social, a Andrea Schwarz, quando ela escrevia com um ar de otimismo. Ser otimista é uma coisa, fugir da realidade é outra muito diferente. Eu sempre fui cético na questão dessa lei.

Ao meu entender, estatísticas são adulteradas por causa de interesses daqueles que são eleitos para governar o nosso país, fora a isso, não tem nenhuma explicação da comprovação da desqualificação das pessoas com deficiência. Isso vale com voto expresso ou voto eletrônico. O que anda acontecendo é que empresas independentes dos órgãos governamentais, vem fazendo pesquisas e essas pesquisas vem comprovando o que estava na nossa cara o tempo todo, existem sim pessoas com deficiência qualificada. Isso transcende o fato do governo ser de esquerda ou direita – para mim não existe governo de esquerda – mas, a efetividade da fiscalização e da punição da empresa. Uma lei que obriga a contratação sem uma punição rigorosa, é o mesmo como acontecia para parar em vaga de estacionamento, multa moral. Vamos falar a verdade, é uma multa moral esse valor. Uma punição vagabunda que não obriga ninguém a cumprir nada.

No mesmo modo, acessibilizar prédios públicos tombados. Se o prédio não pode ter acessibilidade, então, que ele não seja utilizado e ponto. Não tem negociação. Os outros movimentos não negociam, ou você aceita os homossexuais ou é preso. Ou você aceita os negros nas universidades, ou vai preso por racismo. Sofremos atos capacitistas de entidades, de órgãos públicos, de pessoas na rua, de pessoas em shoppings e não há uma punição de verdade. Há multinhas morais e tapinhas nas costas. Fora a mania tosca de muitos deficientes de acharem que não fazerem nada, vão receber alguma coisa por isso, pois, não vão. Às vezes, muitas vezes, o radicalismo semelhante das outras minorias é preciso dentro do segmento das pessoas com deficiência. Eu não dou tapinhas nas costas de ninguém e nem quero nas minhas costas. Como disse milhares de vezes, eu sou cético o bastante de desconfiar que as pessoas façam pelo bem de um segmento. Não fazem. Temos que aguentar novelas vagabundas mostrando não a realidade, mas uma imagem infantilizada e boba da deficiência que não condiz na verdade.

A questão da lei de cotas é uma só: a nossa cultura canalha de não querer seguir e dar desculpas esfarrapadas para não cumprir uma lei. Lei é lei e foda-se. Acontece, que somos uma cultura que se apegamos muito nas aparências e isso é muito imbecil, porque não somos maquinas, somos humanos e temos a capacidade de superar dificuldades. Então, não é uma cadeira de rodas que vai nos dar capacidade ou não de fazer tal serviço, mas, a vontade de superação e de trabalhar que nos fazem eficientes. Muitas empresas – quando tem boa vontade – se sentem satisfeita com o serviço das pessoas com deficiência. Por que não temos a vontade de sensibilizar o lado humano das pessoas com deficiência? Será que fotografando deficientes pelados vamos fazer enxergar nosso lado humano? Acho que é importante a acessibilidade – em todos os bairros e em todos os sentidos – mas, também acho, que há uma falta tremenda a valorização do ser humano com deficiência. Valorizar o lado humano não é vulgarizar nossa sexualidade – fazendo da liberdade com libertinagem – valorizar nosso lado humano, é ensinar, por exemplo, que comemos comidas normais.

Eu não quero ver seres humanos com deficiência, pelados. Não quero ver seres humanos com deficiência, em campanhas apelativas e capacitistas. Não quero ver, seres humanos com deficiência em novelas vagabundas. Quero ver seres humanos com deficiência estudando. Deficientes trabalhando. Tendo uma vida plena e não, s pensando em sexo e numa vidinha deplorável. Como diz o filósofo, Luiz Felipe Pondé: “um dos maiores medos contemporâneos é o medo do afeto”. Temos medo de amar e os seres humanos com deficiência, tendem a ter muito mais medo desse afeto e se apegam a putaria generalizada. Aliás, putaria em todos os sentidos. Mas isso é tema de outro texto.

Hoje não quero ser dentista – se eu quisesse ser? – porém, eu sou satisfeito dos cursos que eu fiz. Mas eu sou qualificado sim e acabou.

Equipamentos do cantor Caetano Veloso são recuperados



Amauri Nolasco Sanches Junior – formado em filosofia pelo FGV e também publicitário e técnico de informática e escritor freelance no jornal Blasting News 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

O filme “O Extraordinário” e a lição sobre o preconceito.




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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Neste sábado (7), eu e minha noiva, fomos ver o filme O Extraordinário do livro homônimo escrito por Raquel Jaramillo com o pseudônimo, R. J. Palacio.  O livro foi publicado em 14 de novembro do ano de 2012 que conta a história do menino, Auggie Pulman, que sofre de uma síndrome chamada de Treacher Collins, que causa deformação facial. Diz a história, contada pela própria escritora, que ela e o filho estavam numa fila de sorveteria, com apenas três anos de idade na ocasião, e então, o menino viu uma menina com deformidade facial e começou a chorar. Para não dar aborrecimento para a menina e sua família, Palacio se afastou com o filho dela que piorou a situação. Após ouvir uma música chamada “Wonder” de Natalie Merchant, se deu conta que esse incidente lhe mostrou algo importante e queria mostrar isso para a sociedade, assim, começou a escrever o livro que leva o mesmo nome da canção. O refrão da música é usado no prologo do livro.

Na verdade, o livro chama “Wonder” por causa da música que a escritora ouviu – que tem a ver, mais ou menos, com a história – e que quer dizer, “maravilha”. Talvez, por marketing, ou por erros que estamos acostumados nas traduções nacionais, se traduziu como “O Extraordinário”. Diferença de linguagem, não tem. Diferença de expressão, não se tem. O fato de ter mudado o nome, não fez diferença, porém, é um fato inexplicável que não houve, pelo menos para mim, nenhuma resolução sobre o fato. A questão de linguagem e fonética, não tem explicação também, porque o menino poderia muito bem ser chamado de “maravilha”, que para mim, pelo menos, soa como um preconceito da nossa própria sociedade em achar que ser chamado de maravilha, pode eventualmente, ser chamado o garoto de homossexual ou, até mesmo, ter algo a ver com a Mulher-Maravilha. Já se começa pelo próprio nome.

Quando começamos a ver o filme ou ler o livro, sempre lembramos de algum fato da nossa tenra infância. Por que? Porque a história de Auggie (ou August) tem a ver com a história de todos nós, pessoas com deficiência. As pessoas com deficiência ou má formação – que é o caso do personagem – se sentem rejeitadas pela sociedade, que não aceita, a aparência diferente. Mas o fato é um só, somos pessoas diferentes, mas, antes de tudo, somos da espécie homo sapiens. Auggie não queria provar que poderia, ele e a mãe sabia que ele podia, mas ele queria apenas, estudar e ter uma vida social. Só isso. A mãe incentivou. O pai acabou incentivando. A questão é: a normalidade como visão predominante, pode ser um obstáculo? Se deixarmos, sim, pode ser. Se não deixarmos, não, não atrapalha. Eu sempre digo que a deficiência não atrapalha a vida, só nos dará muito mais desafios. No meu livro Clube de Rodasde Aço – Tratado sobre o Capacitismo (Clube de Autores) – que foi acusado de não ser acadêmico – eu escrevi que existem muitas linguagens que vieram a colaborar com o capacitismo, uma delas, é a medicalização. O discurso aceito socialmente, é o discurso que os médicos impõem como verdade absoluta. Só, que acontece, que como todos nós, o médico é humano. Não são deuses. Não são mais evoluídos do que outros seres humanos.

O erro médico é achar que somos seres dependentes pelo resto da vida. A sociedade colocou as ciências – junto com o médico e pesquisas cientificas – como a única e irrevogável, solução para humanidade em alcançar a felicidade. Somos pessoas que temos nossas alegrias, temos nossos prazeres, temos nossas paixões, temos nossos desejos, temos nossas vontades. Existem milhões de áreas que nós, pessoas com deficiência, queremos ser aceitos. Auggie fez várias cirurgias corretivas, mas não teve nenhuma construção psicológica para enfrentar a sociedade, não houve um preparo para o enfrentamento. Sorte dele que a mãe – como foi a minha – que insistiu que ele fosse para uma escola (que foi contra o marido e pai de Auggie que ainda, queria o filho ter aula em casa), quis que ele encarasse uma sociedade doente pelo estereotipo da normalidade. Além do mais, a sociedade norte-americana – embora, a sociedade estudanense, tem muito mais estudos – tem muitos preconceitos, ainda.

Na verdade, eu acho que a nossa sociedade é demagoga, não preconceituosa, pois, em alguns momentos, é chata. Se isso tem mudado, mudou muito pouco. Tanto, que nem percebo. Não se dá lugar para pessoas com deficiência no ônibus (nem para os cadeirantes ficarem no box). Não deixam os lojistas atenderem a nós, deficientes, quando fazemos compras, como se tivessem mais prioridades. Quando estamos namorando, nos olham com cara feia. As próprias mãe de outros deficientes, te olham como se você tivesse fazendo a coisa mais errada do mundo, só por causa que o filho vai ver que ele também pode. Mas todos esses que fizeram isso, vão lá e doam quantias consideráveis para o Teleton (no livro que escrevi, contém a minha teoria da sociedade teletoniana), como faziam os nobres, dando quantias consideráveis para as casas de caridade no período medieval. Como sou um cético nesse tipo de campanha – vivi nessa entidade muitos anos para saber que ela não atende nada e só mudou o nome para ficar “bonitinha” – não acredito que seja eficaz para a inclusão de pessoas com deficiência. Além, de reforçar ao máximo, a linguagem da medicalização.

Stephen Hawking, quando foi diagnosticado com sua síndrome ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), deram a ele uma ou duas semanas, ele já está com 76 anos de idade. A medicalização não é um dado irreversível, não pode ser visto como a única solução, mas temos uma vida plena. No caso de Auggie, é apenas um garotinho que não sabia se defender, sua única defesa era o capacete que escondia o seu rosto. Os preconceitos sociais são fortes graças ao mundo que vivemos, as propagandas perfeitas, os desejos aguçados para venderem mais. Eu não acho que vender é o problema, tanto quem está vendendo, quanto o publicitário que está produzindo a propaganda, estão trabalhando para sobreviver. O problema é você criar o mundo para fazer isso, que ao meu ver, não precisaria se o ser humano não fosse condicionado. A pergunta é: o que é a realidade? Será que a realidade é uma propaganda de Margarina ou pasta de dente? Claro que não. Temos dentes amarelos. Tomamos café da manhã, muitas vezes, sozinhos. A mesa pode ser velha, nós soltamos pum, não temos o rosto liso e perfeito. São “sombras” que querem mostrar que é a realidade.

Isso é tema de vários livros de filosofia e literários, um mundo condicionado que quebra a sua realidade por causa de um que não aceitou ou saiu, desse condicionamento. Auggie não cabia na realidade das outras crianças, ele quebra essa realidade como se ele fosse um estranho, algo que quebra o paradigma da perfeição e o medo aparece. A aparência mostra uma outra realidade, uma realidade muito além do que é mostrada. Parece que isso é obvio, mas não é. A título de exemplo, eu estudava num colégio tradicional que tinha, até a década de 90, uma unidade de ensino da entidade AACD, EEPG Rodrigues Alves, que fica na Avenida Paulista (São Paulo). Foram perguntar para a coordenadora da unidade das classes especiais, se comíamos comida normal ou comida especial. Estávamos na década de 80, onde não tinha tantas informações como temos hoje. Mas, hoje em dia, estamos no século vinte e um, com o advento da internet a nossa volta, ainda, ouvimos esse tipo de pergunta e respondemos ainda, temos que sim.

Por que? Porque há ainda, uma noção que a realidade é padronizada, como se vivêssemos na caverna de Platão (veja aqui), até mesmo, a história do escritor inglês, Adous Huxley, Admirável Mundo Novo, (que vou fazer textão depois de ler meu exemplar), onde o mundo ficou todo “politicamente correto”, com ideias libertinas, padronizadas e foi baseado, logicamente, na ideia de Platão. O mundo que vemos e o mundo, que intuímos.  O mundo que vimos é o mundo que achamos ser real, mas nem sempre ele o é. O mundo que intuímos e temos como base – como se não existisse – em uma maneira de ver diferente, numa maneira mais verdadeira. O mundo que pensamos ser real, é uma realidade forjada com os valores que pensamos ser verdadeiros. Mas não são. Pessoas como o Auggie, que de alguma maneira, são diferentes da realidade vigente de anuncio de margarina, querem ter uma vida como as outras crianças. Pessoas “diferentes” são menosprezados e enfrentam vários obstáculos, não só de forma física essa diferença, mas pode ser, numa outra maneira de pensar. Na verdade, a mídia e o capitalismo – claro, não tirando suas eventuais falhas – herdaram muitas coisas de séculos atrás, coisas que separam os povos. São separados por causa da ignorância, não entenderam que somos uma espécie só. Padronizaram aparências. Separam os latinos porque não se encaixam nos padrões estudanenses. Os negros não se encaixam nos padrões dos brancos. Os asiáticos não se encaixam com os dos ocidentais e os ocidentais, não se encaixam com os asiáticos.

A padronização humana não faz sentido – mesmo se essa padronização é ancestral – porque somente características são diferentes, mas nós como espécie, como disse, é uma só. Isso também vale para a deficiência. Temos várias limitações, mas não somos de outra espécie. A questão da aparência é uma questão estética, pois, a estética é muito bem explorada dentro da nossa cultura. A questão do Auggie é uma questão estética. Quando vimos algo diferente, esteticamente, que foge da realidade que estamos acostumados, nada nessa realidade faz sentido. Por isso mesmo, somos criaturas que discriminamos, muitas vezes, porque sempre vamos procurar o nosso semelhante. O medo, nesse caso, opera como uma defesa daquilo que desconhecemos. Não convivemos e não sabemos o que vão fazer. Medo de nós, pessoas com deficiência, porque não sabem como vamos reagir ou o que somos. Parece absurdo, mas não é. Julian que estuda com Auggie, fazia vários bullyng com ele (Auggie), a todo o momento, na verdade, porque tinha medo. Isso se confirma na reunião com os pais dele e o diretor, quando a mãe disse que Julian tinha pesadelos. Se era para proteger ele, não podemos saber. Mas existe a “liçãozinha” do mestre Yoda, o medo pode gerar a raiva, a raiva pode nos levar ao lado escuro da FORÇA. O lado escuro é o fechamento de uma ideia. É não sair da caverna e não ver o mundo de verdade, diversos de seres humanos diferentes, diversas possibilidades de realidades possíveis. Nos obscurecemos sempre quando desconhecemos algo, quando ficamos isolados, estamos com medo. O medo gera a raiva daquilo que poderemos nos tornar, pode até mesmo, ser superior que nós.

Auggie mostrou ser capaz de ser bom em alguma coisa, que para mim, não há nada de errado. Julian se achava humilhado por ainda carregar o estereotipo do perfeito ser bem-sucedido, o imperfeito é o inferior, o sujeito que não é capaz. Mesmo se não quisermos, temos mais concentração (por causa do nosso costume da cadeira de rodas). Mesmo se não quisermos, temos mais atenção e isso tambem é mostrado, tanto no filme, quanto no livro, sentia a Via, irmã de Auggie. Auggie tirava notas altas. Ter sucesso é ter boa aparência, ter boa aparência, é ter perfeição. Claro que você deve ter boa aparecia, se vestir bem, ter uma aparecia, mais ou menos, agradável. Acontece, que a sociedade confunde em ter boa aparência, com a perfeição. As empresas pedem boa aparência, mas confundem, em ser perfeito. Isso não existe. Isso é padronizar uma aparência e a padronização, sem dúvida, é uma ditadura. A ditadura da perfeição.

O filme e o livro “Wonder”, é uma resposta ao mundo da perfeição. Dos comerciais de margarina. Dos programas de televisão que impõem vários padrões que a sociedade deve ser. Se Palacio escutasse a música da Pitty, Admirável Chip Novo, ela iria ver que tem também a ver. Sendo um mundo governado pela a esquerda, pela a direita, não importa. A padronização estética sempre vai ser um condicionamento humano, dominar os seus desejos, dominar os seus gostos, dominar os seus impulsos. Desde a idade média, já se faziam isso e gostaram. Outra coisa que a escritora coloca, Via encontra um namorado negro, o negro intelectual, amante de violino. Lá nos Estados Unidos, é uma acentuado esse preconceito, mais do que aqui.


Enfim, o filme não foge muito do livro que eu recomendo (não li as continuações). Só vamos mudar isso por meio da educação, mas não a escolar que constrói o ser humano social, mas a educação familiar. Mostra aos mais jovens que o Auggie, mesmo com aquela aparência, ele é um menino como os outros. Um menino que gosta de Star Wars. Um menino que não quer ser exemplo de nada, só quer ter amigos e curtir com os amigos. Desconstrói a ideia do “exemplo de superação” – que os estudanenses já superaram – que é, pelo menos aqui no Brasil, uma ideia predominante. Bom filme, bom entretenimento, boa interpretação dos atores. 

domingo, 31 de dezembro de 2017

Ainda estão lendo Gregório Devivier?






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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Não sei o porquê, mas ainda estão lendo o Gregório Devivier e ainda, gastando a massa cefálica com ele. Eu dei muita risada com alguns vídeos do canal Porta dos Fundos, mas, é só. Devivier é comediante. O texto que ele coloca Jesus como um grande militante comunista, foi uma ironia e se não foi, não me surpreende. Hoje, o pessoal acha que ser comediante é dizer qualquer asneira e fazer rir, não é bem assim. Não quero me ater ao texto do Devivier – que para mim é um grande besteirol – mas, vou dar a minha visão sobre Jesus e sua missão. Pois, eu penso além das religiões.

Jesus de Nazaré foi um espirito de auto grau de evolução que trouxe ensinamentos para o povo da região da Judeia, Galileia, e as regiões aonde ele viveu. No mesmo modo, Sidarta Gautama, o Buda, trouxe milhares de ensinamentos dentro do povo hindu para a ascensão espiritual e uma evolução muito mais efetiva. A questão, é seus ensinamentos, romperam o tempo e as fronteiras porque foram sementes plantadas para uma evolução espiritual. Tanto, que nem a aparência desses homens, sabemos como eram. Porque sua mensagem era uma mensagem universal, não tinha um teor político, não tinha um teor religioso, não tinha um teor de coisas do mundo material (você aprende com algumas leituras e ouvindo alguns mestres, que o materialismo e o espiritualismo, depende da vibração do átomo em si). Vamos fazer um exemplo, imagine um copo com água que colocamos uma pedra de gelo, a pedra de gelo está numa vibração mais tensa, por causa do resfriamento da água. Então, esse gelo faz transbordar o copo e a água derrama fora, porque há uma solides dentro do copo que não cabe o gelo e a água liquida. Lembrando sempre, que os dois são do mesmo material (gelo e a água). Mas, ao decorrer do tempo, com a temperatura da água e os átomos do gelo vibrando cada vez mais, o gelo muda de forma e se mistura com a água. Os ensinamentos espirituais são a água, os conceitos materialistas, são o gelo solidificado. Com o tempo, vão se misturando cada vez mais.

Acontece que puseram muitas coisas além do que Jesus ensinou dando uma visão europeia – até mesmo a sua imagem – assim, muitas coisas da teologia católica não fazem nenhum sentido. O que interessa nos ensinamentos se Jesus casou ou não? O que interessa nos ensinamentos de Jesus se ele foi ou não Deus? O que interessa se Jesus teve ou não filhos? Eu sempre ponho Maria Madalena (ou Magdala), como uma discípula de Jesus, porque ele queria romper algumas tradições que não faziam sentido nenhum. Se foram ou não casados, também, não faz a menor diferença. A mensagem de Jesus é uma mensagem que pode ser lida e seguida, assim como de Buda, assim como de Maomé ou de qualquer outro. A questão é entender a sua essência.

Jesus queria que as pessoas entendessem aqueles ensinamentos, afinal, o seu reino não era desse mundo. Porém, quem estava no caminho não precisava entender, mas os que não estavam, precisavam. As prostitutas e bandidos, eram as pessoas que se iludiram com as promessas materiais de riquezas. A prostituição é a venda do próprio corpo por dinheiro, o roubo é você pegar aquilo que não é seu, para satisfazer seu próprio ego. Os dois é uma questão egóica. Só que no caso da prostituta, ela sabe que só é usada, mas algumas, põem na cabeça que são desejadas. O ego tem dois níveis, o ilusório (que tem a ver com o orgulho de se colocar sem ser de verdade), e o verdadeiro (que é uma questão ontológica, ou seja, o ser enquanto ser). O ego verdadeiro é tudo aquilo que você é verdadeiramente, vamos lembrar, que Jesus diz para Pôncio Pilatos, que a verdade liberta. Mas que verdade? A verdade do ser, que se solidifica no espirito. O ego verdadeiro é o entendimento disso. Tudo que é material volta para o universo, nada é eterno enquanto coisa, mas, o ser é eterno enquanto a nossa própria essência. Claro, que se somos humanos e vivemos no mundo, ficamos a mercê da sobrevivência. Jesus não disse para sermos pobres, mas disse para nos desapegar ao ponto de brigar com o outro por causa daquela coisa. O ladrão só é ladrão por causa da ilusão que aquilo vão trazer benefício – até à custa da vida do outro. O corrupto vai roubar o dinheiro público, porque está iludido com a vaidade e de pensar que aquilo que ele roubou, lhe trará uma felicidade. A felicidade não é com bens materiais, mas, com o gosto daquilo que se faz na vida.

Eu gosto de escrever e a minha escrita pode me levar ao bem material, porém, é uma coisa que me dará prazer e, talvez, trará ajuda ao outro. Ajudar o outro não é só dar o pão, mas entender o caminho para buscar esse pão, isso nada tem a ver com classes. Isso tem a ver com autossuficiência. Isso mesmo. Você depender de outras pessoas para comer um pão não é muito bom, porque você terá que comer um pão que a pessoa lhe trará e não aquele que você gosta. Quando você tem a escolha entre ficar onde estar e melhorar aquilo que te fara uma pessoa evoluída – acordar do Matrix – você sentirá o fluxo muito melhor da sua felicidade. A questão é que a felicidade não é tomar champanhe numa piscina – isso é prazer – mas, felicidade é comer bolacha escrevendo um texto e sabendo que este texto, pode ajudar algumas pessoas, a enxergarem o que não querem enxergar. Talvez, as religiões são sombras, as religiões são parte de um condicionamento muito mais amplo que o ESTADO tem que fazer para manter o controle. Jesus, Buda, os profetas, os santos, os avatares (mandatários do Criador), os filósofos e até mesmo, aqueles que mudaram a cara da ciência, são aqueles que viram além das sombras e estão além da “caverna”.


Jesus estava dizendo que o caminho para ficar no Matrix é bem largo, é muito mais cômodo, porém, o caminho para ficar na Matrix é muito mais, estreito. Causa dor. Os “olhos” que estão acostumados com a ilusão, a escuridão do “véu de Maya”, as sombras fabricadas pelos objetos carregados pelos outros humanos (discurso do poder?), as questões moralistas irrelevantes. Jesus não está preocupado com roupas, Jesus não estava preocupado com questões intimas, ele estava preocupado com algo muito maior que isto tudo. 

sábado, 30 de dezembro de 2017

Por que professores de filosofia devem ser de esquerda?




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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Pode não parecer, mas sou formado em filosofia. Porém, mesmo acreditando no progresso e que as mudanças são necessárias para a evolução da espécie humana, não tenho nenhuma ideologia. Porque, sempre pensei e tive a convicção que um bom filósofo era aquele que via as coisas sem tomar nenhum partido, que não tivesse nenhuma religião (eu sou partidário de ter uma espiritualidade sim), para analisar todas de modo não contaminar a sua análise. O caso de ser de direita (conservador) e ser de esquerda (progressista), também faz parte da minha convicção do que eu penso. Acho que não há lado no Brasil, porque sempre houve, muito mais, interesses em jogo. Então, as oligarquias que regem o Brasil e séculos – não vou ser idiota de não vê essas oligarquias – usam as ideologias para dominar e manipular a massa, conforme os interesses do momento. Um professor de filosofia deveria – usando um pouco Kant – ter o dever moral de enxergar que a esquerda e a direita, na verdade, só é um “boot” para reprogramar o sistema.

Um sistema não pode ter dois lados, pois, é um conjunto de elementos independentes de modo para formar um TODO organizado. Vindo do grego “σύστημα” (systēma), quer dizer “combinar”, “ajustar”, “formar um conjunto”. As ideologias se combinam dentro do conjunto de tudo e do TODO, portanto, não existe uma esquerda que é contra, uma direita que é a favor, mas todos são o mesmo sistema que corrompe e levam a maioria a miséria material e a miséria espiritual. Assim, quem realmente, aprendeu filosofia, sabe muito bem, que para ser “amigo da sabedoria” devemos sempre olhar num modo transcendente das ideologias e religiões predominantes em uma cultura.

No blog Analise Agora num texto do professor de filosofia, Cicero Barros, “A MÁSCARA DA ELITE RAIVOSA CAIU E APARECEU A FACE DA CORRUPÇÃO.”, mostra o quanto é perigoso uma análise ideológica da política brasileira. Aliás, o professor Cicero já começa errado com o nome do blog, pois, dentro da filosofia se diz crítica e não analise, que tem um tom, muito mais limitado. Uma crítica é uma análise muito mais profunda dentro de um assunto e dentro dos vários assuntos que o autor, gostaria de tratar nele. Na descrição está:
 “Este blog tem como meta promover debates a partir dos principais temas alvos o homem, o conhecimento e o meio ambiente. E todos os tópicos transversais e pertinentes como educação, política, economia, lazer, saúde, cultura do Brasil e do mundo. Compartilhar e interagir com amigos nas redes sociais, as produções deste canal de comunicação. ”

Quando se diz “promover o debate”, se diz promover algo muito mais profundo do que você escrever “elite raivosa”, porque você acaba já dês do começo do texto, dando um ar que defende um lado ideológico. O que seria uma “elite raivosa”? Todos nós sabemos, que em todos os países do mundo, em todos os momentos da história humana, teve aqueles que tinham alguma coisa e aqueles que não tinham, nada. Acontece que o ressentimento do ser humano contemporâneo é que se sentiu enganado da promessa que os regimes democráticos, além de não ter colaborado com a grande promessa da igualdade entre as classes, ainda, aumentou o “abismo” que separou os mais pobres com os mais ricos. Não acredito na meritocracia, porém, não acredito em nenhum regime que tenta nivelar essa igualdade para a linha da miséria humana, após o regime stalinista. Mas, vamos ser justos com a filosofia socialista, Marx nunca disse sobre ficar pobre ou disse sobre socialismo ou comunismo, e sim, Engels. Acontece que a questão socialista não é tão simples assim, não caberia num texto só.

A elite não é raivosa pelo simples fato, que ela tem seus mecanismos de manipulação, até mesmo, acreditar que temos liberdade de escolher alguma coisa. Por outro lado, a elite nunca foi raivosa, porque teve uma escolaridade bem superior e sabe controlar seu próprio sentimento, sua própria raiva, sua frieza fazem deles exploradores. Portanto, seria muita ingenuidade acreditar que a elite poderia estar raivosa por causa de um regime populista que mais ajudou bancos e instituições financeiras e isso estará em qualquer jornal da época.

Entre muitas coisas que estão no texto, já me desanima o autor ficar dizendo chavões populares que nada tem de filosóficos. Chavões como “mídia golpista” me dão, na verdade, uma preguiça imensa em analisar esse tipo de coisa. Claro que as mídias vão ser manipuladas pelo governo, seja ele qual for, porque no Brasil as redes de televisão e rádio são por concessão, ou seja, se o governo achar por bem não liberar para tal rede de televisão, ele pode tirar ou boicotar.  Simples. A questão é que o governo petista abusou desse poder achando que suas resoluções populistas, eram coisas que não podiam ser criticadas, que o caso do mensalão, não podia ser mostrado. Muitos jornalistas foram mandados embora, com um simples telefonema. Se, realmente, a mídia conspirou contra o governo petista, não foi à toa não. Por outro lado, e muita ingenuidade política, achar que as mídias junto com o povo fazem alguma coisa, pois, na minha visão, não tem poder nenhum. Os franceses quebraram toda Paris. Os argentinos quase iniciaram uma guerra civil por causa da previdência. Os brasileiros acham que um “patinho” na frente do sindicato dos industriais – onde mesmo no mundo tem um sindicato dos industriais? – ou um pão com mortadela, bandeiras vermelhas ou piadinhas sem graça, vão realmente intimidar os políticos? Como disse, o sistema é um só, os políticos usam a massa para melhor manipular e fazerem o que querem, mas, quem fazem são eles.

Mas, é claro, que existe uma elite e essa elite ainda detém as capitanias hereditárias pelo simples fato, de ter acordo para melhor governarem. O Nordeste nunca passou a crise da seca, não se tem um plano de industrializar lá, por causa do interesse que há ainda na pobreza. Os dois governos petistas não acabaram com o coronelismo, o petismo não foi capaz de dar ao povo necessitado algo de verdade. Tirar o povo da miséria não é dar cento e alguma coisa de bolsa-família, porque você tem que estruturar a cidade, você tem de dar uma vida digna a essas pessoas. O que adianta dar dinheiro? O que adianta ter dinheiro, mas não ter infraestrutura? E não me venham com esse papo que a “direita golpista” fez a mesma coisa, porque se o petismo foi eleito com a promessa de mudança – no qual não se teve nem com as pessoas com deficiência, pois, até a fiscalização da lei de cotas das empresas foram paralisadas – então, deveriam moralmente, fazer diferente ou até melhor do que a “direita golpista”. O que fizeram melhor da “direita golpista”, foi corromper todo mundo sem distinção de ideologia política.

Essa é a vantagem de não ter nenhuma ideologia política, para poder analisar sem nenhuma prisão conceitual, sem nenhum chavão direitista e esquerdista.

Outra coisa é esse “golpe” que tanto os esquerdistas dizem, sem fundamento, que o ultimo governo petista teria sofrido. Para ter um “golpe de estado” tem que ser a força, militarmente, ataque entre outras coisas. Não foi assim. Mas se dizer que teve uma “traição”, aí eu posso até concorda, muito embora, eu concorde, que quem se aliou aos adversários políticos foi o próprio PT. Eles achavam que todo mundo iria ficar aliados a eles por toda a eternidade? Nem os deuses gregos, eram assim. A política tem a ver com o poder e o poder tem a ver com o interesse, esse mesmo interesse, tem a ver com o momento. Tudo é interligado e faz parte da restruturação do sistema. O sistema brasileiro gosta bastante de alimentar a pobreza, a ignorância e a criminalidade para o povo não cobrar do governo, isso nada tem a ver com direita e esquerda. Qual governante gosta de ser questionado? Qual governante que gosta de pessoas que sabem de muitas coisas e querem seu poder ter limitações? Toda crise é tirada dinheiro da educação, porque será? No petismo, não foi diferente.

Assim, dizer que esse governo é “ilegítimo” é forçar demais a “sardinha para sua brasa”. Primeiro, que o PT fez aliança com o PMDB para alcançar o poder, portanto, se elegeu a Dilma Rousseff, também elegeu Michel Temer. Não adianta achar que vai me convencer, que não sabiam das maquinações e as corrupções dentro do governo, porque, é impossível. Depois, sabemos muito bem, que a “direita golpista” faz isso a anos e não foram pegos, mas sabemos e quisermos mudar, pois, se quisermos algo igual, teriam elegido qualquer outro da “elite raivosa”. Essa mesma “elite raivosa”, apoiou a esquerda quando teve a sua maior chance de mudar o Brasil, tirar o povo realmente da miséria e não apenas dar um misero dinheiro a esse povo. A questão é ter uma resolução muito mais definitiva, muito mais afirmativa e muito mais responsável. Sem usar dinheiro público para pagar financiamento de campanha, sem tirar de onde não deve, para tampar rombos que eles mesmos fizeram. Sindicalismo. Você pega uma Kombi emprestada para uma outra função, depois devolve a mesma Kombi para sua função habitual. Só que o governo federal não tem uma Kombi, tem milhões de reais investidos em empresas estatais e fazer isso com esses milhões, requer uma manobra sindicalista muito maior. Ou seja, impossível.

Tem outra coisa, o vice-presidente do ex-presidente Lula é da “elite raivosa”, a mesma elite que os petistas acusam de ter dado o “golpe” a um governo que “pensava” nos pobres. Será? Será mesmo que foi a mídia que mostrou ou a população viu que nada mudou? As mudanças não vieram. As melhorias também não. O governo petista de São Paulo, foi um desastre – não apoio tudo do governo atual do prefeito eleito – porque deixou a cidade completamente, a deriva e gastando muito. O ex-prefeito queria transformar a capital paulista numa cidade europeia, impossível. Sem educação, sem preparo, sem policiamento, sem gerentes competentes, não deu certo. A socialdemocracia não funciona sem educação. A educação não é a escolaridade, a escolaridade é ética, a educação é moral. Portanto, a moral se aprende no berço, a ética se aprende fora dele.

Outra expressão do texto que o professor Cicero Barros escreveu, é a expressão “direita nazifascista” por conter fatos históricos sobre o tema. Uma pessoa que tem uma certa ignorância histórica sobre o tema, ainda podemos até entender, porque essa pessoa não teve uma educação adequada. Mas, um professor de filosofia, que sabe que por mais que esses políticos não tenham ética, estão longe de serem “nazifascistas”, é imperdoável. Eu sei que existem os defensores e até acho louvável, que alguém acredite em algo e defenda esse algo, com bastante fé. Porém, não podemos fazer uma crítica filosófica como se tivesse tendo uma conversa de bar. Impossível um sistema ter dois lados, impossível um sistema ser um TODO se é dividido em dois. Todo “ismo” tem a mesma essência.

Como disse vários autores – Huxley escreveu no prefacio do Admirável mundo novo na segunda edição em 1946 – os novos totalitarismos não são feitos por ditadores, com militarismo, com prisões, torturas e mortes, mas executivos que fazem só os que as corporações querem e desejam para o controle. O populismo é uma ditadura. Mas é uma ditadura numa maneira mais eficiência, o totalitarismo psicológico que faz com que a massa, faça o que querem os detentores do poder. Mas cuidado. Se tem o populismo de esquerda, também tem o populismo de direita, os conservadores também popularizaram o discurso esquerdista para melhor persuadir a massa a fazer o que querem. O professor de “filosofia” que escreve esse texto, esquece que não foi só a “direita raivosa” que fez a corrupção, a “esquerda santa” também corrompeu a grande maioria do poder. Houve o mensalão. Houve corrupção das empresas estatais. Houve acordo com vários governos de esquerda. Houve várias coisas que a direita já fazia, mas foi uma atitude ao extremo com a esquerda.


Portanto, a questão da corrupção do Brasil é uma questão cultural. Como disse acima, a ética é um aprendizado escolar, mas a moral é um aprendizado que se aprende no colo da mãe. Então, se joga um papel de bala na rua, você não tem moral. Se você não devolve um troco errado, você não tem moral. Se você fala mal do outro e só vê defeitos e não se coloca no lugar do outro, você não tem moral. Se nós mudarmos nossa própria atitude, as novas gerações vão aprender e aprendendo, vão agir conforme o que aprenderam. 

Deputada Maria do Rosário é roubada em Porto Alegre

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

É machismo ou um grito contra a igualdade de gostos?








Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Em grupo de Facebook, uma colega postou um meme – figuras que imitam fatos reais – que dizia: “Num mundo cheio de Anittas, sejam mais uma Kate Middleton”. Vamos esclarecer algumas coisas aqui que não estão, muito bem, esclarecidas. A Catharine Middleton é a duquesa de Cambridge e esposa do príncipe William, que é, a nobreza britânica. E a Anitta, como todos sabem, é a cantora que se diz de funk, mas faz um “frete” com o pop que as maiorias das cantoras, cantam. A questão não é musical, é comportamental. Enquanto Lady Middleton anda com roupas elegantes, aparece com os filhos sempre com sutileza, Anitta aparece com roupas bem mais provocativas. Mas a frase acima tem várias interpretações que não podem faltar.

  Mesmo que em alguns casos a frase é acusada de machismo – existe sim mulheres machistas – que tenho que descordar. O começo da frase começa com “num mundo cheio de Anittas”, como se todas quisessem ser iguais a Anitta, serem mulheres independentes, seres mulheres bonitas, serem mulheres que rompem as amarras de uma dominação masculina e encontram uma outra proposta. A questão vai muito além do machismo, vai até o medo que essas mulheres geram aos homens e eles, terem que se desdobrar para agradar as mulheres. A tempos atrás, o homem era o grande dominador e as mulheres eram “obrigadas” a aceitar isso, e quem rompia tudo isso, ou arranjava um outro igual (a diferença era mínima), ou era chamada de “puta” naturalmente, por aquelas que não tinham coragem. A questão é freudiana, porque tudo que criticamos, será sempre aquilo que não temos coragem de fazer. Aquelas mulheres e até essas que concordam com esta frase, não tem coragem de romperem com o “martírio” de um marido chato.

Outra questão “num mundo cheio de Anittas”, é a questão de todo mundo querer ser um personagem dentro da mídia. Eu quero ser “panicat”, eu quero ser igual o que está na moda. Quanto mais na nossa cultura que as pessoas tendem a fazer o que os outros fazem, tendem a fazer o que a maioria faz. O moralismo “tupiniquim” sempre tende a ficar repetindo o que os religiosos falam a séculos, porque, bem ou mal, somos herdeiros da religião católica romana. Ponto. O espiritismo é católico. O protestantismo é católico. O budismo é católico. Enfim, até o conservadorismo é católico e nada tem a ver com a essência do conservadorismo que é, sem dúvida, muito mais cético (eu diria, estoico), do que, propriamente, uma ideologia religiosa. Por outro lado, ser moralista não é ser conservador. O moralismo é uma doutrina ou um comportamento filosófico ou, até mesmo, religioso, que elege a moral como um valor universal, em detrimento a outros valores culturais. A frase sobre a Anitta e a duquesa Middleton, é muito mais moralista do que machista.

Por que? Porque a outra questão do moralismo é considerar inconsistente a moral considerada, com o sentimento moral, por se basear em preceitos (norma contém uma forma abstrata, ou seja, a descrição do fazer ou não fazer, e toma um comando em reação à conduta omissiva ou ofensa à conduta esperada), tradicionais irrefletidos (que não se reflete) ou por ignorar a particularidade e a complexidade da situação julgada. Ou seja, essa frase ignora a complexidade da questão, pois, ninguém poderia julgar ninguém por uma roupa, ou por ser apenas, ser diferente daquilo que todo mundo espera. Por outro lado, é uma questão de cultura. Em lugares tropicais, as pessoas tendem a serem muito mais propensas a serem sensuais e ponto, o resto é conversa moralista. E também existe outra coisa, a mistura que deixa o corpo da mulher brasileira muito mais definido. Então, não vejo diferenças morais entre a Lady Middleton e a Anitta, e sim, diferenças culturais. Os britânicos são mais conservadores por causa do seu clima, porém, não quer dizer que sua moral seja superior ou maior do que a nossa. Como disse em um outro texto, o conservadorismo não é uma doutrina de religiosos paranoicos e sim, uma doutrina cética que nada tem a ver com o modus operante das religiões.


Mas, porém, o verdadeiro religioso (no modo espiritual) é o cara cético que gosta do modo racional. Claro, que as pessoas creem em muitas coisas que não tem muito a ver, mas, as pessoas se enganam com suas crenças porque querem ser mais e ter razão. As coisas são muito mais complexas. As histórias são muito mais subjetivas e as verdades não são absolutas. 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O povo não é preconceituoso, é chato mesmo!


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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Uma das coisas que gosto da filosofia é o ceticismo que ela traz consigo. Desde muito jovem, nunca acreditei muito nas coisas que os outros me diziam. Claro. Eu era bem mais místico que sou hoje, porque aprendi também, que o verdadeiro místico, é aquele que tem um certo ceticismo. O religioso, o verdadeiro, tem um certo ceticismo. A questão é: devemos acreditar mesmo em tudo que nos dizem? Claro que não. Existem muitos blogs e muitos sites que dizem mentiras e muitas pessoas, que podem ser fakes (perfis falsos), manipulam a notícia e manipulam a opinião das pessoas. Falando sério, o nosso povo, é facilmente, manipulável. Nossa baixa escolaridade – não de frequência escolar, mas de qualidade escolar – permite tal coisa.

Vamos esclarecer uma coisa, o conservadorismo verdadeiro não vem de paranoia religiosa, ele vem do ceticismo e mais precisamente, o ceticismo de David Hume. Não tem nada a ver com pastor e seu pastoreio, tem a ver com as mudanças muito radicais, porque um verdadeiro conservador, tem um certo distanciamento a revoluções. Aprendi isso com o filósofo Luiz Felipe Pondé num vídeo interessante sobre o tema.  A questão é que estão confundindo um pouco as coisas e os preconceituosos – não os mesmos que os paranoicos da esquerda apontam – começam a mostrar a cara. Ser conservador requer estudo histórico, ser conservador é ter a certeza daquilo que você acredita e segue. Não ser fiscal de “c*” alheiro. Isso é gente chata. Aliás, gente chata, por exemplo, é contra o sucesso do Pabllo Vittar, não por ele ser um mal cantor e suas músicas serem uma porcaria (que de fato é), mas por ele ser “drag queen” e homossexual. É um fato e não negamos. Não se gosta da Anitta não porque suas músicas não têm nada a acrescentar na nossa vida – gosto do jeito e das atitudes dela – mas porque para ser uma mulher “direita” tem que se vestir sem decote e sem shortinho curto, ainda, ser submissa aos homens. Namoro com uma pessoa que usa decote, porém, me respeita e tem muita gente que não usa, que trai na cara dura. Caráter nada tem a ver com roupas ou religiões, tem a ver com atitudes.

Mas, também, ter atitude não é pedir intervenção militar. Não sou contra uma certa analise do fato da onda crescente da corrupção, mas, pedir que o exército faça o papel de polícia. Polícia é polícia (defende a sociedade civil) e o contingente do exército é o exército (defende as divisas do país).  Se são instituições legitimas ou coercivas, é uma outra discussão que tem a ver com a maneira que tratamos o discurso do poder como apenas um discurso. Aliás, um discurso tem que ter uma certa lógica enquanto o termo grego “logos”, como se tivéssemos que trilhar um caminho e se você desviar dele, você se perdera. A narrativa é um deles.

Daí chegamos ao ônus do problema. As pessoas que não sabem diferenciar os discursos – poderíamos analisar vários, mas esse não é o intuito do texto – acredita em qualquer narrativa que caiba dentro do seu conceito. Poderíamos dizer: “as pessoas com deficiência não podem namorar”, pelos critérios que sabemos existir dentro de uma narrativa sócio-normativa. Como ele vai sustentar a mulher? Como ele vai ter um emprego? Quem vai cuidar do casal se eles forem dois cadeirantes? Acontece que isso é um pré-conceito, ou seja, um conceito pré-estabelecido sem nenhum exame critico daquilo que se colocou como um valor. Assim, os algoritmos das redes sociais trabalham, eles trazem tudo aquilo que acham ser importante para você. Mas aí mora um outro perigo, o fechamento de uma caixa pronta sem que você monte. Ai, não foge da questão da televisão que moldava seus conceitos.  O Facebook e o Instagram – são do mesmo dono – moldam o seu conceito de status quo de sempre ser maravilhosos, sempre sermos pessoas importantes, sempre buscamos o amor enquanto, seres que quer o outro como companhia eterna.

Essa narrativa ocidental acaba sendo, chata. Temos que ser seres humanos, andantes, brancos, ricos (ou em situação média), tem que ser “gostoso”, tem que comer em tal lugar, tem que assistir tal coisa. Tudo aquilo que é popular é chato. Eu estou numa cadeira de rodas e isto não me impede de ter tirado três diplomas e escrever esse texto. Para muitas pessoas, isso não é possível pela imagem da pessoa com deficiência como uma pessoa que não pode nem, pensar. Pensar é inerente aos seres conscientes, portanto, os seres conscientes pensam e, muitas vezes, seres que nem imaginamos pensam também. O pai da computação, Allan Turing, uma vez disse que uma coisa que pensa diferente, não quer dizer que não pensa. Uma pessoa com síndrome de down pensa, ela só tem um atraso mental da idade que tem. Um autista pensa, só tem uma dificuldade de relação as pessoas. Pessoas que tem paralisia cerebral, que é meu caso, pensam e bem, só perderam alguns movimentos. A questão é complexa e merece uma reflexão melhor.


A questão é que esse povo é chato. Não são preconceituosos, são chatos mesmo. Porque querem ser aceitos por uma migalha de atenção. Só isso.